O Príncipe das Sombras III

Capítulo 5 — O Confronto nas Ruínas da Capela

por Camila Costa

Capítulo 5 — O Confronto nas Ruínas da Capela

A brisa noturna de Paraty, que antes trazia o aroma reconfortante do mar, agora parecia carregar consigo um prenúncio de perigo. Alexandre sentia isso em seus ossos, uma tensão sutil que anunciava a aproximação de uma tempestade. Victor, o homem que ele um dia chamou de amigo e agora via como a personificação da traição, estava se aproximando. E ele não viria para um chá da tarde.

Isabella, percebendo a inquietação de Alexandre, o observava com uma apreensão crescente. A troca de cartas revelara a profundidade do amor dele e o sacrifício que o motivara a partir, mas também expusera a teia de perigos que o cercava.

"Você está tenso", ela comentou, a voz baixa, enquanto observavam a lua emergir entre as nuvens.

Alexandre a puxou para perto, o abraço forte e protetor. "Victor está por perto. Eu sinto o cheiro dele no ar. E ele não virá para uma conversa amigável."

O nome de Victor pairava no ar como uma ameaça tangível. Isabella sentia o medo rastejar em sua espinha, mas a presença de Alexandre a acalmava de uma forma estranha. Ele era sua âncora em meio à incerteza.

"O que ele quer?", ela perguntou, a voz um sussurro.

"Ele acredita que eu o traí. Que roubei algo que era dele. E ele quer vingança." Alexandre a beijou no topo da cabeça. "Mas eu não vou deixar que ele te machuque, Isabella. Nunca mais."

Na manhã seguinte, a atmosfera em Paraty estava carregada de uma eletricidade invisível. Alexandre passou a manhã em ligações discretas, seu olhar constantemente varrendo os arredus com uma vigilância intensa. Ele instruiu Dona Adelaide a manter Isabella segura dentro do casarão, com as portas e janelas trancadas.

"Eu não quero ficar aqui trancada, Alexandre!", Isabella protestou, sentindo-se como um pássaro engaiolado.

"É para o seu bem, meu amor", ele disse, o olhar sério. "Eu não sei o que Victor planeja, mas eu não vou arriscar. Eu já te perdi uma vez. Não vou permitir que isso aconteça de novo."

Por volta do meio-dia, Alexandre recebeu uma mensagem em seu celular. Ele leu rapidamente, o rosto se tornando sombrio. "Ele está se movendo. Ele quer um confronto."

"Onde?", Isabella perguntou, o coração disparado.

Alexandre hesitou. "As ruínas da antiga capela, no alto da colina. É um lugar isolado. Perfeito para o que ele tem em mente."

"Eu vou com você", ela declarou, a voz firme.

"Nem pensar!", ele disse, a voz dura. "Você vai ficar aqui com a sua tia."

"Alexandre, eu não sou mais a garota que você deixou para trás. Eu sei me cuidar. E eu não vou ficar aqui esperando, sem saber o que está acontecendo." Isabella o encarou, a determinação brilhando em seus olhos. "Se você vai enfrentar Victor, eu também vou. Eu sou parte disso agora."

Alexandre a observou por um longo momento, a luta interna visível em seu rosto. Ele via a força nela, a coragem que ele tanto amava. Finalmente, ele cedeu, com um suspiro resignado. "Tudo bem. Mas você vai fazer exatamente o que eu disser. E se algo der errado, você foge. Entendeu?"

Isabella assentiu, um misto de medo e determinação.

Enquanto se preparavam, Alexandre entregou a ela uma pistola. Isabella a segurou com as mãos trêmulas, o peso do metal frio em sua palma. Era real. O perigo era real.

A subida até as ruínas da capela era íngreme e tortuosa. O sol da tarde projetava longas sombras que dançavam entre as árvores. O silêncio era opressivo, quebrado apenas pelo canto dos pássaros e pelo som de seus próprios corações acelerados.

Ao chegarem ao topo, a visão das ruínas da capela desolada os atingiu. As paredes de pedra, corroídas pelo tempo, erguiam-se como esqueletos de um passado esquecido. O altar, quebrado e coberto de musgo, parecia um túmulo.

Alexandre sacou sua arma, o olhar atento aos arredores. "Fique atrás de mim, Isabella. E não saia do meu lado."

Eles avançaram cautelosamente, o chão coberto de pedras soltas e folhas secas. O vento uivava entre as ruínas, criando um som fantasmagórico.

De repente, uma voz ecoou das sombras. "Ora, ora. O príncipe das sombras retorna. E trouxe sua donzela para assistir ao espetáculo."

Victor emergiu das ruínas, um homem de feições frias e um sorriso cruel nos lábios. Ele estava bem vestido, impecável, contrastando com a desolação do local. Ao seu lado, dois homens musculosos, com olhares vazios e armados.

"Victor", Alexandre disse, a voz calma, mas carregada de tensão. "Acabou. Volte para onde você veio."

Victor riu, um som seco e sem humor. "Acabou? Mal começou, Alexandre. Você acha que pode me roubar e sair ileso? Você tirou o que era meu. E agora, eu vou tirar tudo de você. Inclusive a sua amada."

Ele fez um gesto em direção a Isabella. "Ela é linda. Um pouco frágil para o seu mundo, não acha? Talvez eu possa cuidar dela melhor."

A raiva tomou conta de Alexandre. Ele deu um passo à frente, a arma em punho. "Você não vai tocá-la, Victor. Nem um fio de cabelo."

"Ah, a proteção do amado! Que bonito!", Victor zombou. "Mas você não é mais o mesmo, Alexandre. Você se tornou um covarde. Um traidor."

"Eu fiz o que tinha que fazer. E você sabe disso", Alexandre retrucou.

"Eu sei que você me deixou para trás. Que você preferiu sua nova vida, suas novas conquistas, a nossa amizade. A nossa lealdade."

"Lealdade? Você se afastou de tudo que era certo, Victor. Você se perdeu na ganância."

"E você se perdeu no amor!", Victor gritou, o rosto contorcido de raiva. "E agora, seu amor vai ser a sua ruína!"

Com um grito, Victor fez um sinal para seus homens. Eles avançaram. Alexandre reagiu rapidamente, disparando contra um deles. O som dos tiros ecoou pelas ruínas, quebrando o silêncio sepulcral.

Isabella, assustada, mas determinada, sacou a pistola. Ela não podia ficar parada. Ela viu um dos homens de Victor se aproximar de Alexandre pelas costas e disparou, acertando-o no ombro. Ele cambaleou, soltando a arma.

O segundo homem de Victor se virou para ela, o olhar cheio de ódio. Alexandre, percebendo o perigo, se jogou na frente dela, recebendo um golpe de faca no braço.

"Alexandre!", Isabella gritou, o desespero tomando conta.

O confronto se tornou caótico. Alexandre, ferido, lutava com o primeiro homem, enquanto Victor se dirigia para Isabella. Ela se esquivou, correndo para trás de uma parede de pedra.

"Você não vai escapar, sua vadiazinha!", Victor rosnou, avançando em sua direção.

Isabella, lembrando-se das palavras de Alexandre, de que ela precisava se proteger, mirou com a pistola. O medo a consumia, mas a determinação de sobreviver era maior. Ela apertou o gatilho. O tiro ecoou.

Victor parou, surpreso, uma expressão de incredulidade em seu rosto. Ele olhou para baixo e viu a marca no peito de sua camisa. A surpresa se transformou em dor. Ele cambaleou, caindo no chão, sua arma rolando para longe.

Alexandre, aproveitando a distração, derrubou o último homem de Victor. Ele se virou, ofegante, e correu para Isabella.

"Você está bem?", ele perguntou, o rosto pálido, a mão no ferimento do braço.

Isabella, tremendo, assentiu. "E você?"

Ele a abraçou com força, ignorando a dor. "Estou vivo. Graças a você." Ele a olhou nos olhos, o amor e a gratidão transbordando em seu olhar. "Você é mais forte do que eu imaginava."

A batalha havia terminado. As sombras de Victor foram dissipadas, mas o preço foi alto. Alexandre estava ferido, e o peso do passado parecia ter cobrado seu tributo.

Enquanto o sol se punha, pintando o céu de tons vibrantes de dor e esperança, Alexandre e Isabella se abraçavam entre as ruínas da capela. A tempestade havia passado, mas as cicatrizes permaneceriam. A escuridão havia tentado engoli-los, mas a luz do amor deles, fortalecida pela provação, havia prevalecido. O príncipe das sombras e sua amada haviam enfrentado seus demônios, e juntos, estavam prontos para trilhar o caminho que o futuro lhes reservava, um caminho incerto, mas trilhado lado a lado. A sombra ainda existia, mas agora, ela não os assustava mais. Eles eram a luz que a desafiava.

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