Seduzida pelo Inimigo

Capítulo 5 — O Eco da Traição

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 5 — O Eco da Traição

O beijo selara um pacto silencioso, uma aliança perigosa que deixara Mariana em um estado de completa desorientação. As paredes de seu escritório, antes um símbolo de seu poder e controle, agora pareciam conspirar contra ela, testemunhando a fragilidade de sua resistência. Victor Montes, o predador que ela jurara derrotar, agora a olhava com uma intensidade que misturava triunfo e uma posse que a arrepiou até a alma.

“Você brincou com fogo, Mariana”, Victor disse, a voz grave, enquanto a observava com um sorriso satisfeito. Ele a cercava, não com violência, mas com a sutileza de um caçador experiente, seu olhar percorrendo cada detalhe de seu rosto, como se estivesse gravando-a em sua memória. “E agora, você se queimou.”

Mariana sentiu a raiva borbulhar em seu peito, mas era uma raiva contida, ofuscada por uma confusão avassaladora. Ela o odiava por ter quebrado suas defesas, por ter despertado nela um desejo que ela sequer sabia que existia. Mas, ao mesmo tempo, havia uma estranha satisfação em ter sido, de alguma forma, escolhida por ele. “Não se engane, Victor. Este beijo não significa nada.”

Ele riu, um som baixo e rouco que ressoou em seu peito. “Significa tudo, Mariana. Significa que você viu em mim algo mais do que um inimigo. Significa que você reconheceu a força em minha proposta, a atração em meu perigo.” Ele se aproximou, o perfume amadeirado dele envolvendo-a como uma promessa. “Significa que você está disposta a jogar um jogo diferente.”

A ideia de um jogo diferente, de uma união inesperada, a assustava e a fascinava. A possibilidade de unir os dois impérios, de criar uma força inabalável, era tentadora. Mas a que custo? A que custo pessoal?

“Eu não posso trair minha família, Victor”, Mariana disse, a voz embargada pela emoção. Ela pensou em seu pai, em tudo o que ele havia construído, em tudo o que representava. A imagem de Eurico, com sua expressão de fadiga e esperança, era um lembrete constante de seu dever.

Victor a segurou pelos braços, seus olhos encontrando os dela com uma seriedade inesperada. “Trair? Ou evoluir? Você não está traindo sua família, Mariana. Você está salvando-a. O império Bastos está estagnado, está envelhecendo. Precisa de uma nova visão, de uma nova energia. E eu posso dar isso a vocês. Nós podemos dar isso um ao outro.”

Ele a puxou para perto, o calor de seu corpo irradiando através de suas roupas. Mariana sentiu seus joelhos fraquejarem. A luta era intensa, a atração poderosa. Era como estar à beira de um precipício, com a opção de cair ou de voar.

“O que você quer de mim, Victor?”, ela sussurrou, a voz mal audível.

“Tudo”, ele respondeu, os lábios roçando os dela. “Quero sua mente, sua força, sua paixão. Quero você, Mariana. E com você, quero o império Bastos. Juntos, seremos invencíveis.”

A tentação era quase insuportável. Ela se viu imaginando um futuro onde eles trabalhavam lado a lado, onde a rivalidade se transformava em uma parceria poderosa. Mas o eco da traição, o grito silencioso de seu legado, a impedia de sucumbir completamente.

“Eu preciso de tempo para pensar”, Mariana disse, afastando-se dele com um esforço visível. Ela precisava de espaço, de ar, de clareza.

Victor a observou, um leve sorriso de satisfação em seus lábios. Ele sabia que a tinha fisgado. “Tempo é um luxo que não teremos por muito tempo, Mariana. A decisão precisa ser tomada. E ela impactará o futuro de ambos os nossos mundos.”

Nos dias que se seguiram, Mariana se viu presa em um dilema torturante. Ela se afastou de Victor, evitando seus olhares e suas tentativas de contato. Mas a proposta dele a assombrava, ecoando em seus pensamentos como uma melodia sedutora. Ela tentou se concentrar em defender o império Bastos pelos meios tradicionais, mas a eficiência do sistema de inteligência de Victor Montes tornava cada esforço fútil. Era como tentar lutar contra um fantasma.

Eurico, percebendo o conflito interno de sua filha, a confrontou. “Mariana, você está diferente. O que Victor Montes disse a você?”

Mariana, incapaz de esconder a verdade por mais tempo, desabafou com o pai, revelando a proposta de Victor, a atração que sentia, o dilema em que se encontrava. Eurico a ouviu com uma expressão de profunda preocupação.

“Minha filha”, ele disse, a voz embargada. “Eu te criei para ser forte, para defender nosso legado. Mas eu nunca quis que você tivesse que fazer escolhas que corrompessem sua alma. Victor Montes é um homem perigoso. Ele te seduz com promessas de poder, mas o preço será sua própria identidade.”

“Mas pai, o que mais podemos fazer? Ele está nos estrangulando! A proposta dele é a única saída”, Mariana argumentou, a frustração transbordando.

“Há sempre uma saída, Mariana. Mas ela não pode ser construída sobre a traição. Você é uma Bastos. Sua lealdade é para com sua família, para com o nome que você carrega.”

As palavras do pai ecoaram na alma de Mariana, mas a realidade era cruel. A força dos Bastos estava diminuindo, e a oferta de Victor, por mais perigosa que fosse, parecia a única chance de sobrevivência.

Uma noite, enquanto Mariana estava sozinha em seu escritório, revisando relatórios financeiros sombrios, seu celular tocou. Era um número desconhecido. Ao atender, ouviu a voz rouca e familiar de Victor.

“Mariana. Preciso falar com você. Agora.”

Havia uma urgência em sua voz que a fez sentir um arrepio. “Onde?”

“Na velha fábrica abandonada, na zona portuária. Você sabe onde fica. Me encontre em meia hora.”

Mariana hesitou, mas a necessidade de confrontá-lo, de obter respostas, a impulsionou. Ela não contou a ninguém, sentindo que precisava lidar com isso sozinha.

Ao chegar ao local, a fábrica escura e silenciosa parecia um cenário perfeito para um confronto final. Victor estava lá, parado nas sombras, a figura dele quase indistinta na penumbra.

“Por que me chamou aqui, Victor?”, Mariana perguntou, a voz firme, mas com um toque de apreensão.

Ele se aproximou, e em seus olhos, Mariana viu algo que a fez gelar. Não era apenas a frieza calculista de sempre, mas uma sombra de preocupação, de urgência.

“As coisas mudaram, Mariana”, ele disse, a voz tensa. “Seus advogados… eles encontraram algo. Algo sobre o meu passado. Algo que eles pretendem usar contra mim. E se isso vier à tona agora, você e sua família também cairão.”

Mariana o encarou, confusa. “O que você quer dizer?”

“Eu fiz um acordo com pessoas perigosas anos atrás, para conseguir o financiamento inicial. Um acordo que eu pensava ter selado para sempre. Mas um dos envolvidos… ele quer vingança. E ele está prestes a expor tudo.”

“E você acha que eu tenho algo a ver com isso?”, Mariana perguntou, a voz embargada pela surpresa.

“Não. Mas se essa informação vazar, ela afetará a todos nós. A nossa negociação. A sua família será vista como cúmplice, como alguém que se aliou a um homem com um passado sombrio. Eu não posso permitir que isso aconteça. Não agora.”

A revelação era chocante. Victor Montes, o homem invencível, tinha um ponto fraco, um segredo que poderia destruí-lo. E, de alguma forma, essa informação o ligava aos Bastos.

“O que você propõe?”, Mariana perguntou, a mente começando a processar a nova informação.

“Nós vamos nos unir, Mariana. Agora. Não como uma opção, mas como uma necessidade. Eu preciso do seu apoio, da sua influência para silenciar essa ameaça. E você precisa da minha força para consolidar o seu império. Juntos, controlaremos essa situação. Juntos, seremos mais fortes do que qualquer um que tente nos derrubar.”

Ele estendeu a mão, não mais como uma proposta de sedução, mas como um pedido de socorro disfarçado de estratégia. Mariana olhou para aquela mão, para o homem à sua frente, e sentiu a linha entre inimigo e aliado se dissipar completamente. A guerra estava longe de acabar, mas agora, ela sabia que a luta seria contra um inimigo comum. E, para sua própria surpresa, ela sentiu uma pontada de algo que se assemelhava à lealdade. A lealdade ao homem que a desafiara, que a seduzira, e que agora, de alguma forma, a incluía em seu perigoso jogo.

“Eu concordo”, Mariana disse, a voz firme, sua própria mão encontrando a dele. A união estava selada, não por amor, mas por uma necessidade mútua, um acordo forjado no fogo da crise. Mas, enquanto seus dedos se entrelaçavam, Mariana sentiu um pressentimento sombrio. A aliança com o inimigo, o abraço do predador, poderia ser a sua salvação, ou o começo de sua mais profunda ruína. O eco da traição pairava no ar, e ela sabia que a verdadeira batalha estava apenas começando.

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