Cativada pelos seus Olhos

Capítulo 12 — A Sombra do Passado e o Preço da Verdade

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 12 — A Sombra do Passado e o Preço da Verdade

A brisa do final de tarde acariciava os rostos de Helena e Rafael enquanto eles se despediam na porta de casa. O beijo de despedida, mais longo e profundo do que o habitual, carregava a promessa de um reencontro breve e o eco da conversa que tiveram sobre o futuro. Helena observou Rafael partir, o coração repleto de uma alegria genuína, mas também com um leve receio. A conversa sobre seus bens e a empresa parecia ter aberto uma nova porta, e ela sentia que, para construir um futuro sólido, precisava lidar com as pendências do passado de forma definitiva.

Na manhã seguinte, com a energia renovada pelo amor e pela certeza de ter Rafael ao seu lado, Helena decidiu que era hora de encarar de frente as questões financeiras e burocráticas que pairavam sobre ela. Ligou para seu advogado, Sr. Almeida, um homem íntegro e experiente que a acompanhava desde a época de seus pais.

“Sr. Almeida, bom dia. Helena aqui.”

“Helena, minha querida! Que bom ouvir sua voz. Em que posso ajudá-la?”

“Preciso marcar uma reunião com o senhor o mais rápido possível. Tenho algumas questões urgentes para resolver sobre o apartamento do meu pai e também sobre a empresa.”

“Claro, claro. Que tal amanhã pela manhã? Dez horas? Podemos analisar tudo com calma.”

“Perfeito. Obrigada.”

A reunião com o Sr. Almeida foi longa e detalhada. Ele explicou a Helena a situação do apartamento que pertencia ao seu pai. Estava alugado para uma família com contrato em dia, mas a renda não era exatamente o que ela esperava. Ele também a guiou através da papelada da empresa, que, embora ainda ativa, apresentava alguns passivos consideráveis e necessitava de uma reestruturação profunda para voltar a ser lucrativa.

“Helena, a empresa tem potencial, mas precisa de investimento e de uma gestão mais focada”, explicou o Sr. Almeida, folheando documentos. “Seu pai era um visionário, mas a gerência do dia a dia… bem, ele confiava muito em outras pessoas.”

Uma dessas pessoas era Marcos, um antigo sócio e amigo de seu pai. A menção dele fez um arrepio percorrer a espinha de Helena. Ela lembrava-se de Marcos como um homem carismático, mas que sempre lhe causou uma certa desconfiança.

“E o Marcos?”, perguntou Helena, tentando manter a voz neutra. “Ele ainda tem alguma ligação com a empresa?”

O Sr. Almeida hesitou por um instante. “Sim, Helena. Ele ainda é um dos sócios minoritários. No entanto, ultimamente, ele tem se afastado mais dos negócios. Parece que tem outros empreendimentos.”

A resposta deixou Helena com uma sensação incômoda. Ela sabia que precisava lidar com Marcos, mas a ideia de confrontá-lo a enchia de apreensão.

Naquela noite, enquanto jantava com Rafael em um restaurante aconchegante, Helena não conseguiu disfarçar sua inquietação.

“O que houve, meu amor?”, perguntou Rafael, percebendo sua distração. “Parece preocupada.”

Helena contou sobre a reunião com o Sr. Almeida, sobre a situação da empresa e sobre a presença de Marcos como sócio.

“Eu não confio nele, Rafael”, confessou Helena, baixando a voz. “Meu pai sempre falava dele, mas havia algo… algo que me incomodava. Ele era muito amigo do meu pai, mas depois que meu pai adoeceu, as coisas começaram a mudar.”

Rafael segurou a mão dela sobre a mesa. “Você não precisa se preocupar. Se você não confia nele, eu estarei ao seu lado para te ajudar a lidar com isso. O que exatamente você pretende fazer?”

“Preciso analisar os contratos, entender a real situação financeira da empresa e, se necessário, tomar medidas para protegê-la e protegê-la de qualquer possível má gestão. E isso significa, provavelmente, confrontar o Marcos.”

Rafael assentiu. “Eu te apoio em tudo. Se você precisar de alguém para te acompanhar, para te dar suporte, pode contar comigo. Se precisar de alguém para ficar na porta enquanto você conversa com ele, eu fico. O que for preciso.”

O olhar de Rafael transmitia uma força que a acalmava. Ela sabia que com ele, ela era mais forte.

Os dias seguintes foram dedicados a mergulhar na papelada da empresa. Helena passava horas no escritório do Sr. Almeida, analisando balancetes, contratos e relatórios. A cada documento lido, a cada número decifrado, uma imagem mais clara do passado se formava em sua mente. Ela percebeu que seu pai, em sua bondade, havia deixado brechas que poderiam ser exploradas.

Um dia, enquanto revisava um antigo contrato de parceria, Helena encontrou uma cláusula obscura que permitia a um dos sócios a venda de uma parte significativa das ações sem a aprovação formal de todos os outros em determinadas circunstâncias. A cláusula estava assinada por seu pai e por Marcos. Uma suspeita sombria começou a se formar em sua mente. Teria Marcos se aproveitado da fragilidade de seu pai em seus últimos anos?

Decidida a obter a verdade, Helena marcou um encontro com Marcos em um café discreto. Ela estava nervosa, mas a imagem de Rafael, com seu apoio inabalável, a impulsionava.

Marcos chegou pontualmente, com seu sorriso charmoso e o mesmo olhar penetrante de sempre. Helena sentiu um arrepio.

“Helena, minha querida! Que surpresa agradável”, disse ele, estendendo a mão para cumprimentá-la.

“Marcos”, respondeu Helena, apertando sua mão friamente. “Obrigada por vir.”

“É sempre um prazer rever você. Como está a vida depois de tantos anos?”

“Estou bem. Na verdade, é por isso que gostaria de conversar. Precisamos acertar algumas questões pendentes da empresa.”

Marcos arqueou uma sobrancelha, mas seu sorriso não vacilou. “Claro, claro. O que você precisa?”

Helena tirou uma cópia do contrato que havia encontrado. “Estava revisando alguns documentos antigos e me deparei com este contrato de parceria. Havia uma cláusula aqui sobre a venda de ações que me chamou a atenção.”

O sorriso de Marcos vacilou por um instante, quase imperceptível. “Ah, sim. Aquela cláusula. Seu pai e eu tínhamos um acordo muito transparente, Helena. Ele sempre soube de tudo.”

“É mesmo? Porque esta cláusula permite a venda de parte das ações sem o consentimento de todos os sócios em certas condições. E, pelo que pude apurar, houve algumas transações de ações que ocorreram em um período em que meu pai já estava muito debilitado.”

O rosto de Marcos tornou-se mais sério. A máscara de cordialidade começou a cair. “Helena, você está insinuando algo?”

“Estou apenas buscando a verdade, Marcos. E a verdade é que algumas transações parecem ter beneficiado desproporcionalmente um dos sócios, em detrimento do outro. E esse sócio, pelo que eu entendo, foi você.”

A atmosfera no café ficou tensa. Outros clientes olhavam discretamente. Marcos suspirou, cruzando os braços.

“Seu pai era meu amigo, Helena. Mas ele também era um homem de negócios. E negócios são negócios. Talvez você não entenda a complexidade das coisas.”

“Talvez você não entenda que estou aqui para defender o legado do meu pai, e se for preciso, para expor qualquer irregularidade”, retrucou Helena, a voz firme, apesar do tremor interno.

Naquele momento, ela sentiu a presença de Rafael em sua mente, seu apoio inabalável. Ela não estava sozinha. A sombra do passado ainda pairava, e a verdade parecia ter um preço alto, mas Helena estava determinada a pagar por ela. Aquele encontro, com sua carga de tensão e revelações veladas, marcou o início de uma batalha, uma batalha pela justiça e pela integridade do nome de seu pai.

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