O Príncipe das Sombras III

Capítulo 23 — O Espelho Quebrado da Verdade

por Camila Costa

Capítulo 23 — O Espelho Quebrado da Verdade

A porta do castelo de Valerius bateu com um som final e sombrio, deixando Sofia do lado de fora, o eco da traição ressoando em seu peito. As lágrimas que ela tentara conter agora rolavam livremente por seu rosto, misturando-se à poeira e à desilusão. Valerius. Tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante. A visão dele, tão sombrio e implacável, era uma ferida que parecia impossível de sarar.

Lysander permaneceu ao seu lado, uma figura silenciosa na paisagem desolada. Ele não disse nada, nem tentou consolá-la. Apenas observou, os olhos atentos, avaliando a profundidade da dor de Sofia.

“Ele disse que não teve escolha,” Sofia sussurrou, a voz embargada, para ninguém em particular. “Mas como ele pôde escolher a escuridão em vez de mim? Em vez de seu reino?”

Lysander finalmente falou, sua voz grave cortando o silêncio. “Você o viu, Sofia. Ele está corrompido. Malakor não brinca em serviço. Se Valerius estava realmente em uma posição onde precisava fazer um pacto para proteger algo, Malakor certamente o está explorando para seu próprio benefício.”

“Mas o que ele precisava proteger?” Sofia perguntou, a esperança vacilante tentando se firmar. “Algo tão importante que o levou a se tornar um monstro?”

“Essa é a pergunta,” Lysander respondeu, um brilho de curiosidade em seus olhos. “E talvez a resposta esteja dentro do próprio castelo. Malakor não o deixaria livre sem ter garantido seu controle completo.”

A ideia de voltar para dentro do covil do inimigo, para o lugar onde Valerius agora residia, era aterradora. Mas a determinação de Sofia não vacilou. Ela não podia desistir. Não agora.

“Precisamos entrar,” ela disse, com uma nova resolução em sua voz. “Precisamos descobrir a verdade. Se ele foi forçado, se há algo que podemos usar contra Malakor, nós precisamos encontrar.”

Lysander assentiu. “A magia sombria de Malakor impregna este lugar. Precisaremos ser extremamente cuidadosos. Ele sentirá qualquer intrusão.”

Usando a ilusão novamente, eles se esgueiraram para dentro do castelo, navegando pelos corredores escuros e frios. A arquitetura, antes familiar para Sofia de suas poucas visitas ao reino de Valerius, agora estava distorcida, sombria, adornada com símbolos macabros. O ar estava pesado, carregado com um cheiro de mofo e algo mais… algo que Sofia não conseguia identificar, mas que a fazia sentir um profundo mal-estar.

Eles se moveram com cautela, evitando as patrulhas e os guardas de Malakor. Lysander era um guia experiente nas sombras, e Sofia, apesar do medo, mantinha a compostura, seu olhar varrendo cada canto em busca de algo, qualquer coisa, que pudesse oferecer uma pista.

Chegaram a uma biblioteca antiga, onde os livros estavam empilhados de forma desordenada, cobertos de poeira. Sofia sentiu um arrepio ao ver o brasão de Valerius em alguns dos volumes, agora manchado e rasgado.

“Valerius costumava amar estes livros,” Sofia murmurou, a voz cheia de saudade. “Ele passava horas aqui, aprendendo sobre história, sobre magia, sobre o bem-estar de seu povo.”

Lysander vasculhava as prateleiras. “Malakor deve ter procurado algo específico aqui. Algo que Valerius tentou esconder.”

De repente, Sofia notou um livro parcialmente escondido atrás de outros. Tinha uma capa de couro escuro e não apresentava nenhum símbolo visível. Ao pegá-lo, sentiu uma leve vibração em suas mãos. Era o diário de Valerius.

“Aqui!” ela exclamou, mostrando o livro para Lysander. “Este deve ser ele.”

Com dedos trêmulos, Sofia abriu o diário. As primeiras páginas estavam cheias da letra elegante e familiar de Valerius, falando sobre seus planos para o reino, suas esperanças para o futuro, e suas crescentes preocupações com a influência de Malakor se espalhando. Mas, à medida que avançava, a letra tornava-se mais apressada, mais desesperada.

Ela leu sobre a ameaça que Malakor representava, não apenas para Aethelgard, mas para todo o reino. Valerius havia descoberto planos terríveis de Malakor para desestabilizar a paz, para mergulhar todos em uma guerra eterna. Ele tentara resistir, mas Malakor possuía um poder sombrio que Valerius não conseguia confrontar diretamente.

Então, Sofia leu sobre a terrível escolha que Valerius enfrentou. Malakor havia capturado um grupo de crianças órfãs, que eram as únicas sobreviventes de uma vila que ele havia destruído. Eram os únicos remanescentes de uma linhagem antiga, ligada a uma magia poderosa que Malakor desejava controlar. Malakor deu a Valerius um ultimato: entregar seu reino e sua lealdade, ou ver as crianças serem sacrificadas.

Sofia largou o diário, o coração disparado. As palavras de Valerius ecoavam em sua mente. Crianças. Ele havia se sacrificado por crianças inocentes.

“Meu Deus,” ela sussurrou, cobrindo a boca. “Ele não estava sendo egoísta. Ele estava tentando salvar vidas.”

Lysander pegou o diário e leu as últimas páginas. “Ele fez um pacto. Uma troca. Ele se tornaria o ‘Príncipe das Sombras’, um dos guardiões de Malakor, em troca da segurança dessas crianças e da promessa de que Malakor não atacaria Aethelgard imediatamente.”

Sofia sentiu um misto de alívio e tristeza avassaladora. Alívio por saber que Valerius não havia se voltado para a escuridão por escolha própria, mas por um ato de sacrifício supremo. Tristeza pela dor que ele devia ter suportado, pela escuridão que ele agora carregava.

“Ele estava tentando nos proteger,” disse Sofia, as lágrimas voltando a cair, mas agora eram lágrimas de compreensão. “Ele nos deu tempo. Tempo para nos prepararmos.”

Lysander fechou o diário, pensativo. “Mas Malakor é astuto. Essa trégua não durará para sempre. E Valerius, ao se tornar um dos seus, agora está sob seu controle direto. Ele é um peão, Sofia, por mais nobre que tenha sido o motivo.”

Eles precisavam sair dali antes que fossem descobertos. Cada minuto que passavam no castelo era um risco. Sofia segurou o diário com força, sentindo o peso da responsabilidade que agora recaía sobre seus ombros. Ela sabia a verdade. Agora, ela precisava descobrir como usá-la.

Enquanto se dirigiam para a saída, ouviram um som. Passos pesados se aproximando. Guardas.

Lysander ativou a ilusão, mas desta vez, algo deu errado. Um brilho fraco emanou de Sofia, um resquício da magia pura que ela possuía, que interferiu com a ilusão de Lysander. Os guardas os viram.

“Intrusos!” gritou um deles.

A batalha começou novamente. Desta vez, eles estavam mais desesperados, mais apressados. Sofia lutava com uma fúria renovada, impulsionada pela verdade que descobrira. Ela não era mais uma donzela em perigo, mas uma guerreira que lutava por um amor torturado e por um reino ameaçado.

No meio da luta, a porta principal do castelo se abriu novamente. E lá estava ele. Valerius. Seus olhos vermelhos estavam fixos em Sofia, uma expressão de choque e raiva em seu rosto.

“Sofia! O que você está fazendo aqui? Eu disse para você ir!” ele gritou, a voz carregada de desespero.

“Eu não podia ir!” Sofia respondeu, desviando de um golpe de espada. “Eu precisava saber a verdade, Valerius! E eu sei! Eu sei por que você fez isso!”

Um lampejo de esperança, tão frágil quanto um sopro, surgiu nos olhos de Valerius. Mas foi rapidamente obscurecido pela sombria lealdade que Malakor lhe impunha.

“Você não pode mudar nada, Sofia,” disse Valerius, a voz fria. “Agora vá, antes que seja tarde demais para nós dois.”

“Eu não vou te deixar aqui, Valerius!” Sofia declarou, com a voz embargada. “Eu vou te tirar dessa escuridão. Eu prometo!”

Valerius a olhou por um longo momento, e Sofia viu a batalha em sua alma. Uma parte dele ansiava por sua liberdade, mas a outra estava presa nas garras de Malakor.

“Você não entende o preço,” sussurrou Valerius, e então, com um grito sombrio, ele se virou para enfrentar seus próprios guardas, lutando contra eles com uma ferocidade assustadora. Parecia que ele estava lutando contra si mesmo, contra a influência de Malakor que o controlava.

Sofia entendeu. Ele estava tentando protegê-la, dar a ela e a Lysander uma chance de escapar. E ela não o decepcionaria.

Com o diário de Valerius em mãos, Sofia e Lysander fizeram uma retirada estratégica, deixando para trás o Príncipe das Sombras, preso em seu próprio labirinto de sacrifício e escuridão. A verdade havia sido descoberta, mas a luta para salvar Valerius estava longe de terminar.

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