Cativa do seu Amor

Capítulo 8 — O Silêncio Que Grita

por Isabela Santos

Capítulo 8 — O Silêncio Que Grita

Os dias que se seguiram ao incidente no terraço foram uma névoa densa e opressora para Mariana. O apartamento que antes transbordava de planos e expectativas agora parecia um mausoléu de promessas quebradas. Fernando havia se afastado, um fantasma em sua própria casa. Suas poucas interações eram marcadas por um silêncio gélido, onde as palavras não ditas gritavam mais alto do que qualquer declaração.

Mariana tentava desesperadamente reconquistar a confiança dele, explicar a complexidade de seus sentimentos, a confusão que a assaltava. Mas Fernando parecia ter se fechado em um casulo de mágoa, impermeável a qualquer tentativa de reconciliação. Seus olhos azuis, antes cheios de calor e admiração, agora carregavam um peso de decepção que a dilacerava.

“Fernando, por favor”, ela implorou numa noite fria, encontrando-o sentado na sala, olhando para o nada. “Precisamos conversar. Eu não aguento mais esse silêncio. Eu te amo, eu juro que te amo.”

Fernando suspirou, um som rouco que parecia vir de um lugar profundo de sua alma. Ele se virou para ela, o rosto cansado sob a luz fraca do abajur. “Amar? Mariana, o que é amar para você? É beijar outro homem quando se está noiva? É brincar com os sentimentos de quem te ama incondicionalmente?”

“Não foi isso! Você sabe que não foi. Foi um momento de… de fraqueza. De confusão. Eu não sei o que deu em mim.” A voz dela tremia, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto.

“Fraqueza? Confusão?”, Fernando repetiu, um tom amargo em sua voz. “Você chama de fraqueza o que eu vi? O que o Ricardo confessou? Ele não fez questão de esconder o que sente por você, Mariana. E você, ao invés de rejeitá-lo, ao invés de me defender, você cedeu.” Ele fez uma pausa, olhando para as próprias mãos. “A questão não é só o beijo, Mariana. A questão é que eu confiei em você. Confiei em nós. E você me traiu. Não fisicamente, talvez, mas de uma forma que dói muito mais. Você traiu a minha confiança, a minha fé em nós.”

Mariana sentiu um aperto no peito, a dor da culpa a asfixiando. Ela sabia que ele tinha razão. O beijo, por mais impulsivo que tivesse sido, fora um reflexo de sentimentos que ela vinha reprimindo, sentimentos que agora a consumiam.

“Eu sei que te magoei, Fernando. E eu sinto muito. Mais do que você imagina. Mas eu não quero te perder. Nós temos uma história juntos, planos…”, ela tentou, mas ele a interrompeu.

“História? Planos? Mariana, você quer casar comigo? Depois de tudo isso? Como você imagina que seria o nosso futuro, vivendo nessa desconfiança? Vivendo com a sombra do Ricardo e desse… desse seu amor avassalador por ele?”

O nome de Ricardo pairou no ar, um fantasma indesejado entre eles. Mariana sentiu um arrepio, uma mistura de medo e uma estranha excitação. Ela tentou ignorar, focar em Fernando, em tudo que eles haviam construído.

“Eu posso te provar que o meu amor por você é real, Fernando. Que o que aconteceu com o Ricardo foi um erro isolado. Que o meu futuro é com você.”

Fernando balançou a cabeça, os olhos tristes. “Eu não sei, Mariana. Eu não sei se consigo esquecer. Não sei se consigo confiar em você novamente. A imagem de vocês dois… ela não sai da minha cabeça. E a confissão dele… como se ele estivesse orgulhoso de ter roubado a noiva do amigo.” Ele fez uma pausa. “Você sabe, ele não poupou detalhes quando falou comigo. A intensidade com que te olha, a forma como ele disse que não se arrepende de nada. Isso é o que mais me machuca, Mariana. Saber que ele não se arrepende.”

Mariana sentiu um nó na garganta. Ricardo a havia contado sobre a conversa com Fernando? Isso era uma crueldade, um ato de desespero ou uma forma de libertar sua própria consciência? Ela não sabia. Mas a dor nos olhos de Fernando era real, e ela se sentia responsável por cada lágrima que ele derramava.

“Ele não deveria ter dito isso a você, Fernando. Ele não deveria ter falado nada. Isso era entre nós, ou não era nada.”

“Era entre você e ele, então?”, Fernando perguntou, o tom magoado. “Então, ele estava certo em se intrometer? Estava certo em te beijar? E você estava certa em corresponder?”

Mariana não conseguia responder. A verdade era complexa e dolorosa demais para ser reduzida a um simples sim ou não. Ela amava Fernando, a segurança, o conforto, a história que eles compartilhavam. Mas Ricardo… Ricardo era uma faísca, um fogo que a consumia por dentro, despertando paixões que ela nem sabia que existiam.

“Eu preciso de um tempo, Mariana”, disse Fernando, levantando-se. “Eu preciso pensar. Preciso entender se ainda há um futuro para nós. Eu não sei se consigo lidar com a ideia de me casar com alguém que, no fundo, ama outro homem.”

Ele saiu do cômodo, deixando Mariana sozinha com seus pensamentos tortuosos e o silêncio ensurdecedor do apartamento. Ela se sentiu afogando, a tempestade interior crescendo a cada instante.

Naquela noite, o celular de Mariana vibrou em sua bolsa. Era uma mensagem de Ricardo.

"Precisamos conversar. O mais rápido possível. O que aconteceu não pode ficar assim. E eu não consigo mais viver sem você.”

As palavras dele eram um bálsamo e um veneno. Um bálsamo porque confirmavam o que ela mais desejava ouvir, a confirmação de que não estava sozinha nessa confusão. Um veneno porque sabiam que, ao ceder a esse chamado, ela estaria aprofundando o abismo entre ela e Fernando, e potencialmente, destruindo o futuro que um dia sonhou.

Ela olhou para o celular por longos minutos, o coração batendo em um ritmo acelerado. A responsabilidade pesava em sua consciência, a promessa de casamento, o amor de Fernando. Mas o desejo por Ricardo, aquela força irresistível que a puxava para ele, era um chamado que ela sentia ser impossível ignorar.

Decidiu responder.

"Onde e quando?"

Minutos depois, uma nova mensagem chegou.

"Seu lugar favorito. Amanhã. Ao pôr do sol. Esteja pronta."

O lugar favorito. O Mirante Dona Marta. Um lugar de beleza estonteante, mas também de uma melancolia profunda, um lugar que sempre a fizera refletir sobre a vida, o amor e os caminhos incertos do destino. Era apropriado.

Ela passou o resto da noite em claro, a mente em turbilhão. Tinha que tomar uma decisão. Uma decisão que mudaria o curso de sua vida e, possivelmente, a de todos ao seu redor. O amor por Fernando era um porto seguro, mas o amor por Ricardo era um oceano desconhecido, cheio de perigos, mas também de promessas de paixão e redenção.

No dia seguinte, enquanto o sol começava a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados e rosados, Mariana se dirigiu ao Mirante Dona Marta. O vento soprava suavemente, carregando o cheiro do mar e das flores. Ela esperou, o coração apertado de ansiedade.

E então, ele apareceu. Ricardo, com um sorriso que misturava esperança e apreensão. Ele a olhou com a intensidade de sempre, e naquele instante, Mariana soube que não havia mais volta. A decisão estava tomada. E o amor, em sua forma mais avassaladora e destrutiva, havia vencido.

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