O Milionário Solitário III

Capítulo 12 — A Busca por Refúgio e a Semente da Dúvida

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — A Busca por Refúgio e a Semente da Dúvida

O carro de Clara deslizava pelas estradas de terra que levavam para longe da cidade grande, cada quilômetro percorrido era um alívio, uma respiração mais profunda. A paisagem rural, com suas colinas verdejantes e o cheiro de terra molhada, parecia um bálsamo para sua alma ferida. Ela dirigia sem rumo definido, apenas buscando um lugar onde pudesse se sentir segura, onde pudesse juntar os cacos de sua vida. A mansão Vasconcelos, com toda a sua opulência, agora representava o auge da traição.

Miguel, no banco de trás, dormia tranquilamente, alheio à tempestade que se abatera sobre seus pais. Clara lançava olhares furtivos para ele pelo retrovisor, o coração apertado. A imagem do filho era seu único consolo, a força motriz para seguir em frente. Ela não podia desmoronar, não por ele. Ele precisava de uma mãe forte, de um porto seguro.

Pensou em sua cidade natal, nas praias tranquilas onde passou a infância, na casa simples de sua mãe. Seria um refúgio, um lugar para se esconder e se curar. Mas a ideia de expor Miguel a uma vida tão diferente, longe do conforto a que estava acostumado, a fazia hesitar. Ela queria o melhor para ele, mas o que era o melhor agora? A verdade, por mais dura que fosse, teria que ser revelada a ele em algum momento.

Enquanto dirigia, a mente de Clara repassava as palavras de Leonardo, as desculpas esfarrapadas, a tentativa desesperada de se justificar. Por que ele agira assim? O que o levara a esconder algo tão fundamental? A chantagem de Sandra era real, ela sabia, mas havia algo mais, uma profundidade no segredo que a assustava. E Ricardo… a aliança dele com Leonardo, a forma como ele parecia sempre estar à espreita, observando, manipulando. A dúvida começou a se instalar em sua mente. Seria Leonardo apenas um peão em um jogo maior?

Ela parou o carro em um mirante, o sol começando a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados e rosados. Desceu do carro e respirou o ar fresco, sentindo o vento suave em seu rosto. A solidão era palpável, mas era uma solidão escolhida, uma solidão que permitia pensar sem interrupções, sem a pressão do olhar julgador de Leonardo.

Lembrava-se das conversas com sua mãe, sempre tão sábia e compreensiva. Se ela estivesse ali, o que diria? Provavelmente a encorajaria a buscar a paz, a priorizar o bem-estar de Miguel. E era exatamente isso que Clara faria.

Decidiu que iria para a casa de praia que herdara de seu avô, em uma pequena vila de pescadores a algumas horas dali. Era um lugar simples, longe de tudo, onde poderiam viver com tranquilidade por um tempo. Era a melhor opção para se recompor, para decidir os próximos passos sem a interferência de ninguém.

Ao acordar, Miguel a olhou com os olhos sonolentos. "Mamãe, onde estamos?"

Clara forçou um sorriso. "Estamos indo para um lugar especial, meu amor. Um lugar onde vamos ficar um pouquinho."

Miguel, sempre curioso, perguntou: "E o papai? Ele não vem?"

A pergunta atingiu Clara como um raio. Ela hesitou, a garganta apertada. "Não, meu amor. O papai tem… muitas coisas para resolver." Era uma meia verdade, mas a mais branda possível para um menino de sete anos.

O silêncio que se seguiu foi preenchido pela preocupação no olhar de Clara. Como ela explicaria a Miguel a complexidade da situação? Como ela o ajudaria a processar a verdade quando ela mesma ainda lutava para entendê-la? A semente da dúvida sobre o papel de Leonardo e Ricardo no esquema inteiro começou a germinar em sua mente. A chantagem de Sandra parecia apenas a ponta do iceberg.

Ao chegarem à vila de pescadores, o cheiro de maresia e a simplicidade do lugar acolheram Clara e Miguel. A casa, embora modesta, era charmosa, com uma varanda voltada para o mar. Clara sentiu um alívio genuíno. Ali, ela poderia respirar. Ali, ela poderia começar a reconstruir a sua vida, um dia de cada vez.

Enquanto descarregava as malas do carro, Clara pensou em Leonardo. Ele a amava? Ou a mantivera por perto por conveniência, por interesse? A dúvida a corroía. A figura dele, antes tão sólida e confiável, agora se tornara turva, encoberta por uma névoa de incertezas. E Ricardo, o rosto sorridente e calculista dele, era uma ameaça constante.

Ela sabia que Leonardo a procuraria. Ele não a deixaria ir tão facilmente. Mas agora, Clara estava determinada a se proteger, a proteger Miguel. A fuga era necessária, um ato de autopreservação. Mas ela também sabia que não poderia fugir para sempre. A verdade, tarde ou cedo, cobraria seu preço. E ela precisava estar forte o suficiente para enfrentá-la, qualquer que fosse a sua forma. A semente da dúvida plantada em sua mente a impulsionava a buscar respostas, a desvendar os segredos que ainda pairavam sobre suas vidas.

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