Amor nas Alturas III
Capítulo 10 — A Verdade Desvelada no Precipício
por Camila Costa
Capítulo 10 — A Verdade Desvelada no Precipício
A atmosfera na fazenda estava densa com a tensão acumulada. As ameaças de Ricardo haviam se tornado mais audaciosas, mais diretas, e a sensação de perigo iminente pairava como uma nuvem negra sobre a vida de Isabella e Miguel. Eles tentavam manter a normalidade, mas cada toque de telefone, cada ruído inesperado, os fazia saltar. A confiança mútua, antes um porto seguro, agora era testada pela astúcia e crueldade de Ricardo.
Naquela manhã, Miguel decidiu que não podia mais esperar. Ele não podia permitir que Ricardo continuasse a atormentar Isabella e a ameaçar a paz que eles tanto lutaram para conquistar. Ele sabia que precisava confrontar Ricardo diretamente, mesmo que isso significasse arriscar a própria segurança.
“Isabella, eu vou atrás dele”, Miguel disse, a voz firme, mas com um toque de apreensão que ele tentava disfarçar. Eles estavam na varanda, o sol da manhã tentando dissipar a névoa, mas não a névoa que pairava em seus corações.
Isabella sentiu um arrepio gelado percorrer seu corpo. “Miguel, não! Por favor, não vá. É perigoso. Ele é louco.”
“Eu sei que é perigoso”, Miguel respondeu, segurando o rosto dela entre as mãos. “Mas eu não posso mais te ver assim. Com medo. Ele precisa entender que acabou. Que você é minha agora.”
“Mas e se ele te machucar?”, ela sussurrou, as lágrimas começando a se formar.
“Ele não vai. Eu vou ser cuidadoso. E eu preciso fazer isso. Por nós.” Ele a beijou com paixão, um beijo que carregava a urgência de quem sabe que pode estar se despedindo. “Fique aqui. Tranque tudo. E se algo acontecer, se você não conseguir falar comigo, ligue para a polícia imediatamente.”
Isabella assentiu, incapaz de articular qualquer outra palavra. O medo era palpável, sufocante. Ela o viu partir em seu carro, a figura dele desaparecendo na estrada sinuosa.
Miguel dirigiu até o antigo mirante da serra, o lugar onde Isabella havia se encontrado com Ricardo. Era um lugar isolado, com uma vista deslumbrante, mas que agora parecia carregado de uma energia sombria. Ele estacionou o carro e caminhou em direção ao precipício, o coração batendo forte.
Ricardo já estava lá, esperando por ele, encostado em uma velha árvore retorcida, um sorriso sarcástico no rosto. Ele parecia mais magro, os olhos fundos, mas a mesma aura de perigo emanava dele.
“Miguel, não é?”, Ricardo disse, a voz rouca. “Veio me tirar de perto da sua… amada?”
“Eu vim te dizer para ficar longe dela, Ricardo”, Miguel respondeu, a voz controlada, mas com uma frieza que não passou despercebida por Ricardo.
“Por que eu faria isso? Ela ainda me ama. Ela só está com medo. Medo de você, medo de mim. Medo do que vai acontecer.”
“Você está louco se pensa isso. Isabella me ama. E você não tem mais nenhum poder sobre ela.”
Ricardo riu, um som áspero e sem alegria. “Poder? Eu tenho todo o poder, meu caro. Eu tenho o passado dela. E o passado sempre volta para assombrar.” Ele tirou um envelope do bolso. “Você viu isso? Ela me mandou. Disse que não quer mais nada comigo. Mas eu sei que ela está mentindo.”
Miguel olhou para o envelope, o sangue gelando em suas veias. Ele sabia do que Ricardo estava falando. As fotos antigas. Isabella havia lhe contado tudo.
“Você não vai conseguir destruí-la, Ricardo. Nem a nós.”
“Ah, mas eu vou tentar”, Ricardo disse, dando um passo em direção a Miguel. “Eu não vou deixá-la ser feliz com você. Se eu não posso ter Isabella, ninguém mais terá.”
A discussão se tornou mais acalorada, as palavras se transformando em acusações e ameaças. Miguel, apesar de sua força, sentia a manipulação de Ricardo, a forma como ele tentava desestabilizá-lo, jogando com suas inseguranças.
Enquanto isso, na fazenda, Isabella não conseguia ficar parada. O silêncio de Miguel era ensurdecedor. Ela sentia que algo estava errado. Ignorando todas as instruções, ela pegou o carro e dirigiu em direção ao mirante.
Ao chegar, ela viu os dois homens discutindo acaloradamente à beira do precipício. A cena a fez parar, o coração batendo descompassado. Ela viu Ricardo empurrar Miguel com violência. Miguel cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio na beira do abismo.
“Miguel!”, Isabella gritou, correndo em direção a eles.
Ricardo se virou, surpreso pela chegada dela. Seus olhos encontraram os dela, e um brilho de desespero e loucura cruzou seu olhar.
“Isabella! Você veio! Eu sabia que você não me abandonaria!”
“Eu não vim por você, Ricardo! Eu vim por ele!”, ela respondeu, apontando para Miguel, que lutava para se manter em pé.
Ricardo, sentindo que estava perdendo o controle, avançou em direção a Miguel novamente. “Você não vai ter ela! Nunca!”
Miguel, com um último esforço, se jogou contra Ricardo. Os dois homens se debateram, lutando em uma dança perigosa na beira do precipício. Isabella gritava, desesperada, sem saber o que fazer.
Em um movimento desesperado, Ricardo empurrou Miguel com toda a sua força. Mas, no processo, ele perdeu o equilíbrio. Os dois caíram, juntos, em direção ao abismo. Isabella assistiu, horrorizada, enquanto eles desapareciam na imensidão.
Um grito de desespero ecoou pela serra. Isabella correu até a beira, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela viu os corpos deles caírem, um som surdo quando atingiram o chão lá embaixo.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. A beleza da paisagem, antes reconfortante, agora era um cenário cruel para a tragédia que acabara de se desenrolar. Isabella se ajoelhou na beira do precipício, o corpo tremendo, a realidade chocante caindo sobre ela como um raio. Ricardo havia conseguido. Ele destruíra tudo.
Mas então, um movimento. Um gemido fraco vindo de baixo. Isabella olhou com atenção, o coração batendo forte. Havia uma chance. Uma pequena, minúscula chance.
Ela não hesitou. Ignorando o perigo, a dor, o medo, ela começou a descer a encosta íngreme, determinada a encontrar Miguel. A verdade havia sido desvelada no precipício, e agora, o destino deles, e o futuro do amor que floresceu nas alturas, dependia da força de sua vontade e da chama da esperança que ainda ardia em seu peito. Ela não desistiria. Não agora. Não de Miguel.