Amor na Tempestade II

Amor na Tempestade II

por Ana Clara Ferreira

Amor na Tempestade II

Autor: Ana Clara Ferreira

Capítulo 16 — O Refúgio na Saudade

A brisa salgada de Paraty beijava o rosto de Helena, um bálsamo agridoce que trazia consigo o perfume inebriante das acácias e a pungente lembrança de dias que pareciam pertencer a outra vida. Sentada na varanda rústica da pequena pousada que escolhera para se esconder do mundo, ela acariciava a manta de crochê que sua avó tecera anos atrás, um pedaço de afeto tangível em meio ao turbilhão de sentimentos que a assolava. Os olhos azuis, antes vibrantes de esperança e amor, agora espelhavam a melancolia de quem carrega um fardo pesado demais.

O adeus a Rafael ecoava em sua mente como um trovão distante, um prenúncio sombrio da solidão que se instalara. A traição de Sofia, a revelação da paternidade de Miguel, tudo se desdobrava como um roteiro cruel, desfiando os laços que ela acreditava serem inabaláveis. Cada palavra trocada naquela noite, cada lágrima derramada, era uma marca indelével em sua alma. A imagem de Rafael, com os olhos marejados e a voz embargada, implorando por uma chance, assombrava seus sonhos e a mantinha acordada nas longas madrugadas.

Ela fechou os olhos, buscando um respiro. Paraty, com suas ruas de pedra, suas igrejas históricas e o mar sereno, era seu refúgio. Um lugar onde a agitação da vida urbana se esvaía, dando espaço à introspecção, à cura. A pousada, simples e charmosa, com suas flores coloridas adornando os vasos e o canto dos pássaros como trilha sonora, era um convite à serenidade. Mas, por mais que tentasse, a serenidade parecia inatingível.

"Senhorita Helena?"

A voz suave da dona da pousada, Dona Clara, a trouxe de volta à realidade. A mulher, com seus cabelos prateados presos em um coque e um sorriso acolhedor nos lábios, trazia uma bandeja com um café fumegante e um pequeno prato de biscoitos caseiros.

"Obrigada, Dona Clara", Helena murmurou, tentando esboçar um sorriso que não alcançou seus olhos.

"A senhora parece um pouco... distante", Dona Clara observou, colocando a bandeja na mesinha ao lado. "Algo aflige seu coração?"

Helena hesitou. Havia algo em Dona Clara, uma aura de sabedoria tranquila, que a fazia sentir-se segura para compartilhar um pouco de sua dor.

"É... uma decepção", Helena confessou, a voz embargada. "Um amor que parecia eterno, mas que se revelou... diferente do que eu imaginava."

Dona Clara assentiu lentamente, os olhos compridos e gentis fixos nos de Helena. "O amor é assim, minha filha. Às vezes, ele nos mostra facetas que nos assustam, que nos machucam. Mas também é ele que nos ensina a crescer, a nos conhecermos melhor."

Ela pegou uma xícara e serviu o café. "Este lugar, aqui em Paraty, foi o refúgio de muitos corações partidos. As pessoas vêm em busca de paz, de recomeço. E, muitas vezes, encontram mais do que esperavam. Encontram a força para seguir em frente."

Helena bebeu um gole do café quente, sentindo o calor reconfortante percorrer seu corpo. As palavras de Dona Clara eram como um bálsamo para sua alma ferida. Ela sabia que precisava se recompor, encontrar sua própria força. A vingança que Sofia planejava, o jogo de aparências que se desenrolava nas sombras, tudo isso era responsabilidade dela agora. Ela não podia se dar ao luxo de sucumbir à tristeza.

"Eu preciso ser forte", Helena disse, mais para si mesma do que para Dona Clara. "Preciso descobrir a verdade por trás de tudo isso."

Dona Clara sorriu, um brilho de compreensão em seus olhos. "A verdade, minha filha, é um caminho tortuoso. Mas quando a encontramos, ela nos liberta. E a força para encontrá-la, muitas vezes, reside na saudade. Na saudade do que foi bom, na saudade de quem você é, antes das tempestades."

Helena suspirou, sentindo um fio de esperança brotar em seu peito. A saudade, ela percebeu, não era apenas de Rafael, mas de si mesma, da mulher confiante e feliz que ela fora. E por essa Helena, ela lutaria. Ela se levantaria, sacudiria a poeira e enfrentaria a tempestade que ainda se anunciava.

Enquanto o sol da tarde começava a tingir o céu de tons alaranjados, Helena sentiu uma nova determinação crescer dentro de si. Ela não se renderia à dor. Ela usaria essa dor como combustível para desvendar os segredos que cercavam sua vida e a vida de Rafael. O refúgio em Paraty não seria apenas um lugar para lamentar, mas um ponto de partida para a sua própria revolução. A tempestade havia chegado, mas Helena não se deixaria afogar. Ela aprenderia a nadar.

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