Cativa do seu Amor

Cativa do seu Amor

por Isabela Santos

Cativa do seu Amor

Autor: Isabela Santos

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Capítulo 6 — O Beijo Roubado Sob a Chuva Torrencial

A noite caía sobre o Rio de Janeiro com a urgência que só a primavera carioca sabe imprimir. As nuvens, pesadas e escuras, prometiam uma tempestade, mas o céu parecia alheio à agitação que tomava conta do terraço do Leblon. Mariana, com seus cabelos presos num coque frouxo que teimava em escapar, observava a cidade cintilante lá embaixo, uma tapeçaria de luzes que se espalhava até o infinito. O vinho tinto em sua taça refletia as cores do pôr do sol tardio, um espetáculo agridoce que espelhava seu próprio estado de espírito.

Desde o último encontro com Ricardo, uma inquietação sutil a assaltava. As palavras dele, a intensidade em seu olhar, a forma como sua presença parecia incendiar o ar ao redor – tudo isso se gravava em sua mente como uma melodia persistente. Ela tentava racionalizar, afastar os pensamentos que a levavam invariavelmente de volta a ele. Afinal, Ricardo era o sócio de seu noivo, um homem que ela sabia pertencer a um mundo diferente, um mundo de negócios e responsabilidades que ela, com sua alma artística, mal compreendia.

“Perdida nos seus pensamentos, meu amor?”

A voz grave e sedutora de Fernando soou atrás dela, tirando-a de seu devaneio. Ele se aproximou, um sorriso confiante nos lábios, os olhos azuis penetrantes fixos nos dela. Fernando era tudo que ela sempre pensou querer: bem-sucedido, elegante, um porto seguro. Um príncipe encantado em sua armadura de grife.

“Só admirando a vista, amor. Está linda hoje, não acha?” Mariana forçou um sorriso, tentando afastar a sombra de culpa que se instalava em seu peito.

Fernando a envolveu com um braço, puxando-a para perto. O perfume amadeirado dele a envolveu, um aroma familiar e reconfortante. “A vista é linda, sim. Mas você, meu amor, é a paisagem mais deslumbrante de todas.” Ele se inclinou e depositou um beijo suave em sua testa, um gesto que, por mais carinhoso que fosse, parecia agora insuficiente para preencher o vazio que se abria em seu interior.

Conversaram sobre trivialidades, sobre os preparativos do casamento que se aproximava, sobre os planos para a lua de mel em Santorini. Cada palavra trocada, porém, parecia um eco distante na mente de Mariana. Ela se sentia como uma atriz em um palco, recitando falas que já não lhe pertenciam.

De repente, um raio rasgou o céu, seguido por um trovão estrondoso que fez o prédio tremer. As primeiras gotas grossas de chuva começaram a cair, batendo contra o vidro com a força de mil tambores.

“Parece que a tempestade chegou”, disse Fernando, olhando para o céu negro. “Vamos descer, antes que fiquemos encharcados.”

Mariana assentiu, mas antes que pudessem se afastar, uma figura surgiu da porta que levava para a área de serviço. Era Ricardo. Ele estava molhado, o cabelo preto colado à testa, a camisa social encharcada aderindo ao corpo. O brilho nos seus olhos, intensificado pela pouca luz, parecia desafiar a escuridão da noite.

“Ricardo? O que faz aqui?” A voz de Fernando soou surpresa, com um toque de irritação velada.

Ricardo deu um passo à frente, ignorando a pergunta. Seus olhos encontraram os de Mariana, e naquele instante, o mundo pareceu parar. A chuva lá fora, o burburinho da cidade, a presença de Fernando – tudo se desvaneceu. Havia apenas o olhar dele, um convite silencioso e perigoso.

“Eu… eu precisava falar com você, Mariana”, disse Ricardo, a voz rouca, carregada de uma emoção que ele não tentava esconder.

Fernando pigarreou, um tom de possessividade tingindo sua voz. “Falar comigo, Ricardo? Achei que tivéssemos encerrado nossos assuntos mais cedo.”

“Não, Fernando. Não estou falando com você.” Ricardo não desviou o olhar de Mariana. “Estou falando com ela.”

Um silêncio carregado pairou no ar, quebrado apenas pelo som cada vez mais intenso da chuva. Mariana sentiu o coração disparar no peito, um tambor frenético anunciando o perigo iminente. Ela sabia que não deveria. Sabia que estava caminhando para o abismo, mas seus pés pareciam pregados ao chão.

“Ricardo, isso não é apropriado”, disse Fernando, sua voz agora tensa.

Ricardo deu um passo à frente, aproximando-se de Mariana. A proximidade dele era avassaladora, o cheiro de chuva e a fragrância masculina que emanava de sua pele a embriagavam. “Apropriado? E o que é apropriado, Fernando? Viver uma mentira? Esconder o que realmente sentimos?”

Mariana olhou para Fernando, que a observava com uma expressão de confusão e mágoa. A culpa a atingiu como um raio. Ela não podia fazer isso. Não com ele. Mas o olhar de Ricardo a prendia, hipnotizava.

“Mariana…”, começou Fernando, mas foi interrompido por Ricardo, que, num impulso repentino, a puxou pela mão.

“Venha comigo”, disse ele, sua voz um sussurro urgente.

Fernando tentou segurá-la, mas Ricardo foi mais rápido. Ele a conduziu para a varanda, em meio à chuva torrencial que agora caía impiedonável. A água gelada a atingiu em cheio, molhando-a até os ossos, mas ela mal sentia o frio. Seus olhos estavam fixos nos de Ricardo, um turbilhão de emoções conflitantes girando em sua alma.

“Por que você está fazendo isso, Ricardo?” ela perguntou, a voz trêmula, quase inaudível sob o barulho da chuva.

Ricardo a olhou intensamente, o rosto iluminado pelos relâmpagos que cruzavam o céu. Havia dor, desejo e uma resignação amarga em seus olhos. “Porque eu não aguento mais. Não aguento mais fingir que não te vejo. Não aguento mais ver você com ele.”

As palavras dele a atingiram como uma descarga elétrica. Um arrepio percorreu seu corpo, não de frio, mas de uma excitação perigosa e proibida.

“Ricardo, você não pode dizer isso. Nós… nós não podemos…”

Mas antes que ela pudesse terminar, ele se aproximou. O som da chuva parecia abafar o mundo inteiro. Ele a olhou nos olhos, e pela primeira vez, Mariana viu nele não o sócio de Fernando, não o homem misterioso, mas um homem apaixonado, desesperado.

“Eu não posso mais ficar longe de você, Mariana”, ele sussurrou, a respiração quente em seu rosto.

E então, ele a beijou. Um beijo roubado, desesperado, quebrando todas as regras, todas as convenções. A chuva caía sobre eles, lavando o mundo, deixando apenas a intensidade daquele momento. A boca dele era um incêndio em sua pele, um convite para o paraíso e para o inferno. Mariana, por um instante que pareceu uma eternidade, cedeu. Respondeu ao beijo com a mesma urgência, com a mesma fome que a consumia há semanas. O sabor da chuva se misturava ao dele, uma alquimia perigosa que a deixava tonta.

O beijo se aprofundou, um grito mudo de desejo reprimido. As mãos de Ricardo a seguravam com firmeza, como se tivesse medo de perdê-la. As mãos de Mariana, hesitantes no início, encontraram o caminho para o peito dele, sentindo o coração acelerado sob a camisa molhada. Era um beijo de cumplicidade, de confissão, de loucura.

De repente, um grito ecoou da porta. “Mariana!”

Eles se afastaram abruptamente, os corações batendo descompassados no peito. Fernando estava parado na porta da varanda, o rosto pálido, os olhos arregalados de dor e incredulidade. A cena que ele presenciara era o pesadelo de qualquer homem.

Mariana sentiu o sangue gelar nas veias. O êxtase do beijo se desfez, dando lugar a um pânico avassalador. Ela olhou para Ricardo, o rosto dele sombrio, a expressão de quem sabia que havia cruzado uma linha sem volta. A chuva continuava a cair, agora parecendo um choro cósmico, testemunha silenciosa de um amor que acabara de ser revelado em toda a sua intensidade e perigo.

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