Amor nas Alturas III

Amor nas Alturas III

por Camila Costa

Amor nas Alturas III

Por Camila Costa

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Capítulo 11 — O Beijo Proibido Sob o Luar

O ar da noite na Fazenda Sete Luas parecia carregar um peso incomum. A brisa suave que costumava acariciar os rostos dos amantes e sussurrar segredos entre as folhas das mangueiras, agora trazia consigo uma tensão palpável, quase elétrica. Sofia, com o coração disparado no peito, sentia cada batida ecoar em seus ouvidos, um ritmo frenético que acompanhava a confusão de sentimentos que a assolava. A verdade revelada por Miguel no precipício, sobre a paternidade de Lucas, era um furacão que varrera suas certezas, deixando apenas destroços e uma nova, avassaladora, paixão.

Miguel, por sua vez, observava Sofia com uma intensidade que a fazia se sentir exposta, nua sob o manto estrelado. Seus olhos, escuros como a noite que os envolvia, transmitiam uma mistura de dor, arrependimento e um desejo ardente que espelhava o dela. Havia tanto não dito entre eles, tantas barreiras erguidas por anos de mal-entendidos e orgulho ferido, que agora pareciam desmoronar com a força de um vulcão em erupção.

"Sofia...", a voz de Miguel era um murmúrio rouco, quase um suspiro. Ele deu um passo hesitante na direção dela. "Eu... eu nunca quis te machucar. Acredite em mim."

Sofia desviou o olhar para o céu, onde a lua cheia parecia pratear a paisagem com uma luz quase sobrenatural. A fazenda, tão familiar e acolhedora durante o dia, agora se transformava em um palco de mistérios e paixões proibidas. As sombras das árvores dançavam ao redor deles, acentuando a intimidade do momento e a fragilidade de suas emoções.

"E você achou que mentir sobre o Lucas, Miguel, era a melhor forma de não me machucar?", a voz de Sofia tremeu, um misto de acusação e vulnerabilidade. As lágrimas que ela lutava para segurar ameaçavam transbordar, quentes e salgadas, a marca de uma dor antiga que finalmente encontrava sua origem. "Você me tirou a oportunidade de ser mãe dele. De amar o meu filho desde o primeiro momento."

Miguel aproximou-se mais, seu corpo irradiando um calor que Sofia podia sentir mesmo sem tocá-lo. O perfume suave da terra molhada misturava-se ao cheiro forte de café que emanava de suas roupas, um aroma que sempre a remetia a ele, a lembranças de um tempo em que tudo parecia mais simples, mais puro.

"Eu era um tolo, Sofia. Um garoto assustado e cheio de medo", confessou ele, sua voz embargada. "Eu não sabia como lidar com tudo. Com a sua partida, com a gravidez... A ideia de perder você e o meu filho... Foi o meu egoísmo falando mais alto. Um erro que carrego comigo todos os dias."

Ele estendeu a mão, hesitando no ar antes de tocar o rosto de Sofia. A pele dela estava fria sob seus dedos, mas seu toque acendeu uma corrente elétrica que a percorreu inteira. Ela fechou os olhos, permitindo-se sentir a carícia que tanto ansiou por anos. Aquele toque era familiar, um bálsamo para uma ferida que ela nem sabia que ainda estava aberta.

"Eu vi você. Vi você cuidar dele. Vi o amor nos seus olhos quando olhava para o Lucas", disse Sofia, sua voz agora mais calma, mas ainda carregada de emoção. "E eu me perguntei tantas vezes... por quê? Por que ele parecia tão... nosso."

Miguel apertou suavemente a bochecha dela. "Porque ele é nosso, Sofia. Ele sempre foi nosso."

O olhar que trocaram foi um abismo de palavras não ditas, de anos de saudade, de um amor que resistiu ao tempo e às circunstâncias. Era um olhar que dizia tudo: o perdão, o desejo, a esperança de um futuro juntos. O peso da verdade, antes esmagador, agora se transformava em um laço invisível, conectando-os de uma forma que ninguém mais poderia compreender.

O silêncio que se seguiu não era de constrangimento, mas de uma compreensão profunda. A noite parecia conspirar a favor deles, mantendo o mundo em suspenso enquanto suas almas se reencontravam. Sofia sentiu uma necessidade avassaladora de se aproximar, de preencher o espaço que ainda os separava.

"Eu nunca deixei de amar você, Miguel", sussurrou ela, a confissão saindo de seus lábios como um segredo guardado a sete chaves, finalmente libertado.

Os olhos de Miguel se arregalaram, e um sorriso lento, incerto, começou a se formar em seus lábios. Ele não precisou de mais nada. Aquele sussurro era a permissão que ele esperava, a luz verde que o impulsionava para frente. Ele levou a mão livre ao rosto de Sofia, traçando a linha de seu maxilar até o queixo. Seus olhos percorreram os lábios dela, observando a leve tremura que os acometia.

"E eu nunca deixei de amar você, minha Sofia", respondeu ele, a voz carregada de uma emoção crua e poderosa. "Nem um dia sequer."

E então, sob o olhar cúmplice da lua cheia, Miguel inclinou-se. O mundo ao redor desapareceu. Não havia a fazenda, nem os funcionários, nem a sombra de Ricardo. Havia apenas o toque de seus lábios, um reencontro há muito esperado, um beijo que selava não apenas o perdão, mas a promessa de um amor que renascia das cinzas.

O beijo foi terno no início, um reconhecimento, uma saudação a um amor que havia sido interrompido. Mas logo a paixão que ardia neles há anos tomou conta. As mãos de Sofia subiram para o pescoço de Miguel, emaranhando-se em seus cabelos curtos. As mãos dele deslizaram para a cintura dela, puxando-a para mais perto, eliminando qualquer vestígio de espaço entre seus corpos.

Era um beijo carregado de saudade, de angústia, mas acima de tudo, de um amor inabalável. Era a confirmação de que, apesar de todas as tempestades, de todos os desencontros, seus corações sempre bateram em uníssono. As lágrimas de Sofia agora não eram de dor, mas de alívio, de uma felicidade avassaladora que a inundava por completo.

Quando finalmente se separaram, ofegantes, seus rostos estavam próximos, seus olhos ainda fixos um no outro. A lua parecia brilhar ainda mais intensamente, iluminando o momento que mudaria o curso de suas vidas para sempre. A verdade estava desvelada, a paixão redescoberta, e o caminho à frente, embora incerto, agora parecia trilhado juntos.

"Eu não sei o que vai acontecer agora", disse Sofia, a voz embargada, mas com uma serenidade nova em seu olhar. "Mas eu quero você. Eu preciso de você."

Miguel sorriu, um sorriso genuíno e cheio de esperança. Ele apertou-a contra si, sentindo a fragilidade dela em seus braços, a força de seus sentimentos. "E eu preciso de você, Sofia. Mais do que você imagina."

A noite na Fazenda Sete Luas, que antes carregava a tensão do conflito, agora transbordava de romance e promessas. O beijo proibido sob o luar não era apenas o fim de um ciclo, mas o início de uma nova história de amor, escrita nas alturas da paixão e na profundidade da redenção.

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