A Armadilha do Amor III

Capítulo 13 — O Confronto com Dona Lurdes e a Revelação Chocante

por Camila Costa

Capítulo 13 — O Confronto com Dona Lurdes e a Revelação Chocante

O aroma de café fresco e de pão de queijo recém-assado pairava no ar da cozinha dos fundos da Mansão Bastos, um refúgio familiar em meio à opulência fria do resto da casa. Dona Lurdes, com suas mãos calejadas e um olhar que guardava a sabedoria de anos, terminava de arrumar a mesa para o café da manhã. Seus cabelos grisalhos estavam presos em um coque elegante, e seu avental impecável não escondia a força discreta de seu porte.

Helena entrou na cozinha, o coração apertado de expectativa e apreensão. Ela sabia que encontrar Dona Lurdes era sua última esperança de desvendar o mistério que a consumia. A avó de Helena, Elisa, era uma figura envolta em um véu de mistério, cujas poucas lembranças eram de uma mulher distante e melancólica. Mas as cartas e o diário de Elisa pintavam um quadro completamente diferente, um quadro de paixão, desespero e um amor proibido.

“Bom dia, Dona Lurdes”, disse Helena, com a voz suave, tentando não assustar a governanta.

Dona Lurdes se virou, um sorriso acolhedor surgindo em seus lábios. “Bom dia, senhorita Helena. Sente-se, o café está pronto.” Seus olhos, porém, carregavam uma ponta de curiosidade. Ela sabia que algo estava diferente em Helena nos últimos dias.

Enquanto tomavam café, Helena hesitou. Como abordar um assunto tão delicado, tão antigo, sem parecer invasiva ou desrespeitosa? Ela decidiu ir direto ao ponto.

“Dona Lurdes, eu tenho algumas perguntas sobre a minha avó, Elisa. Sobre a época em que ela… quando o senhor Rodrigo nasceu.”

A expressão de Dona Lurdes mudou sutilmente. Uma sombra de preocupação cruzou seu rosto, mas ela manteve a compostura. “A senhora Elisa… foi uma época difícil para todos nós, senhorita Helena. Ela não era feliz.”

“Eu sei. E eu descobri algumas coisas. Uma carta, um diário… e a confissão do Dr. Almeida. Ele disse que amava minha avó. E que eles tinham um plano.” Helena olhou diretamente nos olhos de Dona Lurdes. “Dona Lurdes, a minha avó estava grávida antes de se casar com o meu avô?”

O silêncio que se seguiu foi preenchido pelo tic-tac do relógio antigo na parede e pelo farfalhar das folhas do lado de fora. Dona Lurdes baixou o olhar para suas mãos. Ela parecia ponderar suas palavras com cuidado.

“Senhorita Helena”, começou ela, a voz baixa e carregada de emoção. “Eu trabalhei aqui por muitos anos. Vi muita coisa. A senhora Elisa… ela era uma mulher boa, mas sofria muito. O casamento com o seu avô, Dom Sebastião, foi um acordo, um sacrifício. Ela amava outro homem.”

“Dr. Almeida?”, Helena perguntou, a esperança misturada com o receio.

Dona Lurdes balançou a cabeça lentamente. “Não, senhorita. Dr. Almeida era um amigo. Um confidente. Ele a amava, sim, mas o amor da vida dela… era outro. Alguém que ela amava desde a juventude. Alguém que ela acreditava que poderia lhe dar a felicidade que ela tanto desejava.”

O estômago de Helena revirou. Se não era Dr. Almeida, quem era? “E essa pessoa… era alguém que ela esperava ter um futuro?”, Helena perguntou, a voz embargada.

“Sim. Eles planejavam fugir. Ter uma vida juntos. Mas o seu avô… ele descobriu. Dom Sebastião era um homem poderoso e implacável. Ele não permitiria que o nome da família fosse manchado. Ele ameaçou a todos. A ela, ao homem que ela amava, e… ao futuro filho que ela esperava.”

Helena sentiu o ar faltar em seus pulmões. “Filho? Minha avó estava grávida? De quem?”

Dona Lurdes olhou para a janela, a expressão de profunda tristeza. “Era do neto do patriarca Montenegro. Do Gabriel. Na época, ele era apenas um jovem, apaixonado pela senhora Elisa. Eles se amavam em segredo. Mas Dom Sebastião descobriu tudo. Ele não podia permitir que Elisa tivesse um filho de um Montenegro, ainda mais um filho que não seria dele. Ele a obrigou a… a dar um fim à gravidez. E ameaçou o jovem Montenegro. Disse que se ele ousasse interferir, destruiria não apenas ele, mas toda a sua família. O amor deles foi esmagado pelo poder e pela ganância.”

O choque tomou conta de Helena. Gabriel Montenegro. O homem que agora entrava em sua vida de forma tão complexa. Ele era filho de sua avó Elisa? Isso significava que Gabriel era seu meio-irmão. A rivalidade entre as famílias Bastos e Montenegro não era apenas uma disputa de poder, mas sim o resultado de um amor proibido e uma tragédia familiar.

“Não… não pode ser…”, Helena sussurrou, as lágrimas começando a brotar em seus olhos. Ela lembrou-se do olhar de Gabriel, da intensidade com que ele a observava. Era a familiaridade de um irmão, misturada à atração de um homem. A paixão que ela sentia por ele, que ela tentava reprimir, agora ganhava uma nova e perturbadora dimensão.

“O jovem Montenegro… ele se chamava…”, Helena perguntou, a voz trêmula.

Dona Lurdes hesitou, como se relutasse em pronunciar aquele nome. “Ele se chamava Artur. O nome do seu pai, senhorita Helena. O seu pai, o senhor Arthur Bastos, não era filho de Dom Sebastião e Elisa. Ele era… filho de Dom Sebastião com outra mulher, uma amante de longa data. O seu avô, para manter as aparências e consolidar seu poder, fez um acordo com o jovem Montenegro. Ele o forçou a se afastar de Elisa para sempre, prometendo que se ele o fizesse, e se Elisa se casasse com ele, o filho que ele esperava seria registrado como seu. Em troca, Dom Sebastião garantiu que o nome Montenegro jamais seria associado a essa história. E o jovem Montenegro, sem escolha, aceitou. Ele se casou com uma mulher de sua família e… e o filho de Elisa, o fruto de seu amor com ele, foi dado a outra família para ser criado. Uma família que não tinha ligação com nenhuma das duas. O seu avô era um homem sem escrúpulos, senhorita Helena. Ele manipulou todos.”

A revelação atingiu Helena como um golpe de misericórdia. Seu pai, Arthur Bastos, não era filho de Elisa. E Gabriel Montenegro… ele era o filho que Elisa esperava. O filho de seu amor secreto com o jovem Montenegro. Seus meio-irmãos. A história se desdobrava em sua mente como um pesadelo.

“Então… o Gabriel… ele é filho da minha avó Elisa?”, Helena perguntou, a voz quase inaudível.

Dona Lurdes assentiu, as lágrimas agora escorrendo livremente por seu rosto. “Sim, senhorita. Ele é o fruto do amor proibido da senhora Elisa. Ele foi dado a uma família distante, longe de tudo isso. Ele cresceu sem saber de sua verdadeira origem. A senhora Elisa sofreu em silêncio por anos. O seu avô nunca mais a procurou após o casamento. Ele a manteve presa em sua teia de poder e controle. E o jovem Montenegro… bem, ele se tornou um homem amargurado. Ele nunca esqueceu Elisa, mas a vida o forçou a seguir em frente.”

Helena sentiu uma onda de compaixão por sua avó, por sua avó Elisa, que sofreu em silêncio, tendo seu amor roubado e seu filho tirado de perto. E Gabriel… ele era o filho dela, vivendo sem saber de sua verdadeira história.

“E Dr. Almeida?”, Helena questionou. “Ele disse que amava minha avó. Ele também sabia de tudo isso?”

“Sim, senhorita. Dr. Almeida era um amigo leal da senhora Elisa. Ele a amava de longe, como um irmão mais velho. Ele sabia da gravidez, do amor dela pelo jovem Montenegro. Ele tentou ajudá-la, mas Dom Sebastião o ameaçou. Ele pagou a Dr. Almeida para se manter afastado, para não interferir. Dr. Almeida se sentiu culpado por não poder fazer mais por ela. Ele guardou esse segredo por todos esses anos, sentindo a dor da senhora Elisa.”

Helena sentiu um nó na garganta. A história de sua família era uma tragédia em sua essência. Um amor proibido, um filho roubado, mentiras que se estenderam por gerações. E agora, ela estava no meio de tudo isso. Ela sentia um misto de revolta contra seu avô, compaixão por sua avó e uma estranha conexão com Gabriel, seu meio-irmão.

“Dona Lurdes, o senhor Artur Bastos… o meu pai… ele soube de alguma coisa? Sobre a verdadeira origem de sua mãe?”

“Não, senhorita. Dom Sebastião era muito cuidadoso. Ele criou uma narrativa perfeita. O senhor Artur sempre acreditou que sua mãe era Elisa. Ele amava sua mãe, mas ela sempre foi distante. Ele nunca soube da verdade. Ele foi mais uma vítima das manipulações do seu avô.”

Helena levantou-se, a mente girando com todas essas novas informações. Ela precisava falar com Gabriel. Ela precisava contar a ele a verdade sobre sua mãe, sobre sua origem. Era um peso enorme, mas ele merecia saber.

“Obrigada, Dona Lurdes. Obrigada por me contar tudo. Eu sei que não deve ter sido fácil.”

Dona Lurdes pegou as mãos de Helena, seus olhos marejados. “Senhorita Helena, o passado é um fardo pesado. Mas a verdade… a verdade liberta. Espero que você encontre paz com isso.”

Ao sair da cozinha, Helena sentiu como se o chão tivesse se aberto sob seus pés. A Mansão Bastos, antes um símbolo de poder e riqueza, agora parecia um lugar assombrado pelas sombras de um passado doloroso. A armadilha do amor, que ela pensava ser apenas uma metáfora, era, na verdade, uma teia de mentiras e segredos que havia prendido as vidas de sua família por gerações. E agora, ela precisava encontrar uma maneira de escapar, e de ajudar Gabriel a encontrar a sua própria liberdade. O caminho à frente seria árduo, repleto de desafios, mas Helena estava determinada a desvendar completamente essa história, custasse o que custasse. Ela sabia que o confronto com Rodrigo seria inevitável, e que as revelações sobre o passado poderiam abalar os alicerces de ambas as famílias.

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