Amor Clandestino III

Capítulo 18 — O Confronto Necessário e a Decisão de Ísis

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 18 — O Confronto Necessário e a Decisão de Ísis

O sol da manhã banhava a mansão Albuquerque com uma luz dourada, mas para Ísis, o dia amanhecera nublado. A noite fora longa, povoada por pesadelos e reflexões. As palavras de dr. Almeida e a revelação de Eduardo giravam em sua mente como um redemoinho, deixando-a exausta e confusa. Ela sabia que precisava agir, mas o peso da responsabilidade e a dor da traição a paralisavam.

Sentada à mesa da cozinha, um café amargo em mãos, ela observava a movimentação dos funcionários, suas vidas seguindo o curso normal, alheias ao turbilhão que a consumia. A vida, tão resiliente, tão insistente em continuar, contrastava dolorosamente com a fragilidade que sentia em seu interior.

O som de passos apressados ecoou pelo corredor, anunciando a chegada de Rafael. Ele parecia diferente, mais determinado, mas também com uma sombra nos olhos que ela não soube decifrar.

"Ísis", disse ele, aproximando-se e sentando-se à sua frente. Sua voz era calma, mas havia uma urgência contida.

"Rafael", respondeu Ísis, evitando o contato visual. "Precisamos conversar."

"Eu sei. E eu também preciso. Ísis, ontem à noite... eu tive uma conversa com uma pessoa que pode nos ajudar."

Os olhos de Ísis se ergueram, encontrando os dele. "Ajudar como? Ajudar a quem? A ajudar a me enganar ainda mais?"

Rafael suspirou, a frustração evidente em sua voz. "Não é isso, Ísis. Eu sei que você está chateada, e com razão. Mas precisamos pensar no projeto. Precisamos pensar no seu pai. Eduardo não vai desistir. Ele vai tentar te tirar do controle, vai tentar arruinar tudo."

"E quem é essa pessoa?", perguntou Ísis, com um fio de voz.

"Marcus Vilela."

O nome causou um arrepio em Ísis. Marcus Vilela. Um nome associado a negócios arriscados, a aquisições agressivas, a um poder que pairava nas sombras do mundo corporativo. Ela o conhecia de nome, de notícias, de boatos. Era o tipo de homem que seu pai sempre desconfiara, o tipo de homem que representava tudo o que ela, em sua ingenuidade, tentava evitar.

"Marcus Vilela?", repetiu Ísis, incrédula. "Rafael, você enlouqueceu? Ele é um abutre. Ele vai nos engolir vivos!"

"Ele é arriscado, eu sei. Mas ele também é poderoso. E ele viu o potencial do nosso projeto. Ele está disposto a investir, a nos ajudar a lidar com Eduardo, desde que tenhamos controle sobre a execução."

"Controle?", Ísis riu, um riso amargo e sem alegria. "Rafael, você não entende. O projeto era meu, era do meu pai. E agora... agora parece que está sendo disputado por todos. Eu não sei mais o que é meu, o que é dele, o que é dessa família maldita!" As lágrimas começaram a rolar por seu rosto, incontroláveis.

Rafael estendeu a mão, mas hesitou antes de tocá-la. "Ísis, eu sei que é difícil. Mas eu te amo. E eu quero proteger você, proteger o seu legado. Marcus Vilela pode ser a nossa única chance de impedir Eduardo de destruir tudo."

"Proteger? Ou tirar proveito?", retrucou Ísis, a voz embargada. "Você acha que ele faria isso por nós? Por mim? Ou porque vê uma oportunidade de negócio?"

"Ele vê uma oportunidade de negócio, sim. Mas ele também sabe que, com a minha ajuda e a sua visão, o projeto será um sucesso. E ele sabe que Eduardo é um problema que ele não quer ter por perto."

Ísis se levantou abruptamente, incapaz de suportar mais a conversa. Ela caminhou até a janela, olhando para o jardim impecável, onde as flores desabrochavam, indiferentes à sua dor. "Eu não sei o que fazer, Rafael. Eu me sinto perdida. Meu pai me escondeu a verdade, Eduardo está tentando me manipular, e agora você me aparece com Marcus Vilela. Como posso confiar em alguém quando tudo que eu achava que era verdade se desfez?"

"Confie em mim, Ísis", disse Rafael, aproximando-se por trás dela. Ele colocou as mãos em seus ombros, sentindo a tensão em seu corpo. "Eu não vou deixar que ninguém te machuque. E eu não vou deixar que o projeto do seu pai se perca. Marcus Vilela é a nossa arma. Uma arma que precisamos usar com inteligência."

Ísis se virou, seus olhos marejados encontrando os dele. "Mas e se isso significar desistir de tudo que eu sonhei? E se significar me vender para um homem como Vilela? E se significar... o fim de nós dois?"

O medo na voz de Ísis atingiu Rafael em cheio. Ele a puxou para perto, envolvendo-a em seus braços. "Nunca. Nada disso será o fim de nós. Se Marcus Vilela nos ajudar, será porque viu em nós parceiros, não peões. E se tivermos que ceder algo, será para ganhar a guerra. A guerra contra Eduardo, a guerra pela memória do seu pai, a guerra pelo nosso futuro."

Ele a segurou com firmeza, sentindo o corpo dela relaxar em seus braços. "Ísis, olhe para mim." Ela ergueu o rosto, a esperança lutando contra o desespero em seus olhos. "Eu te amo. E vou lutar por você. Por nós. Se você confiar em mim, encontraremos um caminho. Um caminho que honre o seu pai, que te proteja e que nos permita ficar juntos."

Ísis fechou os olhos por um instante, respirando fundo. As palavras de Rafael, a sinceridade em seu olhar, começaram a dissipar as nuvens de incerteza. Ela sabia que ele estava certo. Eduardo era uma ameaça real. E Marcus Vilela, por mais perigoso que fosse, poderia ser a única saída. A decisão não era fácil, mas ela a tomou.

Ela afastou-se ligeiramente de Rafael, mas manteve as mãos em seu peito. "Eu confio em você, Rafael. Eu confio em você." Um sorriso trêmulo surgiu em seus lábios. "Vamos falar com Marcus Vilela. Mas você vai estar ao meu lado. E vamos deixar bem claro que este projeto é meu. E que eu não vou ser manipulada."

Rafael sorriu, aliviado e determinado. "Eu estarei ao seu lado, Ísis. Sempre. E juntos, vamos mostrar a Eduardo e a todos os outros que o legado de Antônio Albuquerque está em boas mãos. E que o amor, mesmo que clandestino, tem a força de mover montanhas."

A decisão estava tomada. O confronto com Eduardo era inevitável, mas agora, Ísis se sentia mais forte. Com Rafael ao seu lado e a audaciosa proposta de Marcus Vilela como trunfo, ela estava pronta para lutar pelo seu legado, pelo seu amor e pelo seu futuro.

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