Amor nas Alturas III
Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Amor nas Alturas III", continuando a saga de amor, desencontros e paixões avassaladoras no coração do Brasil.
por Camila Costa
Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Amor nas Alturas III", continuando a saga de amor, desencontros e paixões avassaladoras no coração do Brasil.
Amor nas Alturas III
Capítulo 6 — A Tempestade que Se Forma no Paraíso
O sol da manhã, teimoso e vibrante, tentava romper a névoa que ainda pairava sobre as montanhas de Minas Gerais, mas não conseguia apagar a sombra que se estendia sobre o coração de Isabella. A noite anterior, com a chegada inesperada de Ricardo, um fantasma do passado que ela jurava ter enterrado com todas as suas forças, havia abalado os alicerces de sua nova realidade. O que ela sentia por Miguel era um amor que transbordava em cores vivas, uma paixão que a transformava a cada dia, mas a presença de Ricardo era como uma nuvem escura, prenunciando uma tempestade que ela não sabia se teria forças para enfrentar.
Ela observava Miguel na varanda, a silhueta recortada contra o céu azul-claro. Ele sorria para o café da manhã que ela preparou, um sorriso genuíno que aquecia a alma. Cada gesto dele, a maneira como ele segurava a xícara, o brilho nos olhos quando a olhava, tudo nela gritava "lar". E era justamente por isso que a aparição de Ricardo a atormentava. Ele representava um caminho alternativo, um passado de ilusões e dor, um lembrete constante de como um deslize, uma má escolha, poderia destruir tudo o que ela construíra.
“Você parece pensativa hoje, meu amor”, Miguel disse, estendendo a mão para tocar o rosto dela. O toque dele era suave, mas a eletricidade que percorreu o corpo de Isabella foi intensa. Ela se forçou a sorrir, um sorriso que não alcançou os olhos.
“Só estou admirando a beleza desse lugar, Miguel. E a sua.” A mentira pairou no ar, um véu fino sobre a verdade.
Ele a puxou para perto, o abraço reconfortante, o cheiro dele, uma mistura de terra, café e algo inebriante, a envolvia. “Você é linda demais para ter essas ruguinhas de preocupação na testa. O que está te afligindo?”
Isabella hesitou. Contar a Miguel sobre Ricardo seria como abrir uma porta para um mundo de incertezas. Ela o amava com toda a sua alma, mas o medo de perdê-lo era um veneno que corria devagar em suas veias. E se ele a visse como alguém dividida? Alguém que não era capaz de deixar o passado para trás?
“Não é nada, Miguel, de verdade. Só um pesadelo que tive”, ela mentiu novamente, se sentindo culpada pela omissão.
Ele a olhou nos olhos, a penetração do seu olhar a fazendo sentir-se exposta, mesmo com a mentira. Miguel era um homem perspicaz, e ela sabia que não conseguiria esconder dele para sempre. Mas, por enquanto, ela precisava de tempo para organizar seus pensamentos, para encontrar uma forma de lidar com o furacão que se formava em seu interior.
“Se precisar conversar, sabe que pode contar comigo para tudo, não é?”, ele disse, a voz carregada de ternura.
“Eu sei, meu amor. E sou tão grata por isso”, Isabella respondeu, apertando-o com mais força. Ela se agarrava a ele como um náufrago se agarra a um pedaço de madeira em meio à tempestade.
Mais tarde naquele dia, enquanto Miguel estava ocupado com algumas tarefas na fazenda, o telefone de Isabella tocou. Era um número desconhecido. Com um pressentimento ruim, ela atendeu.
“Isabella?” A voz era rouca, inconfundível. Ricardo.
Um arrepio percorreu sua espinha. “O que você quer, Ricardo?” A voz saiu mais fria do que ela pretendia.
“Só saber como você está. E dizer que estou na cidade. Não muito longe daqui, na verdade.”
“Eu não quero falar com você.” Ela sentiu o coração disparar.
“Você não vai me impedir de te ver, Isabella. Você é importante para mim. Sempre foi.” A possessividade na voz dele era um soco no estômago.
“Você não tem esse direito. Aquilo acabou há muito tempo.”
“Acabou para você, talvez. Para mim, nunca mudou.” Ele riu, um som desagradável que a fez querer desligar o telefone e jogá-lo longe. “Nos vemos em breve, Isabella. Você vai ver.”
A ligação caiu, deixando Isabella em um estado de pânico. Ricardo estava perto. Ele estava vindo. O que ele queria? Ele não seria capaz de destruir a felicidade que ela construiu com Miguel, seria? Aquele amor era forte demais, verdadeiro demais. Mas a sombra de Ricardo era longa, e o passado tinha um jeito cruel de ressurgir quando menos se espera. Ela sabia que não poderia mais fugir. A tempestade havia chegado, e ela teria que enfrentá-la.
Enquanto o crepúsculo tingia o céu de tons alaranjados e roxos, Isabella se sentou à beira do rio, a água murmurando segredos antigos. A beleza da paisagem contrastava com a turbulência em sua alma. Ela pensou em Miguel, em seus olhos sinceros, em sua risada fácil, no futuro que eles planejavam construir juntos. E pensou em Ricardo, na loucura que o cercava, na promessa de destruição que emanava dele.
Ela não podia mentir para Miguel. O amor deles era construído sobre a verdade, e omitir algo tão significativo seria uma traição. Mas como começar essa conversa? Como explicar que um homem que a havia ferido profundamente estava de volta, e que ele a queria de volta também? O medo de perder Miguel era paralisante, mas o medo de viver uma mentira com ele era ainda maior. Ela precisava ser forte. Por ela, por Miguel, por esse amor que ela sentia ser o seu destino. A noite caiu, estrelada e serena, mas para Isabella, a tempestade estava apenas começando.