O Príncipe das Sombras III

O Príncipe das Sombras III

por Camila Costa

O Príncipe das Sombras III

Autor: Camila Costa

Capítulo 16 — O Eco das Mentiras

O ar na mansão dos Montenegro pesava, carregado com a tensão que emanava de cada cômodo. Os sussurros, antes contidos, agora serpenteavam pelos corredores como cobras venenosas, alimentando a desconfiança que se instalara como uma névoa fria. Helena, com o coração em pedaços, sentia cada palavra dela como uma punhalada, cada acusação, uma sentença. A revelação de que Rafael havia se aproximado dela por um motivo tão vil a consumia, deixando apenas as cinzas de um amor que ela acreditava ser puro e verdadeiro.

“Como você pôde?”, Helena sussurrou, a voz embargada, enquanto encarava Rafael no escritório dele. As cortinas pesadas bloqueavam a luz do sol, mergulhando o ambiente em uma penumbra que espelhava a escuridão que se abatera sobre a alma de Helena. As palavras de Clara, a confissão arrancada sob o pretexto de proteção, ecoavam em sua mente como um mantra torturante. Clara, sua irmã, a que deveria protegê-la, a que deveria amá-la incondicionalmente, a que, por medo e ambição, a empurrara para o abismo.

Rafael, por sua vez, estava visivelmente abalado. A frieza que Helena projetava era um escudo impenetrável, e ele sentia a dor que a atravessava, uma dor que ele mesmo havia infligido. Seus olhos, antes cheios de um amor ardente, agora eram poços de desespero. Ele tentou segurar as mãos dela, mas Helena se afastou como se ele a tivesse queimado.

“Helena, por favor, me deixe explicar”, a voz de Rafael era rouca, carregada de uma angústia palpável. “Aquilo que Clara te disse… não é a história completa. Há muito mais, segredos que eu não podia revelar, proteções que precisava manter.”

“Explicação?”, Helena riu, um som seco e sem alegria. “Explicação para o quê, Rafael? Para o fato de que você me usou? Que todo esse tempo, cada beijo, cada carícia, cada declaração de amor, não passou de uma encenação para alcançar seus objetivos? Você me vê como uma marionete? Alguém para ser manipulada?” Os olhos dela brilhavam com lágrimas não derramadas, a raiva e a mágoa se misturando em um coquetel explosivo.

Rafael sentiu um nó na garganta. A imagem que Helena tinha dele era a de um monstro, um manipulador frio e calculista. Mas a verdade era muito mais complexa, um labirinto de motivos e consequências que o haviam levado a essa situação. “Não, Helena, nunca! Você é a única coisa que importa para mim. Minha aproximação de você… começou sob circunstâncias difíceis, é verdade. Eu precisava de informação, precisava entender… a verdade sobre o que aconteceu com minha família. Mas isso mudou. Você mudou tudo. O que começou como uma necessidade se transformou em algo muito maior, algo que eu jamais imaginei sentir.”

“E por que você não me contou a verdade?”, Helena questionou, a voz agora um fio fino de desespero. “Se o seu amor por mim era real, por que você me deixou viver em uma mentira? Por que deixou que eu acreditasse em algo que não era real?”

“Porque era perigoso, Helena! Perigoso para você, para mim, para tudo o que tentávamos construir. Havia pessoas dispostas a tudo para nos separar, para nos destruir. Eu precisava te proteger de uma maneira que você não entendia. Clara… ela soube jogar com isso, usou as informações a seu favor para te afastar de mim, para te convencer de que eu era o vilão.”

“Clara?”, Helena repetiu, a menção da irmã soando como um alarme. “Clara me disse que você estava planejando me arruinar, que o seu objetivo era a fortuna dos Montenegro.”

Rafael fechou os olhos por um instante, um suspiro pesado escapando de seus lábios. “E ela te convenceu disso? Depois de tudo o que vivemos? Helena, eu não quero a fortuna dos Montenegro. Eu quero você. Eu sempre quis você. A única coisa que eu busco é justiça para o meu pai, para a minha mãe. E a verdade sobre quem os traiu. E, infelizmente, essa verdade está ligada a pessoas muito perigosas, pessoas que estão ligadas aos Montenegro.”

O silêncio que se seguiu foi denso, preenchido apenas pela respiração ofegante de Helena e pelo tic-tac implacável do relógio na parede. Helena o encarava, tentando decifrar a verdade nos olhos de Rafael. Havia uma sinceridade ali, uma dor genuína que a fez hesitar. Mas as palavras de Clara, a sua própria irmã, eram um peso esmagador. Como ela poderia confiar em Rafael quando sua própria família a traíra?

“Eu não sei em quem acreditar, Rafael”, Helena sussurrou, a voz mal audível. “Você e Clara… vocês me colocaram em um jogo do qual eu não consigo mais sair. Um jogo de mentiras e acusações.”

“Você não precisa acreditar em Clara. Acredite no que você sente, Helena. Acredite no nosso amor. Eu te amo mais do que a minha própria vida. E se você me der uma chance, eu te mostrarei a verdade, a verdade sobre o que aconteceu, a verdade sobre quem realmente está manipulando todos nós.” Rafael deu um passo à frente, estendendo a mão novamente, mas desta vez, hesitou, respeitando o espaço que ela havia criado. “Eu sei que te machuquei. Eu sei que te fiz duvidar. Mas tudo o que eu fiz, eu fiz por nós. Para que pudéssemos ter um futuro juntos, um futuro sem sombras, sem mentiras.”

Helena desviou o olhar, fixando-o em um ponto qualquer da sala. A imagem de Clara, seu sorriso doce e seus olhos cheios de preocupação, contrastava com a dor e a raiva que ela sentia. Mas a lembrança do abraço de Rafael, da forma como ele a olhava, da intensidade do amor que sentia em seus braços, também era forte. O conflito a dilacerava. Ela estava presa em um emaranhado de desconfiança, onde cada fio parecia levar a uma nova dor.

De repente, um barulho na porta chamou a atenção dos dois. Era Clara, com um sorriso forçado no rosto, como se nada tivesse acontecido. Seus olhos, no entanto, brilhavam com uma satisfação disfarçada ao ver o distanciamento entre Helena e Rafael.

“Helena, querida, você está bem?”, Clara perguntou, a voz doce e melosa, como se fosse a irmã mais preocupada do mundo. Ela caminhou até Helena, tentando abraçá-la, mas Helena se afastou novamente.

“Não se aproxime de mim, Clara”, Helena disse, a voz firme, mas com uma ponta de tremor. “Eu sei o que você fez.”

O sorriso de Clara vacilou por um instante, mas ela rapidamente se recompôs. “Eu não sei do que você está falando, Helena. Eu só queria te ajudar. Rafael…”

“Não ouse falar o nome dele”, Helena a interrompeu, a raiva voltando a dominar. “Você me mentiu. Você me usou. Você é a única que está manipulando a todos nós.”

Clara riu, um som seco e desagradável. “Eu? Querida, você está confusa. Rafael é quem sempre te manipulou. Ele te usou para os próprios fins. Eu só tentei te abrir os olhos para a verdade.”

Rafael deu um passo à frente, a voz controlada, mas com uma frieza que gelava. “A verdade é o que você mais teme, Clara. E essa verdade está prestes a vir à tona.”

Clara o encarou, o medo começando a transparecer em seus olhos. Ela sabia que Rafael era perigoso, que ele tinha meios de descobrir suas artimanhas. Mas ela estava disposta a ir até o fim para proteger seus segredos, para manter o controle sobre a fortuna dos Montenegro.

Helena observava a troca de olhares, a tensão aumentando a cada segundo. Ela sentiu que estava no centro de um vendaval, um vendaval de mentiras e traições que ameaçava engoli-la por inteiro. A verdade, ela sabia, era um caminho tortuoso e doloroso, e ela estava apenas começando a percorrê-lo. As raízes do desejo, que antes a uniam a Rafael, agora estavam entrelaçadas com as teias de traição que a cercavam, e o eco das mentiras parecia ressoar em cada batida de seu coração partido.

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