Cap. 10 / 21

Cativa do seu Amor

Capítulo 10 — A Verdade Nua e Crua

por Isabela Santos

Capítulo 10 — A Verdade Nua e Crua

O alvorecer da manhã seguinte trouxe consigo a clareza fria da responsabilidade. A euforia da noite anterior, o êxtase do amor recém-declarado no Mirante Dona Marta, dava lugar à dura realidade dos fatos. Mariana sabia que a conversa com Fernando era inevitável, um passo doloroso, mas necessário, para que ela pudesse seguir em frente com Ricardo.

Ela o encontrou na sala de estar, sentado em sua poltrona favorita, como se estivesse ali há horas, imerso em pensamentos sombrios. O jornal que repousava em seu colo estava intocado, o café na xícara ao lado, frio. Seus olhos azuis, antes tão vibrantes, agora pareciam opacos, carregados de uma tristeza profunda.

Mariana aproximou-se devagar, o coração apertado. O silêncio que pairava entre eles era mais pesado do que nunca, prenunciando a tempestade que estava por vir. Ela se ajoelhou diante dele, buscando seu olhar.

“Fernando…” Sua voz soou fraca, quase um sussurro.

Ele ergueu os olhos, e Mariana viu neles não a raiva que esperava, mas uma resignação dolorosa. Era como se ele já soubesse o que ela iria dizer, como se já tivesse aceitado o veredito.

“Eu sei, Mariana”, ele disse, a voz baixa e rouca. “Eu sei que você vai me deixar.”

Aquelas palavras, ditas com tanta calma, a atingiram mais do que qualquer grito de acusação. “Fernando, eu… eu sinto muito. Sinto muito por tudo. Por ter te magoado, por ter te traído a confiança. Eu… eu te amo, mas… eu amo o Ricardo.”

A confissão, dita com sinceridade, pareceu quebrar algo dentro de Fernando. Ele fechou os olhos, uma lágrima solitária escorrendo pela sua face. “Eu também te amei, Mariana. Amei com toda a minha alma. Achei que tínhamos um futuro, um amor que superaria tudo. Mas eu estava errado. Você nunca foi minha de verdade.”

Ele abriu os olhos novamente, um brilho diferente neles agora, uma centelha de força que Mariana não via há dias. “Sabe, Mariana, quando você me contou sobre o Ricardo, a dor foi imensa. Mas depois… depois eu pensei. Pensei em nós, em tudo que vivemos. E percebi que não vale a pena lutar por um amor que não é recíproco. Não vale a pena tentar manter alguém ao seu lado que não te ama de verdade.”

Mariana sentiu um nó na garganta, as lágrimas voltando a brotar. “Fernando, não diga isso. Eu não… eu não sou assim. Eu só…”

“Você é o que você é, Mariana”, ele a interrompeu, com uma gentileza que a desarmou. “E eu respeito isso. Por mais que doa. Eu nunca te forçaria a ficar comigo se o seu coração pertence a outro. Seria uma covardia da minha parte.” Ele fez uma pausa, respirando fundo. “O que me dói mais é a forma como aconteceu. A traição. A mentira. Mas… tudo bem. Vamos deixar isso para trás.”

Ele se levantou, e Mariana o acompanhou com o olhar. Ele parecia mais leve, como se um fardo imenso tivesse sido retirado de seus ombros. “Eu vou me mudar. Preciso de um tempo para me reerguer. Mas eu não guardo rancor, Mariana. Apenas… dor. E a esperança de que você seja feliz.”

Ele estendeu a mão para ela, um gesto de despedida. Mariana a segurou, as mãos tremendo. “Fernando, eu… eu espero que um dia você me perdoe.”

“Eu já te perdoei, Mariana”, ele disse, com um leve sorriso. “Eu te perdoo porque eu te amei. E amar é, acima de tudo, querer a felicidade da pessoa amada, mesmo que essa felicidade não seja ao seu lado.”

Ele se virou e caminhou em direção à porta do quarto. Parou por um instante, como se quisesse dizer algo mais, mas decidiu não fazê-lo. Saiu do apartamento, deixando Mariana sozinha em meio ao silêncio pesado e à dor dilacerante da despedida.

O apartamento, antes um lar cheio de sonhos, agora parecia vazio, ecoando os passos que se foram. Mariana se permitiu chorar, um choro profundo e libertador, liberando a culpa, a dor e a confusão que a consumiam há semanas. Ela havia escolhido o amor, a paixão avassaladora por Ricardo, mas o preço fora alto. A perda de Fernando, de um amor seguro e construído, era uma ferida que levaria tempo para cicatrizar.

Horas depois, quando o sol já estava alto no céu, o celular de Mariana tocou. Era Ricardo.

“Eu sei que você conversou com o Fernando”, ele disse, a voz carregada de preocupação.

“Sim”, Mariana respondeu, a voz ainda embargada. “Ele foi… compreensivo. Mais do que eu esperava.”

“E você está bem?”, ele perguntou.

“Estou… estou lidando com isso”, ela disse. “É doloroso, mas é o certo a fazer. Eu precisava ser honesta.”

“Eu sei”, Ricardo disse. “E eu admiro a sua coragem. Eu te amo, Mariana. E eu estarei aqui, por você, para tudo.”

As palavras dele foram um bálsamo para sua alma ferida. Ela sabia que o caminho à frente seria desafiador. Haveria obstáculos, julgamentos, a reconstrução de suas vidas. Mas ela também sabia que, ao lado de Ricardo, ela teria a chance de viver um amor verdadeiro, intenso e apaixonado, um amor que a faria sentir completa.

O amor, afinal, não era um caminho fácil. Era uma estrada sinuosa, cheia de curvas inesperadas, de altos e baixos, de alegrias e tristezas. Mas, para Mariana, naquele momento, o destino final valia a pena o perigo da jornada. Ela estava cativa do amor de Ricardo, e ele, de seu amor. E juntos, eles enfrentariam o que viesse pela frente, um capítulo de cada vez.

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