O Príncipe das Sombras III
Claro, aqui estão os capítulos 21 a 25 de "O Príncipe das Sombras III", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers.
por Camila Costa
Claro, aqui estão os capítulos 21 a 25 de "O Príncipe das Sombras III", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers.
O Príncipe das Sombras III Autor: Camila Costa
Capítulo 21 — O Fogo Que Não Se Apaga
O ar em Aethelgard estava denso, carregado de um silêncio que gritava mais alto que qualquer alarme. Sofia, com os olhos marejados e o coração apertado como um punho, observava o castelo de seu pai. As torres escuras, antes símbolos de poder e segurança, agora pareciam garras prestes a rasgar o céu tingido de um laranja doentio. A notícia de que Valerius, seu príncipe, o homem que jurou proteger e amar, havia retornado com uma legião de seguidores sombrios, ecoava pelos corredores vazios como um presságio.
“Não pode ser verdade, não é?” Murmurou Elara, a mão cobrindo a boca, os olhos arregalados de pânico. “Valerius… traindo seu próprio povo? Ajudando os invasores?”
Sofia negou com a cabeça, um tremor percorrendo seu corpo. “Ele… ele não faria isso. Deve haver uma explicação. Uma mentira.” Mas a imagem do brasão da casa de Valerius, agora adornado com o símbolo sinistro da Ordem Sombria, ainda queimava em sua retina. Era uma traição que transcendia a política, uma ferida na alma.
Lá fora, o barulho das botas pesadas ecoava. Soldados de Aethelgard, com os rostos marcados pela apreensão, formavam fileiras desordenadas, a disciplina abalada pelo medo. O general Theron, um homem de honra e lealdade imaculada, comandava as tropas com uma expressão sombria. Seu olhar cruzou com o de Sofia, e neles ela viu a mesma dor, a mesma dúvida que a consumia.
“Princesa,” a voz de Theron era grave. “Recebemos informações. Valerius lidera a vanguarda. Ele abriu os portões do sub-reino, permitindo a passagem das forças de Malakor.”
Um arrepio glacial percorreu Sofia. As palavras de Theron eram cacos de vidro perfurando seu peito. Valerius. Seu Valerius. O homem que lhe oferecera um refúgio em seus braços, que sussurrara promessas de um futuro juntos, agora era o arauto da destruição de seu reino.
“Isso é impossível,” sussurrou Sofia, a voz embargada. “Ele me amava. Ele jurou.”
Elara segurou o braço de Sofia com força. “Sofia, meu amor, você precisa ser forte. Precisamos entender o que aconteceu.”
No entanto, Sofia sentia-se afogando em um mar de incredulidade e desespero. As memórias de Valerius – seus sorrisos, seus beijos ardentes, a promessa de um amor eterno – pareciam agora tão distantes, tão irreais. Seriam todas mentiras? Todas as palavras sussurradas na escuridão, as juras feitas sob o luar, apenas um jogo cruel?
“O que faremos, General?” A voz de Sofia estava trêmula, mas uma faísca de determinação começava a acender em seus olhos. O amor que ela sentia por Valerius, por mais ferido e traído que estivesse, não se apagava. Ele era parte dela, e a dor da sua queda era a dor de sua própria alma.
“Precisamos defender o castelo, Princesa,” respondeu Theron, a voz resoluta. “Malakor não parará aqui. Se ele tomar Aethelgard, o reino inteiro cairá.”
“Mas Valerius… ele está com eles,” disse Elara, a voz cheia de pesar.
Sofia fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Ela não podia sucumbir ao desespero. Não agora. O reino precisava dela. E, por mais doloroso que fosse admitir, a esperança de que Valerius pudesse ser resgatado, de que houvesse uma explicação para sua traição, era um fio tênue que ela se recusava a soltar.
“Eu vou até ele,” declarou Sofia, a voz inesperadamente firme.
Theron e Elara a olharam com espanto.
“Princesa! É suicídio!” exclamou Theron. “Valerius está com Malakor. Ele é um inimigo agora.”
“Ele não é um inimigo para mim,” Sofia respondeu, o olhar fixo no horizonte, onde as sombras se adensavam. “Ele é o homem que eu amei. E se há uma chance de trazê-lo de volta para o lado da luz, eu a tomarei. Se ele estiver sob algum feitiço, se estiver sendo manipulado, eu preciso descobrir. Eu preciso salvá-lo.”
Elara tentou argumentar, mas Sofia a interrompeu. “Elara, eu sei o que você está pensando. Mas meu coração me diz que há mais nessa história. Eu não posso lutar contra um homem que amo, mas eu posso lutar por ele. Eu preciso tentar.”
A decisão de Sofia era audaciosa, imprudente até. Mas nela residia a coragem de uma rainha, a força de quem se recusa a desistir do amor, mesmo diante da escuridão mais profunda.
“Eu irei sozinha,” disse Sofia. “Não colocarei mais ninguém em perigo.”
Theron hesitou, a preocupação gravada em seu rosto. “Princesa, não posso permitir…”
“General,” Sofia o interrompeu, seu tom agora autoritário. “Você tem um reino para defender. Eu tenho uma missão para cumprir. Deixe-me ir.”
Com um suspiro resignado, Theron assentiu. “Que os deuses o protejam, Princesa. E que sua fé seja recompensada.”
Sofia vestiu sua armadura mais leve, um manto escuro que a ajudaria a se misturar com as sombras. Em suas mãos, ela segurou a adaga que Valerius lhe dera, um símbolo de sua conexão, agora um lembrete agridoce de sua aparente traição.
Enquanto se preparava para sair, a porta de seus aposentos se abriu, revelando Lysander. Ele parecia mais sombrio do que nunca, os olhos penetrantes fixos em Sofia.
“Você não vai,” disse ele, a voz baixa e perigosa.
Sofia o encarou, a surpresa em seu rosto rapidamente substituída por determinação. “Eu vou, Lysander. E você não pode me impedir.”
Lysander deu um passo à frente, a aura de poder ao seu redor crescendo. “Você é tola, Sofia. Valerius a usou. Ele é um fantoche de Malakor. Você vai morrer tentando salvá-lo.”
“E você é um cínico, Lysander,” retrucou Sofia, a voz firme. “Você perdeu a fé em tudo. Eu ainda acredito no amor. E eu acredito que Valerius ainda pode ser salvo.”
Lysander a estudou por um momento, a batalha visível em seus olhos. Ele sabia que Sofia era teimosa, que quando seu coração tomava uma decisão, era quase impossível fazê-la mudar de ideia.
“Se você for,” disse Lysander, a voz controlada, “eu irei com você.”
Sofia o olhou surpresa. “Você… você faria isso?”
“Eu não a deixarei ir sozinha para a morte,” respondeu Lysander, um lampejo de algo que poderia ser preocupação cruzando seu rosto sombrio. “E se Valerius realmente caiu, talvez… talvez possamos descobrir o porquê. Mas não espere que eu hesite se ele se tornar uma ameaça real.”
A oferta de Lysander era inesperada, e embora ela desconfiasse de suas motivações, a ideia de ter alguém ao seu lado naquela missão perigosa era reconfortante.
“Aceito,” disse Sofia, um tênue sorriso surgindo em seus lábios. “Mas se nos encontrarmos com Valerius, a conversa será minha.”
Lysander assentiu, um aceno quase imperceptível.
Juntos, Sofia e Lysander saíram do castelo, desaparecendo na noite que se aproximava. O fogo que ardia no peito de Sofia – o fogo do amor, da esperança e da determinação – era o único farol em meio à escuridão que ameaçava engolir Aethelgard. Ela estava indo em busca de seu príncipe, pronta para enfrentar qualquer sombra, qualquer traição, para reaver o amor que lhe foi roubado.