O Príncipe das Sombras III

Capítulo 22 — O Labirinto da Alma Sombria

por Camila Costa

Capítulo 22 — O Labirinto da Alma Sombria

O vento uivava como um lobo faminto enquanto Sofia e Lysander avançavam pelas terras desoladas que cercavam o sub-reino de Valerius. A paisagem era sombria, pontuada por árvores retorcidas e rochas escuras, um reflexo da corrupção que se espalhava por essas terras. Cada passo parecia um mergulho mais profundo na escuridão, e Sofia sentia o peso da missão que assumira.

Lysander caminhava ao seu lado, em silêncio, sua presença uma constante lembrança da perigosa aliança que haviam formado. Ele era uma incógnita, um enigma em si mesmo, e Sofia não conseguia decifrar seus verdadeiros motivos. Ele a ajudava, sim, mas havia uma frieza em seus olhos que a impedia de confiar nele completamente.

“Você acha que ele está sob algum feitiço?” Sofia finalmente quebrou o silêncio, a voz baixa.

Lysander a observou de relance. “Feitiços são apenas ferramentas. O que corrompe uma alma é muito mais profundo. É uma escolha, ou uma série de escolhas, que levam à escuridão.”

As palavras de Lysander soaram como um golpe. Se não era um feitiço, então Valerius havia escolhido esse caminho. A ideia apertava ainda mais o coração de Sofia.

“Ele não escolheria isso,” insistiu Sofia, a voz carregada de teimosia. “Haverá uma razão. Algo que o forçou.”

“O poder corrompe, Sofia,” disse Lysander, sem emoção. “E Malakor oferece um poder que poucos conseguem resistir. Talvez Valerius tenha visto nisso uma maneira de proteger seu próprio reino, ou talvez ele simplesmente sucumbiu à ambição.”

“Ambição? Valerius não é ambicioso dessa forma!” Sofia sentiu a raiva borbulhar. “Ele sempre buscou justiça, não poder para si.”

Eles chegaram à entrada do sub-reino. As antigas muralhas, outrora imponentes, agora estavam parcialmente em ruínas, como se a própria terra se revoltasse contra o que ali residia. Os guardas que patrulhavam as entradas não eram mais os soldados leais de antes, mas homens com armaduras negras e olhos vazios, a serviço de Malakor.

Lysander, com um gesto rápido, conjurou uma ilusão que os envolveu, tornando-os invisíveis aos olhos dos sentinelas. “Precisamos ser cautelosos,” sussurrou. “Este lugar está saturado com a magia sombria de Malakor. Qualquer deslize pode ser fatal.”

Avançaram pelas ruas sombrias, onde os poucos habitantes que ainda viviam ali pareciam espectros, seus rostos marcados pela miséria e pelo medo. As casas estavam em mau estado, os mercados desertos. Era um reino moribundo, sugado pela escuridão de seu novo governante.

Sofia sentia um nó na garganta. Este era o reino de Valerius, o lugar que ele deveria proteger, e agora estava em ruínas. Onde estava o príncipe que ela conhecia? Onde estava o homem que a fazia sorrir?

“Onde Valerius estaria, Lysander?” perguntou Sofia, a voz embargada.

Lysander apontou para a torre mais alta do castelo, uma estrutura sinistra que se erguia contra o céu escuro. “É lá que o poder de Malakor se concentra. É lá que ele passaria a maior parte do tempo, se estiver realmente envolvido.”

O caminho até o castelo era perigoso. A cada esquina, eles encontravam patrulhas. Lysander, com sua magia sombria, conseguia despistá-las, mas a cada encontro, a tensão aumentava. Sofia sentia a energia corrupta do lugar penetrando em seus ossos, tentando sufocar a esperança que a impulsionava.

Ao se aproximarem da entrada principal do castelo, foram interceptados por um grupo de guardas de elite, liderados por um homem de aparência cruel, com uma cicatriz profunda no rosto.

“Quem ousa invadir o domínio de Malakor?” rosnou o líder, erguendo sua lança.

Lysander deu um passo à frente, a ilusão se dissipando. “Viemos falar com o Príncipe Valerius.”

O guarda soltou uma risada fria e desdenhosa. “O Príncipe Valerius serve agora ao Lorde Malakor. Ele não tem tempo para intrusos insignificantes.”

A menção de Valerius servir a Malakor fez o sangue de Sofia gelar. Era a confirmação do que ela temia.

“Nós não iremos embora,” disse Sofia, a voz firmemente controlada. Ela não queria lutar, mas não cederia.

O líder dos guardas sorriu, mostrando dentes tortos. “Vocês não têm escolha.”

A luta começou. Lysander, com sua magia negra, era um oponente formidável. Ele desviava dos ataques com uma agilidade surpreendente e respondia com rajadas de energia sombria que derrubavam os guardas. Sofia, embora não fosse uma guerreira treinada, lutava com a fúria de quem defende o que ama. Ela usava sua adaga com precisão, defendendo-se dos golpes e buscando brechas na defesa de seus oponentes.

No meio da batalha, um grito ecoou pelo pátio. “Parem!”

Todos congelaram. No alto da escadaria que levava à entrada principal do castelo, estava ele. Valerius.

Ele desceu os degraus com uma elegância sombria que Sofia nunca tinha visto. Seu cabelo escuro caía em ondas sobre seus ombros, seus olhos, antes tão cheios de vida, agora eram frios e impenetráveis, brilhando com um tom avermelhado. Vestia uma armadura negra, adornada com o símbolo da Ordem Sombria. Ele era a imagem perfeita de um príncipe das trevas.

Sofia sentiu o mundo girar. A visão dele, ali, parecia um pesadelo. Era ele, mas ao mesmo tempo, não era.

Valerius parou a poucos metros dela, seu olhar fixo nos seus. Havia uma intensidade ali, uma mistura de dor e resignação que Sofia não conseguia decifrar.

“Sofia,” a voz dele era um sussurro rouco, como se machucasse falar seu nome. “O que você está fazendo aqui?”

“Valerius,” a voz de Sofia falhou. Lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. “Por quê? Por que você está fazendo isso?”

Um lampejo de algo que poderia ser sofrimento cruzou o rosto de Valerius, mas desapareceu tão rápido quanto surgiu. “Você não entende, Sofia. Eu não tive escolha.”

“Não teve escolha? Você se aliou a Malakor! Você abriu as portas para que ele destruísse seu próprio povo!” A voz de Sofia estava carregada de dor e acusação.

Lysander observava a cena com atenção, um leve sorriso nos lábios. Ele sabia que a confrontação seria dramática.

Valerius desviou o olhar, fitando o chão. “Havia algo que eu precisava proteger. Algo que Malakor poderia ter tomado se eu não cedesse.”

“E o que seria? Sua alma?” Sofia zombou, a dor se transformando em amargura. “Você se sacrificou pela escuridão?”

“Eu me sacrifiquei para impedir um mal maior,” disse Valerius, erguendo o olhar novamente, com uma determinação sombria em seus olhos. “E agora, você precisa ir, Sofia. Antes que seja tarde demais.”

“Eu não vou a lugar nenhum sem você,” declarou Sofia, a voz firme. “Se você caiu, eu vou cair com você. Se há uma luz em você, eu vou buscá-la. Mas não vou deixá-lo em paz.”

Valerius deu um passo para trás, o olhar obscurecido por uma emoção que ele tentava desesperadamente esconder. “Você não entende o perigo. Malakor não perdoa. E eu… eu não sou mais o homem que você conheceu.”

“Eu não acredito nisso!” Sofia gritou, dando um passo em sua direção. “Eu me recuso a acreditar!”

Lysander interveio, colocando-se entre Sofia e Valerius. “Valerius. A Princesa Sofia veio buscá-lo. A questão é: você pretende voltar com ela, ou continuar nesse caminho?”

Valerius olhou para Lysander, um ódio latente em seus olhos. “Você se intromete onde não é chamado, feiticeiro.”

“Eu apenas facilito encontros,” respondeu Lysander, com um sorriso zombeteiro. “E você, Valerius, parece estar em uma encruzilhada. O passado ou o futuro sombrio?”

O silêncio se instalou, pesado e carregado. Valerius olhou para Sofia, e por um instante, ela viu o reflexo do homem que amava em seus olhos. A dor, a luta interna, o desespero.

“Eu não posso,” sussurrou Valerius, a voz quebrada. “Você precisa ir.”

E com um movimento rápido, antes que Sofia ou Lysander pudessem reagir, Valerius se virou e entrou no castelo, as pesadas portas se fechando com um estrondo atrás dele, selando-o novamente na escuridão. Sofia ficou parada, o coração partido, a imagem dele desaparecendo em sua mente como uma miragem cruel. A luta havia terminado, mas a batalha por Valerius estava apenas começando.

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