O Príncipe das Sombras III

Capítulo 3 — A Sombra do Passado se Estende

por Camila Costa

Capítulo 3 — A Sombra do Passado se Estende

Os primeiros raios de sol timidamente tentavam romper a densa cobertura de nuvens que pairava sobre Paraty. O ar, limpo pela chuva da noite, trazia um aroma fresco de maresia e vegetação úmida. Mas para Isabella, o sol parecia uma afronta. A noite anterior havia sido um turbilhão de emoções, um reencontro que a deixou exausta e confusa. A promessa de Alexandre, a declaração de amor e a subsequente necessidade de mantê-la separada, tudo pesava em sua consciência.

Ela observava Alexandre da cozinha, onde Dona Adelaide preparava um café da manhã reforçado. Ele estava sentado à mesa da sala, absorto em um jornal que parecia mais um escudo do que uma fonte de informação. Havia algo nele que a incomodava, uma aura de controle e mistério que, apesar de sempre ter existido, agora parecia mais palpável, mais intimidadora.

"Ele parece um predador em seu habitat", Isabella comentou baixinho para a tia, que secava um prato com atenção.

Dona Adelaide sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos. "Predadores, Isabella, têm instintos aguçados. E muitas vezes, eles são atraídos pelo que lhes pertence. Ou pelo que eles acreditam pertencer." Ela olhou para a sobrinha, o olhar de preocupação evidente. "Você tem certeza que quer se jogar nessa história de novo? Ele te fez sofrer muito."

"Eu sei, tia. Mas… não é simples. Há algo nele que me puxa, algo que eu não consigo entender." Isabella suspirou, a mão percorrendo a bancada fria de mármore. "E ele disse que voltou por mim. Que me ama."

Dona Adelaide balançou a cabeça, resignada. "Amor é uma força poderosa, meu bem. Mas também pode ser uma arma. E Alexandre, como você bem disse, é um mestre em usar as ferramentas que tem à sua disposição."

O café da manhã foi servido em um silêncio que se tornou desconfortável. Alexandre parecia ter uma capacidade inata de preencher o espaço com sua presença, mesmo em silêncio. Ele evitava o olhar de Isabella, focando em sua comida com uma concentração quase estudada.

"Então, Isabella", ele disse de repente, quebrando o silêncio. "Como tem sido sua vida em São Paulo? Você finalmente abriu seu próprio escritório?"

A pergunta, tão casual, soou como uma tentativa de retomar a normalidade, como se a noite anterior não tivesse acontecido. "Sim. O 'Estúdio Íris'. Tem sido… desafiador. Mas gratificante." Ela o encarou. "E você? Onde seus negócios o levaram desta vez?"

Ele deu um leve sorriso, um brilho de algo que ela não conseguia decifrar em seus olhos. "O mundo. África, Ásia, Europa. Um pouco de tudo. Os negócios, sabe como é, exigem presença constante."

"Presença constante", Isabella repetiu, o tom carregado de ironia. "Parece que você é especialista em desaparecer."

Alexandre parou de comer, o olhar fixo nela. O clima na sala mudou instantaneamente. "Eu não desapareci, Isabella. Eu me afastei para te proteger. E para proteger o que construímos."

"O que construímos? Ou o que você construiu e eu não pude participar?", ela retrucou, sentindo a raiva borbulhar.

Dona Adelaide pigarreou, tentando intervir. "Vamos deixar o passado para trás, por hoje. O importante é que todos estão seguros e reunidos."

Alexandre ignorou a tia, o olhar ainda preso em Isabella. "Eu fiz o que tive que fazer. Para que você pudesse ter uma vida. Uma vida que eu não podia te oferecer na época."

"E agora pode?", ela perguntou, a voz embargada. "Agora que você se tornou o 'príncipe das sombras', com seus negócios obscuros e seu passado misterioso?"

Ele se levantou, a cadeira raspando no chão. Caminhou até ela, parando a poucos centímetros de distância. O perfume dele, uma mistura de madeira e algo mais indescritível, a envolvia. "Eu não me tornei quem eu sou agora, Isabella. Eu sempre fui assim. Você é que não via."

"Eu via o homem que me amava! O homem com quem eu sonhava construir um futuro!", ela disse, a voz embargada de emoção.

Ele a segurou pelos braços, a força dele a prendendo. "E eu te amava! Te amo! Mas o amor, às vezes, exige sacrifícios. E o meu sacrifício foi te deixar ir para que você pudesse florescer."

"Florescer? Eu quase morri, Alexandre!", ela gritou, as lágrimas começando a cair.

O olhar dele se suavizou, a raiva se dissipando, substituída por uma dor profunda. "Eu sei. E por isso, agora, eu voltei. Para garantir que você nunca mais precise sofrer por minha causa." Ele a puxou para perto, o abraço apertado e protetor. Ela se entregou, o corpo tremendo.

"Mas você não pode simplesmente voltar e esperar que tudo se resolva", ela sussurrou contra o peito dele. "Há pessoas que não querem que você aqui. Há perigos que você não conhece."

Ele a afastou levemente, o olhar escuro e determinado. "Eu conheço os perigos, Isabella. E eu sei lidar com eles. Ninguém vai te machucar enquanto eu estiver por perto."

A declaração de proteção soou como um alarme em sua mente. Ela sabia que Alexandre estava envolvido em algo perigoso, algo que o obrigou a partir e que agora o trazia de volta.

"Quem são essas pessoas, Alexandre?", ela perguntou, a voz baixa e tensa. "O que você fez?"

Ele hesitou por um instante, o olhar evasivo. "Assuntos que você não precisa se preocupar. Eu estou aqui para te proteger, não para te envolver em meus problemas."

"Mas eu já estou envolvida, Alexandre! Você voltou para mim. E se você está em perigo, eu também estou."

Dona Adelaide, que observava a cena com preocupação, se aproximou. "Alexandre, com todo respeito, mas o que você traz consigo é uma tempestade. E eu não quero que minha sobrinha se afogue nela mais uma vez."

Alexandre se virou para Dona Adelaide, o respeito em seu olhar, mas a determinação inabalável. "Eu entendo sua preocupação, tia Adelaide. Mas eu não posso mais me afastar. E eu não vou deixar Isabella para trás."

Ele se voltou para Isabella, a intensidade em seu olhar se intensificando. "Eu vim para ficar, Isabella. Para te amar e para te proteger. E para resolver todos os assuntos pendentes que me tiraram de você."

A decisão dele era clara, inflexível. Isabella sentiu um misto de alívio e apreensão. A volta dele era um bálsamo para a alma ferida, mas também uma porta aberta para um futuro incerto e perigoso.

Nos dias que se seguiram, Alexandre se instalou no casarão, trazendo consigo uma aura de mistério e de perigo que pairava sobre Paraty. Ele parecia estar sempre em alerta, com os olhos atentos a cada movimento, a cada sombra. Isabella tentava retomar a rotina, mas a presença dele era um constante lembrete de tudo que ela havia perdido e que agora parecia voltar, de forma avassaladora.

Uma tarde, enquanto passeavam pela praia, o sol se pondo no horizonte em tons de laranja e roxo, Isabella o confrontou. "Alexandre, você não pode continuar agindo como se nada tivesse acontecido. O que está acontecendo? Por que você voltou?"

Ele parou, o olhar fixo no mar. "Porque eu não podia mais viver longe de você, Isabella. E porque o meu passado me alcançou."

"Seu passado?", ela repetiu, o coração apertado. "Que passado?"

Ele se virou para ela, o olhar escuro carregado de uma melancolia profunda. "Um passado de escolhas difíceis. De negócios arriscados. Eu fiz coisas, Isabella. Coisas que me trouxeram até aqui. E agora, essas coisas querem me tirar de você novamente."

"Quem são eles?", ela insistiu.

"Pessoas que acreditam que eu os traí. Que eu roubei algo que era deles. E eles não vão parar até me verem destruído."

Isabella sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A ideia de Alexandre em perigo a aterrorizava. Ela o amava, e mesmo com toda a dor que ele lhe causara, ela não podia suportar a ideia de perdê-lo novamente.

"O que podemos fazer?", ela perguntou, a voz trêmula.

Ele a puxou para perto, o abraço reconfortante. "Você não precisa fazer nada, Isabella. Apenas confie em mim. Eu vou resolver isso. Eu sempre resolvo."

Mas Isabella sabia que desta vez era diferente. A sombra do passado de Alexandre não era apenas uma ameaça para ele, mas para todos ao seu redor. E ela, mais do que nunca, estava no centro dessa sombra. O príncipe das sombras havia retornado, e sua luta pela sobrevivência, e pelo amor de Isabella, estava apenas começando.

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