Amor nas Alturas III
Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Amor nas Alturas III", no estilo solicitado:
por Camila Costa
Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Amor nas Alturas III", no estilo solicitado:
Amor nas Alturas III Romance Romântico Autor: Camila Costa
Capítulo 16 — O Preço da Liberdade
O ar na antiga fazenda, outrora perfumado pelo cheiro da terra molhada e das flores que desabrochavam em profusão, agora pairava pesado, carregado pela tensão e pelo cheiro acre do medo. Isabela, com o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado, sentia cada fibra do seu ser gritar por liberdade. A máscara de serenidade que Ricardo a obrigara a usar nos últimos tempos começava a rachar, revelando a mulher assustada e exausta por trás dela. Ele a observava com um brilho gélido nos olhos, um predador satisfeito com a presa acuada.
“Vejo que finalmente entendeu, minha querida Isabela”, disse Ricardo, sua voz um sussurro melífluo que, em outro contexto, poderia ser sedutor, mas que agora soava como o veneno de uma serpente. Ele acariciou o rosto dela com a ponta do dedo, um gesto que deveria ser terno, mas que a fez estremecer. “Você não tem para onde ir. E, sinceramente, eu não me importo. Você é minha, a partir de agora.”
Isabela engoliu em seco, buscando forças em algum lugar dentro de si. A imagem de Gabriel, seu Gabriel, a dor em seus olhos quando a vira partir, era o combustível que a impedia de desmoronar completamente. Ela não podia ceder. Não podia deixar Ricardo vencer.
“Você está enganado, Ricardo”, respondeu, a voz trêmula, mas firme. “Eu não sou sua. E nunca serei.”
Ricardo riu, um som seco e sem alegria. “Ah, essa sua teimosia me encanta, sabia? Mas é justamente essa teimosia que te impede de ver a realidade. Você está nas minhas mãos. E eu sei exatamente o que fazer com ela.” Ele se aproximou, o hálito quente em seu rosto, e Isabela recuou instintivamente. “Você quer Gabriel de volta? Quer que ele não se machuque? Então você fará tudo o que eu mandar.”
O estômago de Isabela se revirou. A chantagem era cruel, e ele a usava com maestria. Sabia que a ameaça a Gabriel era a única arma que ele possuía contra ela. Ela fechou os olhos por um instante, tentando visualizar uma saída, um escape. A fazenda era isolada, as comunicações limitadas. Estavam em um ponto cego do mundo, um lugar onde as leis de Ricardo pareciam ser as únicas que importavam.
“O que você quer?”, perguntou, a voz um fio quase inaudível.
O sorriso de Ricardo se alargou, mostrando os dentes. “Quero tudo o que me foi tirado. Quero a minha vingança. E você, minha querida, será a chave para abri-la.” Ele fez uma pausa, saboreando o desespero no olhar dela. “Preciso que você vá até o Gabriel. Diga a ele que você o abandonou. Que você o traiu. Que a história toda foi um plano seu para arruiná-lo. E que você está voltando para mim, porque você nunca o amou de verdade.”
As palavras de Ricardo caíram sobre Isabela como pedras. A ideia de machucar Gabriel daquela forma, de destruir tudo o que eles construíram, era insuportável. As lágrimas que ela vinha segurando ameaçavam transbordar.
“Não… eu não posso fazer isso”, sussurrou, o corpo tremendo.
“Ah, pode sim”, Ricardo insistiu, pegando-a pelo queixo com firmeza. “Você vai. Ou então o Gabriel vai descobrir a verdade sobre… ah, você sabe. A verdade sobre os negócios dele. Aquela que eu tenho guardada tão cuidadosamente. E ele vai para a prisão, Isabela. Ele vai perder tudo. Você quer isso para o homem que você diz amar?”
O golpe foi certeiro. A menção à ruína de Gabriel, à possibilidade de vê-lo atrás das grades, foi o que quebrou Isabela. Ela se debateu por um instante, a força esvaindo-se de seus membros.
“Você é um monstro!”, gritou, a voz embargada pela dor.
“E você, minha flor, é a minha arma. Agora, vamos nos preparar. Você vai sair daqui amanhã. E vai fazer exatamente o que eu mandar.” Ricardo soltou o queixo dela, um sorriso de triunfo brincando em seus lábios. Ele sabia que a tinha vencido, pelo menos por enquanto.
Isabela sentou-se na cama rústica do quarto que Ricardo a forçara a ocupar, o corpo pesado de desespero. As paredes de madeira pareciam fechar-se sobre ela, sufocando-a. A noite se estendeu, longa e torturante. Ela revivia cada momento com Gabriel: o primeiro beijo sob o céu estrelado, os risos compartilhados, a promessa de um futuro juntos. E agora, ela teria que apagar tudo isso com mentiras cruéis.
Ela se levantou e foi até a janela, olhando para a escuridão lá fora. As estrelas, que antes lhe traziam conforto, agora pareciam zombeteiras. Pensou em fugir, em arriscar tudo. Mas a imagem de Gabriel preso, desonrado, a paralisava. O peso da responsabilidade era esmagador. Ela era a única que podia protegê-lo, mesmo que isso significasse destruir a si mesma no processo.
De repente, um barulho discreto chamou sua atenção. Um sussurro vindo de fora, quase inaudível. Ela se aproximou cautelosamente da porta e abriu uma fresta. Um vulto se moveu na penumbra do corredor.
“Isabela?”, um sussurro rouco perguntou.
O coração de Isabela deu um salto. Era a voz de alguém que ela conhecia, alguém que não deveria estar ali.
“Quem é?”, perguntou, a voz tensa.
O vulto se aproximou, e ela pôde distinguir o rosto sob a luz fraca da lua que entrava por uma janela distante. Era Pedro, o capataz da fazenda, um homem que sempre a tratara com respeito e que demonstrava uma lealdade discreta.
“Sou eu, dona Isabela. Pedro. Eu sei o que aquele desgraçado está fazendo com a senhora”, disse ele, a voz carregada de raiva contida. “Eu a vi chegando com ele. E eu sei que ele não a trata bem.”
Um fio de esperança, tênue, mas real, surgiu em Isabela. “Pedro… como você sabe?”
“Eu… eu tenho meus ouvidos atentos, dona Isabela. E eu conheço Ricardo há tempo demais. Ele não é um homem de palavra. E eu sei que a senhora não está aqui por vontade própria.” Ele se aproximou mais, os olhos transmitindo uma preocupação sincera. “Ele pretende usá-la contra o senhor Gabriel, não é?”
Isabela sentiu as lágrimas voltarem a molhar seu rosto. Ela apenas assentiu, incapaz de falar.
“Eu… eu posso ajudar a senhora, dona Isabela. Eu conheço essa terra como a palma da minha mão. Eu sei de rotas de fuga que ninguém mais conhece. Eu… eu posso tirá-la daqui.”
A oferta era tentadora, um raio de luz em meio à escuridão. Mas o medo era maior. O medo do que Ricardo faria se descobrisse. O medo de que Pedro se machucasse.
“Pedro… eu não posso. Ele… ele ameaçou o Gabriel. Se eu tentar fugir, ou se eu não fizer o que ele quer, ele vai arruiná-lo.”
Pedro franziu a testa, a raiva se misturando à preocupação. “Ele está usando o senhor Gabriel para controlá-la. Um homem como Ricardo sempre tem um plano B. A senhora não pode deixar que ele a controle assim.” Ele pegou a mão dela, um gesto firme e reconfortante. “Eu sei que a senhora é forte, dona Isabela. E o senhor Gabriel também é. Ele não é um homem que se entrega fácil. E se a senhora não tentar, quem vai salvá-la?”
As palavras de Pedro ecoaram na mente de Isabela. Salvar a si mesma para poder salvar Gabriel. Era um risco, um risco enorme. Mas ela não podia mais viver sob as garras de Ricardo.
“O que você propõe?”, perguntou, a esperança crescendo em seu peito.
“Essa noite não. É arriscado demais. Mas amanhã, quando ele pensar que a senhora está conformada, que você vai fazer o que ele quer, nós agimos. Eu preparei um cavalo e uma rota. O senhor Gabriel tem gente boa, pessoas que o ajudam. Eu enviarei uma mensagem para ele assim que estivermos a salvo. Eu garanto.”
Isabela olhou para o rosto de Pedro, buscando confiança. Ele parecia sincero, determinado. Era a única chance que ela tinha.
“Eu… eu confio em você, Pedro”, disse, a voz embargada. “Eu aceito.”
Um sorriso de alívio cruzou o rosto de Pedro. “Ótimo. Agora descanse, dona Isabela. E finja. Finja que está tudo bem. Amanhã será um novo dia.” Ele se afastou suavemente, desaparecendo na escuridão, deixando Isabela com um misto de medo e uma frágil, mas poderosa, esperança. O preço da liberdade seria alto, ela sabia. Mas valeria a pena lutar por ele.