O CEO e a Secretária III

O CEO e a Secretária III

por Isabela Santos

O CEO e a Secretária III

Por Isabela Santos

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Capítulo 21 — A Noite em Que o Rio Transbordou

A chuva, antes uma melodia suave contra os vidros da cobertura, agora açoitava a cidade com fúria. Relâmpagos rasgavam o céu negro, iluminando por um instante a angústia que se instalara no peito de Helena. As palavras de Arthur, proferidas naquela tarde sob a pressão de um segredo familiar que os cercava como uma névoa espessa, ecoavam em sua mente, cada sílaba um chicote. Ele havia confessado tudo: a pressão para casar, o acordo com a família de Mariana, a chantagem velada que o prendia em um labirinto sem saída. E o pior de tudo, ele havia revelado que, mesmo com toda a dor, o amor que sentia por Helena era real, um furacão que ameaçava destruir todas as barreiras que ele mesmo havia erguido.

Helena se levantou da poltrona de couro, os olhos marejados fitando a vastidão escura da cidade lá embaixo. Cada gota de chuva que escorria pela janela parecia um espelho de suas lágrimas contidas. Ela caminhou até a varanda, o vento gelado chicoteando seus cabelos e a roupa leve que usava. O ar estava carregado de eletricidade, um prenúncio da tempestade que se formava dentro dela.

“Como ele pôde?”, sussurrou para si mesma, a voz embargada. A confiança que depositara em Arthur, a crença em um futuro ao lado dele, tudo parecia ruir como um castelo de areia diante da maré alta. A revelação de que o noivado com Mariana era um mero teatro para salvar a imagem da família dele, e que ele estava sendo forçado a tomar aquela decisão drástica, era um fardo pesado demais. Mas as palavras de amor dele… Ah, essas eram o verdadeiro veneno. Como ele podia dizer que a amava, enquanto planejava se casar com outra? Era essa a crueldade que a dilacerava por dentro.

O celular vibrou em sua mão. Era Arthur. Uma mensagem curta, mas que fez seu coração disparar: “Preciso falar com você. Agora.”

Helena hesitou. Cada fibra do seu ser gritava para que ela se escondesse, para que se trancasse em um casulo de mágoa e desilusão. Mas a curiosidade, a necessidade de entender o abismo em que haviam caído, a puxou para a realidade. Ela não podia fugir. Não podia fingir que nada daquilo havia acontecido.

Vestiu um casaco e desceu para o estacionamento, o barulho dos trovões abafando o som de seus passos. A garagem estava deserta, apenas o brilho fraco das luzes de emergência iluminando os carros. O silêncio era quebrado apenas pelo gotejar constante da água que entrava pelas frestas.

Ao chegar ao seu carro, encontrou Arthur encostado na porta, o terno impecável molhado pela chuva que insistia em invadir o local. O rosto dele estava marcado pela preocupação, os olhos azuis, normalmente tão expressivos, pareciam perdidos em uma tempestade particular.

Ele ergueu a cabeça ao vê-la, um suspiro de alívio escapando de seus lábios. “Helena. Graças a Deus você veio.”

Ela parou a uma distância respeitosa, o frio do ambiente parecendo emanar dele. “O que você quer, Arthur?” A voz dela era baixa, mas firme, um reflexo da armadura que ela tentava construir ao redor de seu coração.

Ele deu um passo à frente, a chuva pingando de seus cabelos escuros. “Eu sei que você está furiosa. E você tem todo o direito de estar. Eu fui um idiota, um covarde.” Ele tentou se aproximar mais, mas Helena recuou.

“Covarde? Você me diz que me ama, que nunca vai me deixar, e aí me conta que vai se casar com outra mulher? O que você chama de amor, Arthur? Uma piada cruel?” As palavras saíram em um jorro, carregadas de dor e ressentimento.

Arthur fechou os olhos por um instante, como se as palavras dela fossem facadas. “Não é assim, Helena. Eu nunca… Eu nunca quis te magoar. A situação é mais complicada do que parece.”

“Complicada? O que pode ser mais complicado do que um homem que declara seu amor a uma mulher e, no dia seguinte, anuncia seu casamento com outra? Explique-me, Arthur. Porque eu não consigo ver a complexidade, apenas a traição.” Ela sentiu uma lágrima solitária escorrer pelo rosto, e a limpou com um gesto brusco.

Ele abriu os olhos, a intensidade do olhar dele a atingiu como um raio. “Eu fui forçado a isso, Helena. A família da Mariana… eles têm algo contra mim. Algo que pode destruir a empresa, e a mim junto. O casamento é a única forma de apaziguá-los. É um acordo.”

“Um acordo? E o seu amor por mim? É um acordo também? É parte da negociação? Você me vendeu, Arthur! E agora você vem aqui me pedir compreensão? Eu não consigo. Eu não sei se algum dia vou conseguir.” A voz dela falhou no final, e ela virou o rosto, incapaz de suportar o olhar dele.

“Eu não te vendi, Helena. Eu estou tentando te proteger. Se eles descobrirem sobre nós, eles usam isso contra mim. Eles te machucariam. A mim machucaria mais do que a mim.” Ele estendeu a mão, hesitante, como se temesse tocá-la. “Eu sei que não faz sentido agora, mas eu preciso que você confie em mim. Eu vou encontrar uma saída. Eu vou resolver isso. E eu vou voltar para você.”

Helena riu, um som amargo e sem alegria. “Voltar para mim? E a Mariana? Você vai simplesmente jogar ela fora quando não precisar mais dela? E o acordo? Ele se desfaz como poeira? Você acha que eu sou alguma idiota que vai esperar eternamente por um homem que está prestes a se casar?”

“Eu não vou me casar com ela, Helena. Não de verdade. É uma farsa. Um palco. Tudo o que eu quero é você.” A voz dele era um murmúrio rouco, carregado de uma paixão desesperada.

Ela finalmente o encarou, os olhos azuis fixos nos dela. “Arthur, você está me pedindo para acreditar em um conto de fadas em meio a um furacão. Você está me pedindo para ignorar a realidade, a dor que você me causou, a promessa quebrada.”

“Eu sei que é pedir muito. Mas eu estou em desespero. Eu não tenho mais ninguém. Só você.” Ele deu um passo mais perto, ignorando a chuva que o encharcava. “Eu te amo, Helena. E eu não vou deixar nada, nem ninguém, nos separar.”

Naquele momento, sob o céu tempestuoso, entre a chuva e os relâmpagos, Helena sentiu o chão tremer sob seus pés. A raiva ainda estava lá, a mágoa pulsando, mas algo mais começou a aflorar: a compaixão pelo homem que, apesar de seus erros, parecia genuinamente atormentado. E, acima de tudo, a força avassaladora do amor que ela sentia por ele, um amor que a tempestade lá fora parecia invocar e amplificar.

Ela olhou para ele, para a vulnerabilidade em seus olhos, para a sinceridade em sua voz embargada. O rio de mágoa em seu peito parecia começar a transbordar, dando lugar a uma correnteza de emoções conflitantes.

“Eu não sei o que pensar, Arthur”, disse ela, a voz embargada. “Eu estou… perdida.”

Ele estendeu a mão novamente, e desta vez, Helena não recuou. Ele segurou o rosto dela entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas molhadas. “Eu sei. E eu sinto muito. Mas me dê uma chance. Uma chance para provar que eu não sou o monstro que você pensa que eu sou. Uma chance para eu te mostrar que o nosso amor é mais forte do que qualquer tempestade.”

A chuva caía forte, mas o calor de suas mãos em seu rosto a envolvia como um abraço. Os olhos dele transmitiam uma promessa silenciosa, uma esperança desesperada. Helena fechou os olhos por um instante, absorvendo o momento, a intensidade daquele encontro. O medo ainda estava lá, a incerteza pairando no ar, mas o amor… ah, o amor era um fogo que queimava mais forte do que a fúria da natureza.

Ela abriu os olhos, encarando-o. “Eu não sei, Arthur. Eu não sei se consigo.”

Ele sorriu tristemente, mas seus olhos brilhavam com uma determinação renovada. “Eu sei que é difícil. Mas eu estou aqui. E eu não vou a lugar nenhum. Eu vou esperar. Eu vou lutar. Por nós.”

Naquele momento, em meio à tempestade que rugia lá fora, um novo tipo de tempestade começou a se formar entre eles, uma tempestade de sentimentos, de incertezas, mas também de uma esperança frágil, mas persistente. O rio de mágoa havia transbordado, e agora, um novo curso estava sendo traçado, um curso incerto, mas que ambos, relutantemente, pareciam dispostos a seguir. A noite em que o rio transbordou era apenas o começo de uma nova e perigosa correnteza.

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