A Armadilha do Amor III

Capítulo 14 — A Armadilha de Rodrigo e a Proposta Inesperada

por Camila Costa

Capítulo 14 — A Armadilha de Rodrigo e a Proposta Inesperada

O sol da tarde pintava o céu de tons alaranjados e rosados, um espetáculo efêmero que contrastava com a escuridão dos planos de Rodrigo Bastos. Sentado em seu escritório luxuoso, com a vista da cidade a seus pés, ele observava as primeiras luzes piscarem, cada uma delas representando um peão em seu jogo de poder. Os relatórios do Detetive Silva estavam espalhados sobre sua mesa, detalhando cada passo de Gabriel Montenegro. A informação sobre o empréstimo obscuro era a peça que faltava em seu quebra-cabeça.

“Intermediário… Sr. Dimitri Volkov… russo… conhecido por seus negócios no mercado negro…”, Rodrigo lia em voz alta, um sorriso frio se espalhando por seu rosto. Volkov era um nome de peso no submundo financeiro, um homem perigoso com quem Gabriel, em sua desespero, havia se arriscado a negociar.

Rodrigo pegou o telefone e discou um número. “Dimitri? Rodrigo Bastos. Sim, o neto de Dom Sebastião. Preciso de um favor. Um serviço. Quero que você… digamos, acelere a cobrança de uma certa dívida. Uma dívida com um certo Gabriel Montenegro. Quero que ele sinta a pressão. Quero que ele perceba que está encurralado. E, se possível, quero que você lhe dê um recado… um recado de que seus inimigos estão de olho nele. Eu lhe darei o nome de quem você deve procurar quando ele estiver em dificuldades. Tenha certeza de que ele saberá quem o colocou nessa situação. E, claro, seu pagamento será… generoso.”

Rodrigo desligou o telefone, a satisfação pulsando em suas veias. Ele sabia que Gabriel Montenegro, com sua reputação de homem de negócios implacável, mas também de homem de princípios, seria dilacerado pela situação. Se ele se voltasse para os Montenegro em busca de ajuda, a rivalidade entre as famílias se aprofundaria. Se ele tentasse lidar com Volkov sozinho, o risco seria imenso.

Ele sabia que Helena estava obcecada em desvendar o passado. Ele a observava de longe, sabendo que sua busca pela verdade a tornava vulnerável. Ele pretendia usar essa vulnerabilidade a seu favor. A revelação sobre Gabriel ser filho de Elisa e do jovem Montenegro, se usada corretamente, poderia ser devastadora.

“Helena, minha querida”, Rodrigo murmurou, enquanto pegava um copo de uísque. “Você está brincando com fogo. E eu sou o único que pode te proteger… ou te queimar.”

Ele pegou seu celular e enviou uma mensagem para Helena: “Precisamos conversar. Urgente. Sobre o passado e sobre o seu futuro. Na minha residência, esta noite. Traga apenas você. Ninguém mais.”

Enquanto isso, Helena estava em um estado de turbulência emocional. As revelações de Dona Lurdes haviam virado seu mundo de cabeça para baixo. Gabriel Montenegro, o homem por quem ela sentia uma atração inegável e perturbadora, era seu meio-irmão. Sua avó Elisa havia sofrido imensamente, e seu avô, Dom Sebastião, era o principal responsável por essa tragédia.

Ela sabia que precisava contar a Gabriel. Mas como? E quando? A possibilidade de que ele estivesse em perigo, que Rodrigo estivesse tramando algo contra ele, a deixava apreensiva.

Ela decidiu ir até o escritório de Gabriel. Ela precisava vê-lo, ter certeza de que ele estava bem, e encontrar o momento certo para revelar a verdade.

Ao chegar ao prédio moderno onde Gabriel mantinha seus escritórios, Helena foi informada pela recepcionista que ele estava em uma reunião importante. Ela insistiu, dizendo que era algo urgente e pessoal. A recepcionista, após uma breve conversa ao telefone, a informou que Gabriel a receberia em seu escritório particular.

Gabriel a recebeu com uma expressão de surpresa, mas também com um leve tom de preocupação em seus olhos. “Helena? O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa?”

Helena o olhou, a hesitação estampada em seu rosto. A verdade era pesada demais para ser dita levianamente. Ela tentou pensar em como começar. “Gabriel, preciso te contar algo. Algo muito importante. Algo sobre sua mãe. Sobre Elisa.”

Gabriel ficou pálido. “Minha mãe? O que você descobriu, Helena? Você sabe de algo que ninguém mais sabe?”

Helena respirou fundo. “Sim, Gabriel. Eu descobri. Descobri a verdade sobre sua origem. Sua mãe, Elisa, te amava profundamente. E o homem que ela amava, o homem que era seu pai biológico… era o jovem Montenegro da época. O seu pai. E o homem que se casou com Elisa, Dom Sebastião, o seu avô, ele não era o seu pai. Ele manipulou tudo. Ele ameaçou seu pai, e te tirou de sua mãe.”

As palavras pairaram no ar, carregadas de emoção e choque. Gabriel a olhava, os olhos arregalados, o corpo tenso. Ele parecia atordoado, como se o mundo tivesse desabado ao seu redor.

“Não… isso não pode ser verdade…”, ele murmurou, abalado. “Meu pai… o homem que me criou… ele não era meu pai? E Elisa… ela era minha mãe?”

Helena assentiu, as lágrimas começando a rolar por seu rosto. “Sim, Gabriel. Você é filho de Elisa e do jovem Montenegro. Você foi dado a outra família para ser criado, para que Dom Sebastião pudesse manter as aparências. E o seu pai… ele é um homem que você conhece. Ele é… você.” A revelação de que Gabriel era o filho de Elisa e dele mesmo (o jovem Montenegro) foi um erro de Helena. Ela corrigiu rapidamente. “Não, Gabriel. Seu pai… ele era o jovem Montenegro. Um homem que você nunca conheceu. Mas… você é o filho dela. Você é o filho que ela tanto amou e que foi tirado dela.”

Gabriel sentou-se em sua cadeira, a cabeça entre as mãos. Ele parecia perdido, desorientado. “Eu sempre senti algo… uma conexão com essa história. Uma estranha sensação de pertencimento. Mas eu nunca imaginei… eu não sei o que dizer, Helena.”

“Eu sei que é chocante, Gabriel. Mas é a verdade. E eu acredito que você precisa saber. E eu preciso que você tenha cuidado. Rodrigo Bastos… ele sabe de tudo isso. Ele está tramando algo contra você. Ele quer te destruir.”

Nesse momento, o celular de Gabriel tocou. Era uma mensagem de um número desconhecido. Ele a abriu e leu, seu rosto empalidecendo a cada linha. Era um aviso sobre Volkov, sobre a dívida sendo acelerada, e um recado sinistro: “Seus inimigos estão de olho em você. Rodrigo Bastos.”

“Rodrigo…”, Gabriel rosnou, levantando-se abruptamente. “Ele está por trás disso. Ele sabia que eu estava em dificuldades, e ele está usando isso contra mim.”

Helena sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Rodrigo era mais perigoso do que ela imaginava. Ele estava disposto a manipular a história e a vida de sua própria família para atingir seus objetivos.

“Gabriel, você precisa ser cuidadoso. Rodrigo é perigoso. Ele não vai parar por nada para te prejudicar.”

De repente, um pensamento sombrio passou pela mente de Helena. E se Rodrigo estivesse usando a revelação sobre a origem de Gabriel para atingi-la também? E se ele estivesse planejando usar essa informação para destruir o noivado dela e de Rodrigo, e ao mesmo tempo, arruinar Gabriel?

“Rodrigo me enviou uma mensagem”, Helena disse, a voz tensa. “Ele quer que eu vá à residência dele esta noite. Ele disse que é urgente, sobre o meu futuro.”

Gabriel a olhou, a preocupação genuína em seus olhos. “Você não pode ir, Helena. É uma armadilha. Ele quer te manipular, usar você contra mim, contra a sua própria família.”

“Mas e se ele tiver informações sobre meu pai? Sobre a verdade sobre meu pai? Dona Lurdes disse que meu pai, Arthur Bastos, também foi vítima de Dom Sebastião.”

“Helena, a verdade sobre seu pai está em outro lugar. Não com Rodrigo. Ele só quer te controlar. Não vá. Fique comigo. Precisamos pensar em como lidar com essa situação.”

Helena hesitou. A atração que ela sentia por Gabriel, agora misturada com a dor de suas origens compartilhadas, era avassaladora. Ela sentia que estava em um campo minado, com Rodrigo a manipulando de todos os lados.

“Eu não posso ignorar isso, Gabriel. Se Rodrigo tiver informações sobre meu pai… eu preciso saber.”

Enquanto conversavam, o telefone de Helena tocou. Era uma mensagem de Rodrigo. “Vejo que você está com Montenegro. Uma escolha interessante, considerando tudo. Mas o seu futuro está comigo, Helena. Se você realmente quer saber a verdade sobre seu pai, e sobre o legado da família Bastos, você virá até mim. Sozinha. Esta noite. Na minha residência. Se não vier, tudo o que eu descobri sobre você e Montenegro será revelado. E a verdade sobre Elisa e o jovem Montenegro virá à tona, de forma que não lhe agradará. A escolha é sua.”

Helena sentiu um arrepio de medo. Rodrigo estava jogando suas últimas cartas, usando todas as informações que possuía para controlá-la. Ela olhou para Gabriel, o desespero em seus olhos. Ela estava presa.

“Ele está me chantageando, Gabriel”, Helena disse, a voz embargada. “Ele sabe sobre nós, sobre a verdade sobre Elisa e o Montenegro. Ele vai expor tudo se eu não for.”

Gabriel segurou suas mãos com firmeza. “Não se preocupe, Helena. Nós vamos lidar com isso juntos. Você não vai sozinha. Se ele quer jogar, nós jogaremos com ele. Mas desta vez, nós ditaremos as regras.”

Ele olhou para ela, a determinação brilhando em seus olhos. “Eu não vou deixar ele te machucar, Helena. E eu não vou deixar ele destruir a verdade sobre nossas famílias.” A proposta de Rodrigo, embora traiçoeira, havia, paradoxalmente, unido Helena e Gabriel em um propósito comum. A armadilha de Rodrigo, ironicamente, estava criando uma nova armadilha para ele.

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