Cap. 21 / 21

Cativa do seu Amor

Cativa do seu Amor

por Isabela Santos

Cativa do seu Amor

Autor: Isabela Santos

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Capítulo 21 — O Labirinto da Verdade

O ar no ateliê de Helena parecia rarefeito, denso com a expectativa que se instalara entre ela e Rafael. A tela em branco, antes um convite à criação, agora parecia zombar da tempestade que se formava em seus corações. As palavras de Rafael ecoavam no silêncio, carregadas de um peso que Helena jamais imaginara ser capaz de suportar. "Eu sei quem o seu pai é, Helena. E ele não é quem você pensa."

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. Seus dedos, que momentos antes acariciavam a textura da tela, agora tremiam descontroladamente. Olhou para Rafael, buscando nos seus olhos a confirmação, o desmentido, qualquer coisa que pudesse trazer um pouco de clareza a esse turbilhão. Mas nos olhos dele, ela via apenas a dor e a hesitação de quem carrega um fardo pesado demais.

"Rafael... o que você está dizendo?", sua voz soou rouca, um sussurro frágil que mal quebrava o silêncio opressor. "Meu pai... ele se foi quando eu era criança. A mãe contou... ela sempre me disse que ele era um homem bom, um homem que a amava muito."

Rafael fechou os olhos por um instante, respirando fundo como se buscasse as palavras certas em algum lugar além da realidade palpável. Quando os abriu novamente, eram de um azul profundo, intensos e carregados de uma verdade dolorosa. "Helena, a sua mãe... ela te protegeu. Ela te protegeu tanto que, talvez, tenha criado uma realidade paralela para você. O homem que você conheceu como seu pai... ele não era quem dizia ser."

Um arrepio gelado percorreu a espinha de Helena. As memórias de infância, antes tidas como preciosas e sólidas, começaram a se desfazer, como areia escorrendo entre os dedos. O rosto gentil, o abraço forte, as histórias contadas antes de dormir... seriam todas elas apenas uma ilusão?

"Eu não entendo", ela murmurou, a voz embargada pela confusão e pelo medo crescente. "Quem era ele, então? E você... como você sabe disso?"

Rafael deu um passo hesitante em direção a ela, mas parou, respeitando o espaço que parecia se expandir entre eles. "É uma história longa, Helena. Uma história que envolve o meu próprio passado, a minha família e um erro terrível que eu cometi anos atrás. Um erro que me custou caro e que, agora, me força a te contar a verdade, por mais dolorosa que seja."

Ele começou a falar, e cada palavra era como uma pedra jogada em um lago calmo, criando ondas de choque que abalavam a serenidade de Helena. Contou sobre a rivalidade antiga entre as famílias, sobre um acordo que falhou, sobre traição e sobre um homem implacável que se escondeu nas sombras por anos, manipulando vidas e fortunas. E então, ele disse o nome. O nome que Helena ouvia em sussurros de admiração e respeito de sua mãe. O nome que, agora, soava como uma condenação.

"O seu pai, Helena... ele era Arthur Valente. E Arthur Valente não era um homem bom. Ele era um homem perigoso. E eu... eu fui cúmplice, em certo ponto, de tudo o que ele fez." A confissão veio com um suspiro pesado, a dor em sua voz tão palpável quanto a que Helena sentia corroer seu próprio peito.

Helena sentiu as pernas fraquejarem. Arthur Valente. O nome era infame nos círculos empresariais, associado a escândalos e a um poder sombrio. Como poderia aquele homem, o pai que ela idealizava, ser a mesma pessoa sobre a qual Rafael falava com tanto pesar?

"Não...", ela balbuciou, negando com a cabeça, incapaz de processar a informação. "Minha mãe jamais... ela jamais me enganaria assim. Ela me amava. E ele... ele a amava."

"Amor...", Rafael repetiu, um tom amargo em sua voz. "O amor pode ser uma arma poderosa, Helena. E pode ser uma prisão. A sua mãe, para te proteger do mundo cruel de Arthur, e para se proteger dele, criou essa fachada. Ela escondeu a verdade, e eu... eu permiti que isso acontecesse por muito tempo."

Ele contou sobre como conheceu Arthur Valente, sobre a influência dele em sua juventude, sobre como se viu envolvido em negócios escusos e como, eventualmente, percebeu a monstruosidade que se escondia por trás da fachada carismática. E revelou o principal: a sua ligação com a mãe de Helena, um relacionamento complexo e doloroso que ele havia tentado apagar de sua vida, mas que o destino insistia em trazer de volta.

"Eu me apaixonei pela sua mãe, Helena. E ela por mim. Mas Arthur... ele era possessivo, cruel. Ele descobriu, e as coisas se tornaram perigosas. Sua mãe, para te salvar de tudo isso, inventou a história do pai falecido. Ela te afastou de tudo, te deu uma vida que ela achava que seria segura. E eu... eu me afastei. Achei que era o melhor."

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Helena, quentes e salgadas. A imagem de sua mãe, a mulher forte e resiliente que sempre admirou, agora se misturava com a de uma mulher assustada e desesperada, forçada a criar uma mentira para proteger a filha. E a imagem de seu pai, o herói idealizado, se desfazia em pedaços, revelando um monstro.

"Então... tudo o que eu achava que sabia... minha infância... tudo foi uma mentira?", ela perguntou, a voz falhando a cada palavra.

"Uma mentira construída com amor e medo, Helena. A sua mãe fez o que achou que era certo. E eu... eu sou um covarde por ter me afastado e deixado que você vivesse nessa ilusão por tanto tempo." Rafael estendeu a mão, mas novamente hesitou. O abismo entre eles parecia intransponível.

Helena olhou para a tela em branco, o símbolo de sua arte, de sua busca por expressão. Agora, parecia que até mesmo sua arte estava manchada por essa verdade sombria. Quem era ela, afinal? Filha de um monstro, protegida por uma mãe que mentiu, amada por um homem que se sentia culpado?

"Eu preciso de um tempo, Rafael", ela disse, a voz firme, apesar do tremor interno. "Eu preciso pensar. Eu preciso entender. Você me jogou em um labirinto, e eu não sei se consigo encontrar a saída."

Ela se virou, evitando o olhar dele, e caminhou em direção à porta do ateliê. Cada passo era pesado, como se estivesse carregando o peso de todas as verdades escondidas. Ao abrir a porta, olhou para trás, para Rafael, parado no centro da sala, a figura solitária em meio à tempestade que ele mesmo desencadeou.

"Eu não sei o que vai acontecer agora", ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele. E saiu, deixando Rafael sozinho com as telas em branco e o eco de uma verdade que, para ambos, seria um divisor de águas.

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