A Armadilha do Amor III

Capítulo 12 — Ecos do Passado e a Rede de Rodrigo

por Camila Costa

Capítulo 12 — Ecos do Passado e a Rede de Rodrigo

A luz fraca do fim da tarde banhava a sala de estar da Mansão Bastos com um tom alaranjado, projetando sombras longas e dançantes pelos móveis antigos e pelos retratos austeros dos antepassados. Helena, sentada em uma poltrona de veludo desbotado, sentia o peso da verdade, crua e dolorosa, pesando em seu peito. A confissão de Dr. Almeida e as revelações contidas no diário de Elisa haviam desmantelado a imagem que ela tinha de sua família. O patriarca que ela tanto admirava era, na verdade, um homem implacável, capaz de destruir a felicidade de sua própria esposa para garantir seu poder e sua reputação.

A carta de Elisa, que ela guardava como um tesouro macabro, revelava um amor profundo por um homem chamado “A”. Dr. Almeida confirmara que ele era esse homem, o amante secreto de Elisa, a quem Dom Sebastião tentara apagar da vida de sua esposa, comprando seu silêncio com dinheiro sujo. Mas as palavras de Elisa transbordavam uma paixão que parecia ir além de um simples romance clandestino. Havia um tom de desespero, de luta, de um futuro que ela sonhava em construir com seu amado. “Eles nunca nos deixariam ser felizes”, escrevera ela. Quem eram “eles”? Dom Sebastião, sem dúvida. Mas havia mais alguém?

Helena releu a entrada do diário: “Ele descobriu. O velho homem. Sinto medo, A. Ele me ameaçou. Disse que destruiria a todos nós se eu ousasse desafiá-lo. Preciso ser forte, por nós, por nosso futuro. Mas como? Como posso escapar dessa armadilha?” A menção de “todos nós” martelava na mente de Helena. Seria possível que Elisa estivesse grávida? Que Dom Sebastião, ao descobrir a gravidez, tivesse agido com tanta crueldade? Uma gravidez que não seria dele. Uma gravidez que o desonraria.

Essa possibilidade adicionava uma nova camada de tragédia à história. Se Elisa estava grávida de Dr. Almeida, e Dom Sebastião a forçou a abortar ou a entregá-lo, isso explicaria a frieza e o distanciamento que Helena sempre percebeu em sua avó. Seria a dor de um amor perdido e de um filho roubado.

“Meu Deus…”, Helena sussurrou, cobrindo a boca com as mãos. Ela olhou para a porta da biblioteca, para onde Dr. Almeida havia desaparecido, levando consigo não apenas a confissão, mas também uma parte da inocência de Helena. Ela precisava conversar com ele novamente. Havia lacunas que precisavam ser preenchidas.

Enquanto isso, longe dali, no coração pulsante da cidade, Rodrigo Bastos, neto de Dom Sebastião, sorria com a satisfação de quem vê um plano cuidadosamente arquitetado se concretizar. Ele estava em seu escritório luxuoso, com uma vista panorâmica deslumbrante do Rio de Janeiro. As luzes da cidade começavam a acender, como diamantes espalhados sobre um veludo negro. Em sua mesa, um documento repousava, um acordo de confidencialidade que ele acabara de assinar.

Rodrigo era um homem de negócios astuto, com a mesma ambição implacável de seu avô, mas com uma frieza e um pragmatismo que superavam até mesmo os de Dom Sebastião. Ele havia acompanhado de perto a situação de Helena, a fragilidade de seu noivado com Rodrigo, e a inesperada aproximação entre Helena e Gabriel Montenegro. A ideia de Helena se casar com Gabriel, um Montenegro, era inaceitável. A antiga rivalidade entre as famílias, que remonta a décadas, era um obstáculo intransponível.

Mas Rodrigo não estava interessado em um casamento de conveniência. Ele tinha seus próprios motivos para querer ter Gabriel Montenegro sob seu controle. Havia negócios antigos, dívidas obscuras e uma vingança pessoal que ele nutria há anos. A família Montenegro, para ele, representava não apenas uma rival, mas um obstáculo a ser eliminado.

O acordo de confidencialidade que ele acabara de assinar era com um homem chamado Valter. Valter era um ex-funcionário da família Montenegro, despedido sob circunstâncias misteriosas há alguns anos. Ele possuía informações valiosas sobre os negócios escusos de Gabriel, sobre seus contatos obscuros e, principalmente, sobre uma vulnerabilidade que Rodrigo podia explorar: a dependência de Gabriel de certos financiamentos ilícitos para manter suas empresas à tona.

“Valter, meu caro amigo”, Rodrigo murmurou para si mesmo, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “Você tem informações preciosas. E eu tenho o dinheiro e a influência para usar essas informações contra o seu antigo chefe.”

Ele pegou o telefone e discou um número. “Alô, Detetive Silva? Rodrigo Bastos. Sim, o neto do Dom Sebastião. Tenho um pequeno serviço para você. Algo discreto. Quero que você comece a investigar Gabriel Montenegro. Quero saber cada passo que ele dá, cada pessoa com quem ele fala, cada negócio que ele fecha. E… um detalhe crucial. Quero que você descubra a origem de um certo empréstimo que ele recebeu recentemente. Um empréstimo de uma fonte… duvidosa. Encontre o intermediário. Eu lhe darei o nome dele mais tarde. Certifique-se de que suas fontes sejam confiáveis e que sua investigação seja impecável. O dinheiro não será um problema.”

Rodrigo sabia que manipular Gabriel seria a chave para desestabilizar a família Montenegro. E se Gabriel estivesse envolvido em atividades ilegais, a manchete seria devastadora para sua reputação e para os negócios de sua família. A queda de Gabriel seria o primeiro passo para a aniquilação dos Montenegro.

Ele se recostou em sua cadeira, observando as luzes da cidade. A rivalidade entre as famílias Bastos e Montenegro era uma guerra fria que se arrastava por gerações. Seus avós, Dom Sebastião e o falecido patriarca Montenegro, haviam sido os arquitetos dessa disputa. Agora, era a vez da nova geração continuar a batalha. E Rodrigo estava determinado a vencer.

Ele pensou em Helena. Ela era uma peça no tabuleiro, uma peça que ele precisava proteger, mas também usar a seu favor. O noivado dela com Rodrigo, antes uma ameaça, agora se tornava uma oportunidade. Se Helena pudesse ser mantida sob controle, e Gabriel Montenegro fosse exposto, a família Bastos sairia vitoriosa.

Enquanto isso, na Mansão Bastos, Helena sentia uma necessidade crescente de confrontar a verdade. Ela pegou o diário novamente, folheando as páginas em busca de mais pistas. Havia uma entrada, datada de alguns meses antes de seu nascimento, que chamou sua atenção: “O futuro é incerto, mas meu coração está em paz. Nosso pequeno tesouro virá ao mundo em breve. A e eu planejamos tudo. Ele jurou que nosso filho estaria seguro, que nunca lhe faltaria nada. Que o nome Montenegro nunca mais seria associado à vergonha. Que nosso amor, mesmo que oculto, criaria um legado de força.”

“Nosso pequeno tesouro… o nome Montenegro…”, Helena repetiu, as palavras ecoando em sua mente. Se Elisa estava grávida, e esperava um filho de Dr. Almeida, e esse filho estaria seguro e teria o nome Montenegro… isso significava que Dr. Almeida era, de alguma forma, ligado à família Montenegro? Ou que o filho era de outro homem, um Montenegro?

A possibilidade de que o filho fosse de Dr. Almeida, mas com o nome Montenegro, parecia confusa. Mas e se Elisa tivesse um filho com um Montenegro antes de se casar com Dom Sebastião? Um filho que ela teve que esconder, e que foi dado a outra família para ser criado?

Helena sentiu um calafrio. E se esse filho, criado em segredo, fosse… Gabriel Montenegro?

A ideia era absurda, mas ao mesmo tempo, fazia um sentido sombrio. Se Gabriel fosse filho de Elisa e Dr. Almeida, isso explicaria a tensão constante entre ele e a família Bastos. Explicaria o olhar de desconfiança que ele lançava a Rodrigo. Explicaria a rivalidade acirrada entre as famílias. E a confissão de Dr. Almeida… ele era pai de Gabriel? Mas ele havia dito que era o “A” da carta, o amante de Elisa.

Ela fechou os olhos, tentando juntar as peças desse quebra-cabeça macabro. Se Gabriel fosse filho de Elisa e Dr. Almeida, e Dom Sebastião o descobriu, ele o teria usado como moeda de troca, ou o teria ameaçado. Mas Dr. Almeida disse que Dom Sebastião pagou por seu silêncio e o afastou de Elisa. Ele não mencionou nada sobre um filho.

E se o “A” da carta não fosse Dr. Almeida? E se o “A” fosse outra pessoa, um Montenegro, e Dr. Almeida fosse apenas um amigo que amava Elisa e a ajudava? Mas a confissão de Dr. Almeida foi explícita: “Eu era o ‘A’ que ela tanto amava.”

A cabeça de Helena girava. Ela precisava de mais informações. Ela precisava de alguém que pudesse confirmar suas suspeitas. Alguém que estivesse ali, naquela época. Dr. Almeida era uma fonte, mas ele estava envolvido e preso em suas próprias memórias. Quem mais?

Ela lembrou-se de uma governanta antiga, Dona Lurdes, que trabalhava na Mansão Bastos há mais de trinta anos. Dona Lurdes era uma mulher de poucas palavras, mas de observação aguçada. Ela conhecia os segredos da casa como ninguém. Se alguém sabia sobre Elisa, sobre seus últimos meses de gravidez, sobre as visitas secretas… era ela.

Helena decidiu que iria procurar Dona Lurdes no dia seguinte. Ela precisava da verdade. A verdade sobre sua avó, sobre o amor perdido, sobre a possível existência de um meio-irmão que ela nunca conheceu. A verdade sobre a armadilha de mentiras que sua família havia construído, e que agora ameaçava engoli-la.

Enquanto isso, no escritório de Rodrigo, a investigação de Gabriel Montenegro acabara de começar. O Detetive Silva já havia retornado com algumas informações preliminares. Gabriel estava envolvido em negócios arriscados, e a fonte do seu último empréstimo era, de fato, um nome ligado ao submundo do crime financeiro. Rodrigo sorriu. A armadilha estava se fechando. E Helena, em sua busca pela verdade sobre o passado, estava prestes a se tornar a peça central de seu jogo. Ele não permitiria que Gabriel Montenegro tivesse qualquer chance de se aproximar de Helena, ou de reivindicar qualquer coisa que ele considerava ser dos Bastos. A guerra estava apenas começando.

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