Amor nas Alturas III

Capítulo 7 — O Confronto nas Sombras

por Camila Costa

Capítulo 7 — O Confronto nas Sombras

A noite emitiu um silêncio pesado, interrompido apenas pelo coaxar distante de sapos e o sussurro do vento nas folhas das árvores. Isabella mal conseguiu dormir. Cada ruído no lado de fora da casa a fazia sobressaltar, imaginando a figura de Ricardo à espreita. A conversa com Miguel sobre seus sentimentos, sobre a volta de Ricardo, era um fardo que ela carregava, pesando sobre sua consciência. Ela sabia que precisava confrontar a situação, mas a coragem parecia escorrer de seus dedos como areia fina.

Na manhã seguinte, o céu estava mais limpo, mas a alma de Isabella continuava nublada. Miguel percebeu a tensão em seus ombros, a forma como ela evitava seu olhar. Ele a amava profundamente, e essa distância silenciosa o feria.

“Isabella, você está bem?”, ele perguntou, a voz suave, mas firme. Eles estavam na cozinha, preparando o café da manhã.

Ela parou de mexer o café, a colher tremendo levemente em sua mão. “Miguel… eu preciso te contar uma coisa.”

Ele largou o que estava fazendo e se aproximou dela, o olhar cheio de preocupação e amor. “O que está acontecendo, meu amor? Você tem estado distante desde ontem.”

Ela respirou fundo, reunindo toda a força que tinha. “Ontem… eu recebi uma ligação. De uma pessoa do meu passado.” A palavra “fantasma” não saiu, mas a sensação era a mesma.

Os olhos de Miguel se apertaram um pouco, uma leve sombra de desconfiança cruzando seu rosto. “Quem?”

“Ricardo.” A confissão saiu em um sussurro quase inaudível. Isabella sentiu um nó na garganta, o medo de sua reação a sufocando.

Miguel ficou em silêncio por um instante, a respiração presa. Isabella observou cada microexpressão em seu rosto. Medo? Raiva? Ciúmes? Era tudo o que ela temia.

“Ricardo… o seu ex-noivo?”, ele perguntou finalmente, a voz controlada, mas com uma nota de tensão que não passou despercebida por Isabella.

Ela assentiu, incapaz de formar palavras.

“Ele voltou?”, Miguel insistiu, o olhar fixo no dela, procurando por respostas que ela relutava em dar.

“Ele disse que está na cidade. Que quer me ver.”

Uma raiva sutil começou a borbulhar no olhar de Miguel. Ele não era um homem ciumento, mas a ideia de outro homem, especialmente um do passado de Isabella, tentando se intrometer em sua vida, o incomodava profundamente. “E o que você disse?”

“Eu disse que não queria falar com ele. Que aquilo acabou.” Isabella sentiu a necessidade de se defender, de deixar claro para Miguel que sua lealdade era inteiramente dele.

Miguel respirou fundo, tentando dominar a emoção que o consumia. Ele se aproximou de Isabella e segurou seu rosto entre as mãos. “Isabella, olhe para mim.” Ela o obedeceu, vendo a dor e a incerteza em seus olhos. “Eu te amo. E eu confio em você. Mas a ideia de ele estar aqui, perto de você… me incomoda.”

“Eu sei, Miguel. E me incomoda ainda mais. Ele é um passado que eu fiz de tudo para esquecer. Um passado que me machucou profundamente.” As lágrimas começaram a se formar nos cantos de seus olhos. “Eu não quero que ele estrague o que nós temos.”

Miguel a puxou para um abraço apertado, sentindo a fragilidade dela. “Ele não vai estragar, Isabella. Nós não vamos deixar.” Ele a abraçou com força, como se quisesse protegê-la de todos os fantasmas do mundo. “Mas você tem que me prometer uma coisa.”

“O quê?”

“Você vai me contar tudo. Qualquer coisa que ele disser, qualquer coisa que ele fizer, você me conta. Não esconde nada de mim, nem por um segundo.”

“Eu prometo, Miguel.” A promessa era sincera, e no fundo, ela sabia que ele estava certo. O segredo era o pior inimigo deles.

Mais tarde naquela tarde, enquanto Miguel estava resolvendo questões na cidade, Isabella recebeu uma mensagem de texto. Era de um número desconhecido.

"Preciso falar com você. É urgente. Nosso futuro depende disso. Encontre-me no antigo mirante da serra ao pôr do sol. Não conte a ninguém."

O coração de Isabella disparou. Era Ricardo. A urgência, o tom de súplica misturado com ameaça velada, tudo indicava a manipulação dele. Ela sentiu um arrepio de medo, mas também uma faísca de raiva. Ela não seria mais uma marionete em suas mãos. Ela não o permitiria.

Ela sabia que Miguel não aprovaria. Ele ficaria preocupado, talvez até bravo. Mas ela precisava enfrentar Ricardo sozinha. Precisava ter a certeza, dentro de si mesma, de que podia lidar com ele, de que ele não a abalava mais. E precisava fazer isso antes que ele pudesse tentar qualquer coisa contra Miguel.

Quando o sol começou a se pôr, tingindo o céu de um vermelho intenso, Isabella dirigiu até o mirante. O lugar, que antes era um refúgio de paz e romance para ela e Miguel, agora parecia sombrio e ameaçador. Ricardo estava lá, encostado em seu carro, a silhueta imponente contra a paisagem. Ele parecia mais velho, mas a mesma aura de perigo e desespero o cercava.

“Isabella”, ele disse, um sorriso torto brincando em seus lábios. “Você veio.”

“O que você quer, Ricardo?”, ela perguntou, a voz tensa, mas firme. Ela se manteve a uma distância segura.

“Eu quero você de volta, Isabella. Eu nunca te esqueci. Aquele acidente… tudo o que aconteceu… eu sei que eu errei, mas você também errou ao me deixar.”

“Eu o deixei porque você era um monstro, Ricardo. Você me machucou, me humilhou. Eu não o amava mais.”

“Mentira! Você me amava. E você ainda me ama. Eu sinto isso.” Ele deu um passo em sua direção, e Isabella recuou instintivamente.

“Você está louco. Eu amo outra pessoa. Uma pessoa maravilhosa que me faz feliz de verdade.”

“Eu sei sobre ele”, Ricardo disse, e o tom de sua voz mudou, tornando-se frio e calculista. “Um fazendeiro bonitão, não é? Ele te faz feliz, Isabella? Ele te dá tudo o que você quer?”

O medo começou a se instalar em Isabella. Ricardo sabia sobre Miguel. Isso significava que ele havia investigado, que ele estava disposto a ir longe.

“Fique longe dele, Ricardo. Ele não tem nada a ver com o seu passado distorcido.”

“Talvez ele tenha. Talvez eu possa fazer a vida dele um inferno, Isabella. Para te mostrar que você nunca vai poder ser feliz sem mim.” As palavras dele eram uma ameaça direta.

Isabella sentiu o sangue gelar. A manipulação, a crueldade, tudo o que ela temia estava ali, na frente dela. Ela precisava ser corajosa. Por Miguel.

“Você não vai fazer nada com ele”, ela disse, a voz embargada pela emoção. “Porque eu não vou permitir. Eu não tenho mais medo de você, Ricardo. Eu sou forte agora. E o meu amor por Miguel é mais forte do que qualquer ódio que você possa ter.”

Ricardo riu, um som áspero e sem alegria. “Você acha que me assusta? Eu sou capaz de tudo, Isabella. Lembra disso.” Ele a olhou intensamente, um último aviso em seus olhos. “Eu vou voltar. E você vai me ouvir.”

Ele se virou e entrou em seu carro, sumindo na estrada empoeirada. Isabella ficou ali, tremendo, o eco das palavras de Ricardo ressoando em sua mente. Ela sabia que aquilo não tinha acabado. A tempestade que se formava não era apenas uma ameaça, era uma realidade. E ela sabia que, para proteger Miguel, ela teria que enfrentar Ricardo com toda a força de seu amor.

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