O Príncipe das Sombras III

Capítulo 12 — As Raízes do Desejo

por Camila Costa

Capítulo 12 — As Raízes do Desejo

O dia seguinte amanheceu com um sol radiante, pintando o céu de um azul vibrante que contrastava com as sombras que ainda pairavam nos corações de Helena e Antônio. A noite anterior, a caminhada pela praia, as palavras sussurradas sob a luz da lua, haviam deixado um rastro de incertezas e, ao mesmo tempo, de uma conexão inegável. Helena acordou com a lembrança do toque de Antônio em seu braço, um toque que parecia ter selado uma promessa silenciosa.

O café da manhã foi servido na varanda, com a brisa matinal trazendo consigo o aroma fresco do mar e das frutas tropicais. Antônio estava lá, mais introspectivo do que o usual, observando o horizonte com uma expressão pensativa. Helena sentiu um aperto no peito ao vê-lo assim, um desejo de desvendar a paisagem interna que o tornava tão enigmático.

"Dormiu bem?", ela perguntou, sentando-se à mesa.

Ele se virou, um leve sorriso em seus lábios. "Como um anjo. E você?"

"Também. A sua companhia é... tranquilizante", ela disse, deliberadamente omitindo a turbulência que ele causava em sua alma.

Antônio ergueu uma sobrancelha, um brilho de diversão nos olhos. "Tranquilizante? Acho que essa não é a palavra que a maioria usaria para descrever o Príncipe das Sombras."

Helena pegou um pedaço de manga suculenta. "Talvez as pessoas não o conheçam tão bem quanto eu."

Um silêncio pairou entre eles, carregado de significados não ditos. Antônio sabia que Helena o via além da fachada fria e calculista que ele apresentava ao mundo. E essa percepção o desarmava de uma forma que poucos conseguiam.

"Você está aqui por causa do seu pai, não está?", Antônio quebrou o silêncio, sua voz agora séria. "Ele não está bem."

Helena parou de mastigar, os olhos arregalados. Como ele sabia? Ela não havia mencionado nada sobre a saúde de seu pai. "Como você sabe disso?"

Antônio deu um gole em seu café. "Eu tenho meus informantes. E quando uma mulher como você aparece em minha vida, meu interesse se agça. Especialmente quando se trata de algo que pode afetar meus negócios."

A frieza em sua voz fez Helena se sentir um pouco apreensiva, mas ela sabia que não era maldade. Era apenas a forma dele de enxergar o mundo. "Sim. Ele não está bem. Está com uma doença... grave."

Ele a observou com atenção, seus olhos penetrantes tentando ler a dor em seu rosto. "E você veio buscar ajuda. Ou talvez... vingança."

Helena balançou a cabeça. "Não vingança. Apenas... justiça. Meu pai foi prejudicado por pessoas que se aproveitaram de sua doença."

Antônio pousou a xícara na mesa, o som seco ecoando na quietude. "E essas pessoas têm nome?"

"Sim", Helena respondeu, a voz firme. Ela se inclinou para frente, os olhos fixos nos dele. "E você as conhece. São os mesmos que tentaram me arruinar anos atrás. Aqueles que você ajudou a derrubar."

Ele assentiu lentamente. "Eu me lembro. Uma disputa por terras, um golpe sujo. Um esquema para desvalorizar a marca da família e comprar tudo a preço de banana."

"Exatamente", Helena confirmou. "Eles se aproveitaram da fragilidade do meu pai para tentar retomar o controle. Estão usando a doença dele contra nós."

Antônio deu um sorriso irônico. "Uma tática previsível. Mas, como você bem disse, eu já lidei com eles antes."

"E é por isso que eu vim até você", Helena confessou, a vulnerabilidade transparecendo em sua voz. "Preciso da sua ajuda, Antônio. Não apenas para proteger a empresa, mas para proteger meu pai."

Ele a observou por um momento, a expressão ilegível. "Você confia em mim, Helena?"

A pergunta pegou Helena de surpresa. Ela sentiu uma onda de calor subir em suas bochechas. Confiar em Antônio? Era algo que ela lutava para fazer, mas que, a cada dia, se tornava mais inevitável.

"Não sei se confio", ela admitiu honestamente. "Mas sei que você é o único que pode nos ajudar. E, talvez... talvez eu esteja começando a acreditar que você não é o monstro que o mundo pinta."

Antônio se aproximou, sua mão cobrindo a dela sobre a mesa. O toque, desta vez, foi deliberado, uma confirmação de que ele estava ali, presente. "Eu não sou um monstro, Helena. Sou apenas um homem com cicatrizes. Cicatrizes que me ensinam a identificar e a neutralizar aqueles que buscam prejudicar os outros."

O toque dele enviou uma corrente elétrica por todo o corpo de Helena. O desejo que ela sentia por ele era avassalador, uma força que ela não conseguia mais controlar. Ela olhou para as mãos deles unidas, a pele clara dela contrastando com a pele bronzeada dele.

"Você quer me ajudar?", ela perguntou, a voz um sussurro.

Antônio apertou a mão dela. "Sempre ajudei aqueles que me trazem um bom desafio. E proteger sua família de predadores é um desafio que me agrada. Além disso...", ele fez uma pausa, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade que a fez prender a respiração. "...você me intriga, Helena. E o que me intriga, eu quero possuir."

A palavra "possuir" ecoou em sua mente, um misto de perigo e excitação. Era a linguagem dele, a forma dele de expressar o desejo. Helena sentiu seu coração acelerar. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, mas a atração era forte demais para resistir.

"E o que você quer possuir, Antônio?", ela perguntou, a voz falhando um pouco.

Ele levou a outra mão ao rosto dela, acariciando sua bochecha com o polegar. "Você. Quero possuir você, Helena. Quero desvendar todos os seus segredos, assim como você quer desvendar os meus."

O olhar dele era faminto, e Helena sentiu seu corpo responder a essa fome. Era um desejo primitivo, uma atração magnética que a puxava para ele com uma força irresistível. Ela fechou os olhos por um instante, entregando-se à sensação.

"Eu não sou fácil de possuir, Antônio", ela sussurrou.

Ele sorriu, um sorriso de predador. "Eu sei. E é isso que a torna tão desejável."

Ele se inclinou para frente, seus lábios roçando os dela. O beijo começou suave, um teste, uma exploração. Helena não resistiu, abrindo os lábios para recebê-lo. O beijo se aprofundou, tornando-se urgente, apaixonado. As mãos de Antônio deslizaram para a cintura dela, puxando-a para mais perto, enquanto as mãos de Helena se enroscaram em seu pescoço, aprofundando o beijo.

Os problemas de seus pais, as disputas empresariais, tudo parecia desaparecer naquele momento, reduzido a nada diante da intensidade daquele beijo. Era um beijo que falava de desejo, de saudade, de uma conexão que ia além da razão. Era a confirmação de que, por mais que tentassem fugir, seus caminhos estavam entrelaçados.

Quando se afastaram, ambos ofegantes, Helena sentiu uma vertigem. A realidade voltava a se impor, mas agora com uma nova dimensão. O desejo que ela sentia por Antônio era real, palpável. E ele a desejava de volta.

"Eu vou ajudar você, Helena", Antônio disse, a voz rouca. "Vou proteger seu pai e sua empresa. Mas em troca..."

Ele a puxou para mais perto, seus olhos fixos nos dela. "...você terá que se entregar a mim. Completamente."

Helena olhou para ele, o coração batendo acelerado. A proposta era arriscada, louca. Mas o olhar dele prometia um mundo de paixão, de descobertas. Ela sabia que era um jogo perigoso, mas estava disposta a jogar.

"Eu me entrego", ela sussurrou, a decisão tomada.

Antônio sorriu, um sorriso de vitória, mas também de algo mais profundo. Ele a beijou novamente, um beijo que selou a promessa, um beijo que marcou o início de uma paixão avassaladora, de um romance que desafiava todas as regras. As raízes do desejo haviam sido plantadas, e elas prometiam crescer em um emaranhado complexo e intenso.

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