Cativa do seu Amor

Capítulo 7 — As Consequências do Vendaval

por Isabela Santos

Capítulo 7 — As Consequências do Vendaval

O grito de Fernando pairou no ar como uma sentença, cortando a noite e o momento de êxtase proibido. Mariana sentiu o chão sumir sob seus pés, o peso da realidade a esmagando com a mesma força da tempestade que se abatia sobre o Rio. Ricardo, ao seu lado, parecia uma estátua de mármore, a expressão tensa, os olhos fixos no noivo dela.

“Fernando… eu posso explicar”, Mariana começou, a voz um sussurro trêmulo, a chuva encharcando seu vestido e seus cabelos, mas incapaz de lavar a vergonha que a cobria.

Fernando deu um passo à frente, o olhar percorrendo o rosto de Mariana, depois o de Ricardo. A dor em seus olhos era palpável, uma ferida aberta diante da traição. “Explicar o quê, Mariana? Explicar que você, noiva dele, está beijando o meu sócio? Explicar que a mulher que eu amo, a mulher com quem estou prestes a me casar, é capaz de me enganar assim?” Cada palavra era uma facada, proferida com uma dor contida que, por isso mesmo, se tornava ainda mais devastadora.

Ricardo deu um passo à frente, a voz firme, apesar da situação. “Fernando, calma. Deixe-me explicar.”

“Calma?”, Fernando riu, um som seco e sem alegria. “Você quer que eu tenha calma, Ricardo? O meu melhor amigo? O homem em quem eu confiei cegamente? Você sabe o que está fazendo, sabe o que está destruindo?” Ele olhou para Mariana novamente, a decepção nublando seus olhos azuis. “E você, Mariana… eu pensei que nos amássemos. Pensei que nosso amor fosse forte o suficiente para superar qualquer coisa. Estava enganado?”

Mariana sentiu as lágrimas se misturarem à chuva em seu rosto. “Não, Fernando. Você não estava enganado. Eu… eu te amo. Mas…” Ela hesitou, as palavras presas na garganta. Como explicar a força avassaladora que a atraía para Ricardo, um sentimento que ela mal compreendia, mas que a consumia?

Ricardo fechou os olhos por um instante, como se a dor de Mariana também o atingisse. Ele sabia que era o principal culpado, o intruso que desestabilizara aquele relacionamento. Mas o desejo por Mariana era um vulcão adormecido que, finalmente, entrara em erupção.

“Não há desculpas, Fernando”, disse Ricardo, a voz baixa e grave. “Eu errei. Errei feio. Mas não posso mentir. Eu… eu sinto algo por Mariana que vai além da amizade, além de qualquer lealdade profissional.”

Fernando os encarou, a fúria e a mágoa travando uma batalha em seu rosto. Ele ergueu a mão, como se fosse golpear Ricardo, mas a parou no ar, o punho cerrado. “Sente algo por ela? E eu? O que eu sinto por você, Ricardo? O que eu sinto pela mulher que me prometeu um futuro? Você não pensou nisso, não é?”

A chuva parecia intensificar-se, como se o próprio céu chorasse com a desgraça que se desenrolava. Mariana se encolheu, sentindo-se presa entre dois homens que, de maneiras diferentes, a amavam ou a desejavam.

“Eu… eu preciso de um tempo para pensar”, disse Fernando, a voz embargada. Ele deu um passo para trás, os olhos fixos em Mariana. “Eu preciso entender se o que eu via em você, Mariana, era real. Ou se eu era apenas um tolo iludido.” Ele se virou e entrou para dentro do apartamento, deixando um silêncio pesado e carregado atrás de si.

Mariana observou-o ir, o coração apertado de uma angústia que ela nunca experimentara. Ricardo a olhou, a preocupação genuína em seus olhos escuros. “Mariana, você está bem?”

Ela não respondeu. A adrenalina do beijo e da confrontação começava a ceder, deixando-a exausta e desorientada. O vestido estava colado ao corpo, a chuva havia encharcado seus cabelos, mas o frio que sentia vinha de dentro, um vazio gelado que se instalara em sua alma.

“Ricardo, você não devia ter feito isso”, ela disse, a voz embargada. “Você não devia ter me beijado. E eu… eu não devia ter correspondido.”

Ricardo deu um passo à frente, estendendo a mão para tocá-la, mas hesitou. “Eu sei. E eu sinto muito, Mariana. Mas o que aconteceu ali… não foi algo que pude controlar. Você mexe comigo de uma forma que ninguém jamais mexeu.”

“Isso não é justo com o Fernando”, Mariana sussurrou, olhando para a porta por onde ele havia sumido. “Ele não merece isso.”

“E nós merecemos viver escondendo o que sentimos?”, Ricardo perguntou, a voz carregada de uma paixão que a assustava e a atraía ao mesmo tempo. “Você realmente acredita que pode se casar com ele, Mariana, sabendo que há algo aqui entre nós?”

As palavras dele a atingiram com força. A verdade nua e crua. Ela olhou para ele, para a intensidade em seus olhos, para a forma como ele a encarava sem medo, sem receio das consequências. Era uma força da natureza, assim como a tempestade que os envolvia.

“Eu não sei o que sinto, Ricardo”, ela admitiu, a voz quase inaudível. “É tudo tão confuso. Eu amo o Fernando, sempre amei. Mas você… você me faz sentir coisas que eu nunca pensei ser possível.”

Ricardo aproximou-se novamente, desta vez sem hesitação. Ele segurou suavemente o rosto dela entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas molhadas. “Eu sei que é confuso. Mas o amor não é algo que se escolhe, Mariana. Ele simplesmente acontece. E o que sinto por você é real. Forte. Incontrolável.”

Ele se inclinou e depositou um beijo suave em sua testa, um gesto diferente do beijo de antes, carregado de carinho e preocupação. “Precisamos conversar, Mariana. Precisamos entender o que está acontecendo. Mas não aqui. Não agora.”

Mariana assentiu, ainda tremendo. A tempestade lá fora parecia refletir a tempestade dentro dela. Ela sabia que sua vida, tal como a conhecia, havia mudado para sempre naquele instante. O beijo roubado sob a chuva torrencial havia destruído barreiras, mas também havia aberto um abismo de incertezas.

“Eu preciso ir para casa”, disse Mariana, tentando recuperar a compostura.

Ricardo assentiu. “Eu te levo.”

Enquanto entravam no carro, o silêncio era pesado, preenchido apenas pelo som da chuva e pela batida frenética de seus corações. O caminho para o apartamento de Mariana foi uma tortura de olhares furtivos e pensamentos turbulentos. Ao chegarem, ele a observou subir os degraus da entrada, a silhueta esguia desaparecendo na escuridão.

De volta ao seu próprio apartamento, Mariana se despiu lentamente, a água fria da chuva escorrendo pelo chão. Olhou-se no espelho, o reflexo de uma mulher dividida, confusa, assustada. A imagem de Fernando, com seu olhar magoado, a assombrava. Mas a imagem de Ricardo, com seu beijo intenso e suas palavras apaixonadas, também não saía de sua mente.

Ela sabia que teria que enfrentar Fernando. Teria que contar a verdade, por mais dolorosa que fosse. E sabia também que algo havia mudado entre ela e Ricardo. A linha havia sido cruzada, e não havia como voltar atrás. A pergunta que ecoava em sua mente era: para onde aquele vendaval de emoções a levaria agora?

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