O Milionário Solitário III
Capítulo 10 — O Confronto e a Revelação Chocante
por Valentina Oliveira
Capítulo 10 — O Confronto e a Revelação Chocante
A notícia sobre a herança perdida e a "promessa sombria" lançou uma nova sombra sobre o "Recanto da Lua". Miguel sentiu a antiga sensação de alerta retornar com força total. A luta interna contra seus demônios era difícil, mas a ameaça externa adicionava uma camada de urgência e perigo que ele não podia ignorar. Ele precisava proteger Helena, proteger a fazenda, e, acima de tudo, desvendar quem estava por trás dessa trama.
Nos dias seguintes, Miguel e Jonas trabalharam incansavelmente para descobrir mais informações. Eles contataram advogados antigos da família, parentes distantes e até mesmo informantes na vila. As peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar, revelando um quadro mais complexo e perigoso do que imaginavam.
Descobriram que um primo distante de Dona Clara, um homem chamado Valério, que havia desaparecido há anos após um escândalo financeiro, estava de volta à região. Valério era conhecido por sua ambição desmedida e por seu temperamento volátil. Rumores indicavam que ele havia se envolvido com figuras sombrias durante seu exílio e que agora buscava recuperar a fortuna que acreditava ter sido tirada dele.
"Ele tem um motivo, Helena", explicou Miguel, enquanto revisavam os documentos na biblioteca. "Valério sempre foi invejoso da posição de minha mãe na família. Ele acha que a herança deveria ter sido dele. E a promessa sombria… pode ser dele. Ele é capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer."
Helena sentiu um calafrio. A ideia de confrontar um homem como Valério era assustadora. "Mas o que ele quer com a fazenda? A herança não era apenas dinheiro?"
"Não exatamente", respondeu Miguel, pensativo. "Havia também algumas propriedades valiosas, incluindo esta fazenda, que minha mãe herdou. Valério pode acreditar que, ao tomar posse da fazenda, ele terá uma base de poder e recursos para reconstruir sua fortuna."
Enquanto investigavam, Miguel sentia a presença sombria em sua casa com mais frequência. Os sussurros pareciam mais audíveis, as sombras mais densas. Ele lutava para manter o controle, para não sucumbir ao medo, apoiado pela presença constante de Helena.
Um dia, enquanto Miguel estava em seu escritório, concentrado nos papéis, Helena sentiu um arrepio incomum. Ela estava na varanda dos fundos, admirando as rosas que haviam começado a desabrochar. De repente, sentiu um cheiro forte de perfume barato misturado com algo acre, como mofo. Olhou ao redor, mas não viu ninguém. Então, seus olhos pousaram em uma das roseiras, uma variedade rara que Dona Clara amava. Perto dela, havia uma pequena embalagem plástica, parcialmente escondida entre as folhas.
Curiosa, Helena pegou a embalagem. Dentro, havia um pequeno pedaço de papel dobrado e uma pequena pedra escura, polida e fria ao toque. Desdobrou o papel. A caligrafia era cursiva e arrogante.
"O que você pensa que está fazendo, Helena? Mexendo em coisas que não lhe pertencem?", dizia a mensagem. "Este lugar tem segredos que você não pode compreender. E quem se mete onde não é chamado… paga um preço alto. A herança é minha. E você… você é apenas uma inconveniente no meu caminho. Desista. Ou o preço será caro demais."
Helena sentiu o sangue gelar. Era uma ameaça direta. Mas o que a chocou mais foi o cheiro do perfume e a pedra. Ela se lembrou de uma passagem no diário de Dona Clara, onde ela mencionava um perfume específico que Valério usava, um perfume forte e desagradável, e uma pedra que ele sempre carregava consigo, um amuleto que ele dizia trazer sorte.
Ela correu para o escritório de Miguel, a embalagem e a pedra em mãos. "Miguel! Olhe isso!"
Miguel pegou a mensagem e a pedra, seu rosto endurecendo com a raiva. "Valério. Ele está nos observando. Ele está brincando conosco."
Naquele momento, a porta do escritório se abriu abruptamente. Valério estava ali, parado na soleira, com um sorriso trocista no rosto. Ele era um homem alto, magro, com olhos pequenos e penetrantes, e um ar de arrogância que emanava de cada poro.
"Ora, ora, se não é o meu querido primo Miguel, e a bela dama que lhe roubou o coração e a paz", disse Valério, com a voz arrastada. "Vejo que vocês encontraram meu pequeno presente." Ele apontou para a embalagem na mão de Helena.
Miguel se levantou, protegendo Helena instintivamente. "Valério. O que você quer aqui?"
"O que eu quero? O que é meu por direito, primo", disse Valério, avançando para dentro do escritório. "Esta terra, esta casa… tudo isso deveria ter sido meu. Sua mãe, com sua ganância disfarçada de bondade, me tirou tudo."
"Minha mãe não tirou nada de você. Você que se perdeu em seus próprios vícios e erros", retrucou Miguel, a voz controlada, mas carregada de desprezo.
Valério riu, um som desagradável. "Erros? Ou um destino que você tenta negar? Assim como sua mãe, Miguel. Você acha que é diferente, mas a escuridão corre em suas veias. E eu estou aqui para desenterrá-la."
Enquanto falava, Valério olhou para Helena com um olhar predador. "E você, minha querida. Tão ingênua. Acha que pode salvar meu primo da sua própria natureza? Você não sabe com quem está lidando. Eu tenho meus próprios caminhos, minhas próprias influências." Ele sorriu, um sorriso cheio de maldade. "E eu tenho uma promessa a cumprir. Uma promessa de vingança."
Nesse instante, um silêncio pesado caiu sobre o escritório. E então, um som sutil começou a surgir, um sussurro baixo, quase inaudível, que parecia vir de nenhum lugar e de todos os lugares ao mesmo tempo. Miguel e Helena se entreolharam, reconhecendo o som. Era o mesmo lamento que haviam ouvido na noite anterior.
Valério, percebendo a reação deles, sorriu ainda mais amplamente. "Ah, vocês ouvem isso, não é? A canção de ninar de sua família. A prova de que você não está sozinho, Miguel. Que a maldição é real." Ele deu um passo à frente, seus olhos fixos em Miguel. "Eu sabia que você era fraco. Mas não imaginei que fosse tão fácil te abalar."
De repente, a porta se abriu novamente, e Jonas entrou correndo, acompanhado por mais dois peões armados. "Seu Miguel! Eu vi o Valério chegando. Achei que era melhor estar por perto."
Valério olhou para os homens, sua expressão mudando de arrogância para cautela. "Ora, ora. Uma recepção calorosa. Mas vocês não podem me deter. Esta terra é minha, e eu vou reivindicá-la." Ele deu um passo para trás, em direção à porta. "Isso não acabou, Miguel. Longe disso. E você, Helena… o inferno está apenas começando para você."
Com um último olhar de desafio, Valério se virou e saiu, seguido por Jonas e os peões. Miguel e Helena ficaram sozinhos no escritório, o silêncio voltando a reinar, mas agora preenchido por uma tensão palpável. O confronto com Valério havia sido apenas o começo. A ameaça era real, e a conexão entre Valério, a herança perdida e as assombrações que Miguel enfrentava estava se tornando assustadoramente clara.
Enquanto Miguel olhava para Helena, ele viu o medo em seus olhos, mas também uma determinação inabalável. Ele sabia que a batalha pela alma dele, pela sanidade dele, e pelo futuro deles, estava longe de terminar. E, pela primeira vez, ele sentiu que não estava lutando sozinho. A promessa sombria de Valério era um desafio, mas o amor e a força de Helena eram a sua maior arma.