Amor Clandestino III

Amor Clandestino III

por Ana Clara Ferreira

Amor Clandestino III

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 16 — A Sombra do Passado e o Dilema de Ísis

O silêncio na mansão dos Albuquerque pesava mais que o mármore frio que revestia o hall de entrada. Ísis, ainda pálida e trêmula, sentia o eco das palavras de Eduardo ressoando em sua mente como um trovão distante. A revelação sobre a verdadeira natureza da relação de seu pai com a família Vasconcelos a atingira como um golpe baixo, desestabilizando a imagem que construíra ao longo de tantos anos. O projeto que deveria ser o ápice da sua carreira, a concretização de um sonho acalentado em segredo, agora se tornava um campo minado de mágoas e segredos familiares.

Ela se sentou na poltrona de veludo desgastado, sentindo o peso das décadas pairando no ar. As fotografias em preto e branco nas paredes pareciam observá-la, rostos sérios e imponentes que guardavam tantas histórias quanto a própria casa. Sua mãe, dona Clarice, uma mulher de beleza etérea e sorriso melancólico, parecia acusá-la com o olhar. Ou seria apenas o reflexo da sua própria culpa? A culpa de ter se deixado levar pela paixão por um Vasconcelos, a família que, segundo as palavras de Eduardo, seu pai tanto desprezara, mas com quem, ironicamente, construíra laços tão profundos e secretos.

"Não é possível...", murmurou Ísis, apertando a têmpora com os dedos. "Pai, por que me fez isso? Por que esconder a verdade?"

A verdade. Uma palavra tão simples, mas que, nas mãos da família Albuquerque, se tornava uma arma afiada. Ela se lembrava das reuniões familiares, das conversas veladas sobre a "rivalidade histórica" com os Vasconcelos. Seu pai, o grande dr. Antônio Albuquerque, sempre tão resoluto, tão determinado a honrar o nome da família, escondendo, no fundo do baú de sua alma, um pacto com o inimigo. Um pacto que se traduzia naquele projeto agora em risco.

Lembrou-se da primeira vez que viu Rafael Vasconcelos. Um encontro casual, uma faísca que acendeu um fogo que ela tentara desesperadamente apagar. Ele, com seus olhos intensos e um sorriso que a desarmava, e ela, a herdeira dos Albuquerque, com a guarda alta, protegendo seu coração de qualquer envolvimento com o "outro lado". Mas o destino, com sua crueldade peculiar, forjara um caminho inevitável. O projeto se tornou o catalisador, o terreno onde a admiração mútua floresceu, onde a atração se transformou em algo mais profundo, mais perigoso.

Agora, Eduardo, com sua arrogância habitual, jogara essa bomba em seu colo. O projeto de recuperação de áreas degradadas, o sonho de seu pai, dependia de uma colaboração que ele, aparentemente, orquestrara nas sombras, mantendo-a, sua própria filha, alheia a tudo. E Rafael... Rafael estava no centro de tudo isso. O homem que ela amava, o homem que a fez questionar tudo o que acreditava, era o elo com o passado obscuro de sua família.

A porta se abriu suavemente, revelando a figura imponente de dr. Almeida, o advogado da família, um homem de semblante sério e cabelos grisalhos que pareciam refletir a sabedoria de anos de confidências.

"Ísis, minha querida", disse ele, a voz grave ecoando na quietude. "Como se sente? Eduardo me informou sobre a... conversa."

Ísis apenas meneou a cabeça, incapaz de formar palavras. Dr. Almeida se aproximou, sentando-se na beirada da poltrona, seu olhar transmitindo uma compaixão genuína.

"Sei que é difícil, Ísis. Seu pai era um homem complexo. Um visionário, mas também um homem de segredos. Ele acreditava que estava protegendo a todos."

"Protegendo? Ou manipulando?", a voz de Ísis saiu embargada. "Ele sabia que eu me aproximaria de Rafael. Ele sabia do projeto. E me deixou acreditar que era tudo meu."

"Ele acreditava que, ao te dar autonomia, você seria mais forte. Que provaria o seu valor. E, em parte, ele estava certo. Você é uma profissional brilhante, Ísis. Mas ele subestimou o poder do coração."

"E agora? O que eu faço? Se eu seguir com o projeto, estarei traindo a memória do meu pai, pisando em suas 'instruções' implícitas. Se eu desistir, estarei desonrando seu legado, seu sonho. E o pior... estarei desconsiderando o que sinto por Rafael, o que ele representa."

Dr. Almeida suspirou, ajeitando os óculos. "Seu pai te amava, Ísis. Mais do que qualquer projeto ou qualquer rixa familiar. Ele queria que você fosse feliz. E, se o amor que sente por Rafael é verdadeiro, ele certamente entenderia. Talvez, em vez de uma traição, isso possa ser uma reconciliação. Uma forma de honrar o legado dele, mas de uma maneira nova, onde as feridas antigas possam começar a cicatrizar."

"Mas Eduardo..."

"Eduardo tem seus próprios interesses, Ísis. Sempre teve. Não deixe que ele dite o seu caminho. O projeto é seu. A decisão é sua. Pense no que seu pai realmente desejaria para você. E, acima de tudo, ouça o seu coração."

As palavras de dr. Almeida plantaram uma semente de esperança no coração de Ísis. Talvez houvesse uma saída, um caminho que honrasse o passado sem sacrificar o futuro. Um caminho que incluísse Rafael. A decisão não seria fácil, mas ela estava determinada a encontrá-la. A sombra do passado pairava, mas o brilho do amor e a força do legado poderiam, quem sabe, dissipá-la.

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