Amor nas Alturas III

Capítulo 8 — A Sombra Paira Sobre a Fazenda

por Camila Costa

Capítulo 8 — A Sombra Paira Sobre a Fazenda

O retorno de Isabella à fazenda foi silencioso, o coração martelando no peito como um tambor de guerra. A conversa com Ricardo a deixou abalada, mas também com uma determinação renovada. Ela não podia mais se esconder. Precisava ser transparente com Miguel, por mais doloroso que fosse. Ele merecia a verdade, e a confiança deles era o pilar que sustentava seu amor.

Quando Miguel a viu chegar, seus olhos varreram o rosto dela, procurando por sinais de tranquilidade, mas encontraram apenas a tensão e a fragilidade.

“Isabella? Onde você estava?”, ele perguntou, a preocupação evidente em sua voz. Ele estava na varanda, observando a paisagem, mas sua atenção se voltou inteiramente para ela.

Ela hesitou, o peso da confissão a esmagando. Mas então, ela se lembrou da promessa que fez a si mesma e a ele. “Eu… eu fui conversar com o Ricardo.”

O corpo de Miguel enrijeceu. Seus olhos se fixaram nos dela, uma mistura de dor, raiva e desapontamento. “O quê? Você foi lá? Por quê?”

As lágrimas finalmente vieram, escorrendo pelo rosto de Isabella. “Eu sei que você não vai gostar, Miguel. E eu sinto muito. Mas ele me mandou uma mensagem, disse que era urgente, que precisava falar comigo. Eu fui lá para dizer a ele, cara a cara, que acabou. Que eu não tenho mais medo dele e que eu amo você.”

Miguel caminhou lentamente até ela, a expressão indecifrável. Isabella temia o pior. Ele era um homem de princípios, e a ideia de que ela havia ido ao encontro de um homem que a assediava, mesmo que para confrontá-lo, parecia ir contra tudo o que ele prezava.

“Ele te ameaçou, Isabella?”, Miguel perguntou, a voz baixa, mas carregada de uma intensidade perigosa.

“Sim. Ele… ele ameaçou você, Miguel. Disse que podia fazer a sua vida um inferno.” As palavras saíram em um sopro, o medo voltando com força total.

Miguel fechou os olhos por um instante, absorvendo a informação. Ele sentiu uma onda de raiva percorrer suas veias, uma raiva protetora por Isabella e uma fúria contra Ricardo. Mas ele sabia que não podia deixar essa raiva o cegar.

“Ele é um covarde”, Miguel disse, abrindo os olhos e olhando diretamente para Isabella. “Ele sabe que não pode te ter, então agora ele tenta te manipular através de mim. Mas ele está enganado.” Ele a puxou para perto, o abraço firme e reconfortante. “Eu não tenho medo dele, Isabella. E você também não deveria ter. Juntos, nós somos mais fortes.”

Isabella se agarrou a ele, sentindo o calor e a força do seu corpo. “Eu não quero que nada aconteça com você, Miguel.”

“Nada vai acontecer. E se ele ousar se aproximar de nós, ele vai se arrepender. Mas, por enquanto, o que mais me preocupa é você. Você está bem?”

Ela balançou a cabeça, incapaz de falar.

“Eu sei que isso te assustou”, Miguel continuou, acariciando seus cabelos. “Mas agora que você me contou tudo, podemos lidar com isso. Juntos.” Ele a afastou suavemente para olhá-la nos olhos. “Ricardo é um capítulo fechado na sua vida. E ele vai permanecer assim.”

Nos dias que se seguiram, uma atmosfera de apreensão pairou sobre a fazenda. Isabella tentava retomar a rotina, mas a sombra de Ricardo parecia se estender por todos os cantos. Ela se pegava olhando para a estrada, para os movimentos suspeitos, para qualquer coisa que pudesse indicar a presença dele. Miguel, percebendo sua inquietação, redobrou os cuidados. Ele a acompanhava em seus passeios, mantinha as portas e janelas trancadas e se certificava de que ela nunca estivesse sozinha.

“Você não precisa ficar tão tensa, meu amor”, Miguel disse uma tarde, enquanto eles colhiam flores no jardim. “Eu estou aqui.”

“Eu sei, e sou grata por isso. Mas o jeito que ele falou… a forma como ele olhava para mim… me deixou com um pressentimento ruim.”

“Ele está tentando te assustar. É a única arma que ele tem agora”, Miguel respondeu, beijando a testa dela. “Mas não vamos deixar que ele vença. Vamos continuar vivendo nossas vidas, com a cabeça erguida.”

No entanto, a paz que eles tentavam manter foi perturbada por um incidente inesperado. Uma noite, enquanto Miguel estava na cidade resolvendo algumas questões urgentes, Isabella ouviu um barulho estranho do lado de fora. Um som metálico, como se algo estivesse sendo arranhado. Seu coração disparou. Ela pegou o celular e ligou para Miguel, a voz trêmula.

“Miguel! Tem alguém lá fora! Eu ouvi um barulho!”

“Calma, Isabella. Onde você está?”, ele perguntou, a voz imediatamente tensa.

“Na sala. Eu não ouso me mexer.”

“Fique onde você está. Não abra a porta para ninguém. Eu estou a caminho. Rápido como posso.”

O tempo parecia se arrastar. Isabella se encolheu no sofá, o corpo tremendo. Ela podia ouvir os passos do lado de fora, um arrastar lento e deliberado. Parecia que Ricardo estava testando os limites, tentando intimidá-la. Ela fechou os olhos, rezando para que Miguel chegasse logo.

Quando Miguel finalmente irrompeu pela porta, o carro parou bruscamente na entrada, os faróis iluminando a escuridão. Ele correu para dentro, o olhar varrendo cada canto da casa, procurando por ela.

“Isabella!”, ele gritou, aliviado ao encontrá-la encolhida no sofá. Ele a abraçou com força, sentindo a fragilidade dela. “Você está bem?”

“Sim”, ela sussurrou, ainda tremendo. “Eu ouvi barulhos lá fora. Um arranhão na porta dos fundos.”

Miguel se afastou dela, o olhar determinado. Ele pegou uma lanterna e saiu para investigar, Isabella o seguindo de perto, agarrada ao seu braço. Na porta dos fundos, eles encontraram as marcas de arranhões profundos, como se alguém tivesse tentado forçar a fechadura com uma ferramenta.

“Ele tentou entrar”, Isabella disse, o pânico tomando conta dela.

Miguel examinou as marcas com atenção. “Ele é persistente. Mas não vai conseguir.” Ele a puxou para um abraço. “Não se preocupe. Ele não vai conseguir nos separar.”

Apesar das palavras reconfortantes de Miguel, Isabella sentiu que a ameaça de Ricardo era mais real do que nunca. A sombra dele agora pairava sobre a fazenda, sobre a vida deles, e ela sabia que a luta para proteger o amor que compartilhavam estava apenas começando. A paz que eles tanto buscavam parecia cada vez mais distante, engolida pela escuridão do passado que se recusava a ser esquecido.

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