Amor na Tempestade II

Capítulo 9 — A Armadilha do Passado e a Proximidade Perigosa

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 9 — A Armadilha do Passado e a Proximidade Perigosa

A notícia do confronto entre Marcus, Helena e Miguel se espalhou como fogo em palha seca pelos corredores da alta sociedade. A aparição inesperada de Miguel, o ex-namorado "perdido" de Helena, e a subsequente briga com Marcus, o empresário ambicioso e antigo admirador de Helena, era o assunto principal em todos os círculos. Para Helena, a exposição pública era um desconforto, mas para Miguel, era um lembrete incômodo de que eles não poderiam mais se esconder.

Nos dias que se seguiram, a atmosfera na empresa de Helena tornou-se eletrizante. Marcus, embora não mais presente fisicamente, pairava como um fantasma, suas ações e manipulações do passado ressurgindo com força total. Helena sentia a pressão aumentar, os olhares curiosos e as insinuações disfarçadas dos colegas. Ela tentava se concentrar em seus projetos, mas a mente de Marcus e suas ameaças a assombravam.

Miguel, por outro lado, estava determinado a proteger Helena. Ele a acompanhava em seus compromissos sempre que possível, um guarda-costas silencioso, mas vigilante. Sua presença era um conforto para Helena, mas também um alerta para aqueles que pudessem ter intenções ocultas. A relação deles, antes mantida em segredo, agora se tornava pública, gerando tanto admiração quanto desaprovação.

"Eu não aguento mais esse clima", Helena desabafou em um jantar íntimo com Miguel. Estavam em um restaurante discreto, longe dos olhos curiosos da mídia, mas mesmo ali, a sombra de Marcus parecia segui-los. "Parece que todo mundo está me julgando. E os olhares… eu sinto que estou em um circo."

Miguel segurou a mão dela sobre a mesa. "Eu sei que é difícil, meu amor. Mas você não precisa se importar com o que os outros pensam. O que importa é o que sentimos um pelo outro. E nós sabemos a verdade. Eles não sabem nada."

"Mas o Marcus está espalhando mentiras, não é? Ele deve estar falando com todo mundo, pintando um quadro distorcido da nossa história." Helena suspirou. "Eu tenho medo do que ele pode fazer. Ele é capaz de tudo para me machucar."

"Ele vai tentar", Miguel admitiu. "Mas nós vamos estar preparados. Eu tenho alguns contatos que podem nos ajudar a descobrir o que ele está tramando. E você, Helena, tem o seu instinto. Não deixe que ele te manipule mais."

Os dias se transformaram em semanas. A vida de Helena e Miguel começou a se normalizar, mas a tensão subjacente permanecia. Marcus não havia feito mais ameaças diretas, mas sua ausência era tão ameaçadora quanto sua presença. Helena sentia que ele estava observando, esperando o momento certo para atacar.

Em uma tarde chuvosa, Helena estava trabalhando em seu escritório, analisando relatórios financeiros. A chuva batia forte contra as vidraças, criando um ambiente sombrio. De repente, a porta do escritório se abriu e Marcus entrou. Ele estava mais calmo do que no dia do confronto, mas sua presença irradiava uma aura sinistra.

Helena levantou a cabeça, surpresa e apreensiva. "Marcus? O que você está fazendo aqui? Eu pensei que tivéssemos acabado com isso."

"Acabado? Helena, você ainda não entende", Marcus disse, fechando a porta atrás de si. Ele caminhou lentamente até a mesa dela, o olhar fixo no dela. "Eu vim para te mostrar o que você está perdendo. O que você deixou para trás por causa desse… desse homem."

"Eu não deixei nada para trás, Marcus", Helena respondeu, a voz firme, mas o coração acelerado. "Eu apenas me libertei de uma influência tóxica."

Marcus riu, um riso sem alegria. "Tóxica? Eu? Helena, eu te amo. Eu sempre te amei. Eu te protegi de todos os males, inclusive dele. Ele te fez sofrer antes, e vai te fazer sofrer de novo. Você não vê isso?"

"Eu vejo um homem obcecado, que não aceita um 'não' como resposta", Helena disse, levantando-se. "E eu não preciso mais da sua proteção, Marcus. Eu escolhi o meu caminho."

"O seu caminho é um beco sem saída!", Marcus gritou, a calma se esvaindo. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Helena recuou instintivamente.

"Fique longe de mim, Marcus!"

"Você não pode fugir de mim, Helena", ele sussurrou, o rosto a poucos centímetros do dela. "Você é minha. E eu vou provar para você e para ele que você pertence a mim."

Nesse momento, a porta do escritório se abriu novamente. Miguel entrou, o rosto uma máscara de fúria contida. Ele havia vindo verificar Helena, sentindo uma premonição.

"Marcus!", Miguel rosnou, parando entre Helena e Marcus. "Eu disse para você ficar longe dela!"

Marcus deu um sorriso de escárnio. "Ah, o herói chegou. Veio salvar a princesa de novo?"

"Eu vim garantir que você não a machuque", Miguel disse, os olhos fixos em Marcus. "Saia daqui agora, antes que eu te expulse à força."

"Você não tem o direito de me ameaçar", Marcus retrucou, mas havia um tom de apreensão em sua voz. Ele sabia que Miguel era um homem perigoso.

"Eu não estou te ameaçando. Estou te avisando", Miguel respondeu. Ele se virou para Helena, que tremia visivelmente. "Venha, Helena. Não vamos mais nos sujeitar a isso."

Miguel pegou Helena pela mão e a guiou para fora do escritório, deixando Marcus sozinho em meio à tempestade que ele mesmo havia criado. A chuva lá fora parecia refletir a turbulência que se instalara em suas vidas.

Mais tarde, naquela noite, enquanto se aconchegavam na cama, Helena ainda se sentia perturbada. "Ele estava tão perto, Miguel. Eu senti que ele ia me… me forçar."

Miguel a abraçou forte. "Eu sei. Mas ele não conseguiu. E ele nunca vai conseguir. Eu não vou deixar." Ele a beijou, um beijo que buscava transmitir segurança e amor. "Eu acho que ele está montando uma armadilha. Ele está tentando nos provocar, nos fazer cometer um erro."

"Que tipo de armadilha?", Helena perguntou, a voz abafada contra o peito dele.

"Não sei ainda. Mas ele quer nos ver brigando, nos ver desesperados. Ele quer nos ver sucumbir às pressões do passado. Mas nós somos mais fortes que ele, Helena. O nosso amor é mais forte."

No entanto, a proximidade perigosa de Marcus, a invasão de seu espaço, havia deixado uma marca. A sensação de vulnerabilidade, a certeza de que ele não desistiria, pairava sobre eles como uma nuvem negra. Eles haviam sobrevivido a mais um ataque, mas a guerra estava longe de acabar. E a cada dia que passava, a sombra de Marcus se tornava mais longa, mais ameaçadora, testando os limites do amor e da coragem de Helena e Miguel. A armadilha do passado estava se fechando, e a proximidade perigosa de Marcus era a isca que ele usava para tentar capturá-los.

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