Amor Clandestino III
Capítulo 19 — A Confrontação com Eduardo e o Jogo de Pedras
por Ana Clara Ferreira
Capítulo 19 — A Confrontação com Eduardo e o Jogo de Pedras
A sala de reuniões da sede da Albuquerque Corp. parecia mais fria e sombria do que o normal. As paredes, antes imponentes, agora pareciam carregar o peso de segredos e disputas. Ísis, acompanhada por Rafael, sentou-se à cabeceira da longa mesa de mogno, seu olhar firme e determinado. Do outro lado, Eduardo a encarava com um misto de surpresa e irritação. Ele não esperava que ela viesse, muito menos que trouxesse Rafael consigo.
"Ísis", disse Eduardo, a voz carregada de sarcasmo. "Que surpresa agradável. Pensei que estivesse se escondendo do mundo."
"Eu não me escondo, Eduardo. Eu apenas escolho minhas batalhas. E esta, meu caro primo, é uma batalha que eu não pretendo perder." Ísis fez um gesto para Rafael, que discretamente colocou um tablet sobre a mesa. "E para garantir que eu não perca, trouxe um novo parceiro para este projeto."
Eduardo arqueou uma sobrancelha, um sorriso cínico desenhado em seus lábios. "Um novo parceiro? E quem seria? O governo? Alguma ONG idealista? Ou você finalmente cedeu aos encantos de um Vasconcelos?" A última frase foi dita com um veneno cortante, mirando Rafael.
Rafael manteve a calma, seu olhar fixo em Ísis. Ela era quem liderava. "Este é Rafael Vasconcelos, um dos principais responsáveis pela concepção e execução técnica do projeto", disse Ísis, ignorando a provocação de Eduardo. "E este", ela apontou para o tablet, onde o logo discreto, mas elegante, de Vilela Holdings aparecia, "é o nosso novo parceiro financeiro e estratégico."
O ceticismo de Eduardo se transformou em choque ao reconhecer o nome. "Marcus Vilela? Você está louca, Ísis? Ele é um parasita. Um oportunista. Ele vai devorar o projeto e tudo o que vier com ele!"
"Eduardo, você tem tentado controlar este projeto desde o início", disse Ísis, sua voz firme. "Você viu a oportunidade de usá-lo para seus próprios fins, para se reerguer após seus recentes fracassos. Mas este projeto é o legado do meu pai. E não vou permitir que você o transforme em um trampolim para sua ambição."
"Ambição? Eu estou lutando pelo que é nosso, Ísis! Pelo nome Albuquerque! O seu pai, se estivesse vivo, concordaria comigo. Ele detestava os Vasconcelos mais do que tudo!"
"Meu pai era um homem de visão, Eduardo. E ele sabia que a rivalidade cega destrói mais do que constrói. Ele queria que este projeto fosse um sucesso. E se para isso for preciso colaborar com quem ele considerava um rival, ele o faria. Diferente de você, que só pensa em si mesmo."
Ísis olhou para Rafael, que assentiu em concordância. "Marcus Vilela viu o potencial aqui. Ele está disposto a investir o capital necessário e a nos dar o suporte técnico para que o projeto seja um sucesso. Em troca, ele terá uma participação nos lucros e, claro, a satisfação de ver um projeto tão promissor ser realizado. Algo que você, com sua mentalidade mesquinha, jamais seria capaz de fazer."
Eduardo se levantou bruscamente, batendo as mãos na mesa. "Isso é um absurdo! Eu não vou permitir! Eu sou o herdeiro deste império! O projeto é meu por direito!"
"O projeto é do meu pai", corrigiu Ísis com firmeza. "E ele me deixou a responsabilidade de levá-lo adiante. E eu o farei, com ou sem a sua aprovação." Ela fez uma pausa, olhando diretamente nos olhos de Eduardo. "Marcus Vilela nos dará o respaldo que precisamos para contornar qualquer obstáculo que você tentar criar. E se você tentar sabotar o projeto de alguma forma, saiba que ele é implacável em proteger seus investimentos. E eu não hesitarei em denunciá-lo à justiça."
A ameaça pairou no ar, palpável. Eduardo olhou de Ísis para Rafael, depois para o logo de Vilela Holdings no tablet. Ele sabia que Ísis estava falando sério. Marcus Vilela não era alguém para se brincar. Ele era um jogador experiente, e Ísis, com sua nova aliança, havia acabado de fazer uma jogada de mestre.
"Você não sabe o que está fazendo, Ísis", rosnou Eduardo, a raiva contida em sua voz. "Você está se aliando a um inimigo. Você está desonrando a memória do nosso pai."
"Eu estou honrando a memória do meu pai ao fazer o projeto dele prosperar, Eduardo. Algo que você, em sua cegueira egoísta, jamais conseguiria." Ísis se levantou, estendendo a mão para Rafael. "Nós temos um compromisso com Marcus Vilela. E este projeto tem um futuro. Um futuro que não inclui você, a menos que você esteja disposto a colaborar de forma honesta."
Ela se virou para sair, mas parou na porta. "Ah, e Eduardo", ela disse, sem se virar. "Sabe, meu pai me contou uma vez que os Vasconcelos sempre foram seus maiores rivais, mas que, no fundo, ele os respeitava. Talvez você devesse aprender a fazer o mesmo. Às vezes, os inimigos de hoje são os aliados de amanhã."
Ísis e Rafael deixaram a sala de reuniões, deixando Eduardo sozinho, fervendo de raiva e frustração. A confrontação havia sido tensa, mas Ísis sentia um alívio imenso. Ela havia enfrentado Eduardo, havia defendido seu projeto e seu legado. E, com a ajuda de Rafael e a audaciosa aliança com Marcus Vilela, ela havia virado o jogo a seu favor.
Enquanto caminhavam pelo corredor, Ísis olhou para Rafael, um sorriso genuíno iluminando seu rosto. "Obrigada, Rafael. Eu não teria conseguido sem você."
Rafael segurou a mão dela, apertando-a com carinho. "Nós conseguimos, Ísis. Juntos. E agora, o jogo fica ainda mais interessante." Ele sorriu, um brilho de desafio em seus olhos. "Eduardo ainda tem algumas cartas na manga, mas nós temos a vantagem. E, com Marcus Vilela ao nosso lado, ele terá que pensar duas vezes antes de tentar qualquer coisa."
Ísis assentiu, sentindo uma nova onda de força e esperança. O caminho à frente ainda seria árduo, mas ela sabia que não estava mais sozinha. O amor clandestino deles havia se tornado uma força motriz, um pilar que a sustentava em meio à tempestade. E, juntos, eles estavam prontos para enfrentar qualquer coisa que Eduardo ou o destino lhes reservassem.