A Armadilha do Amor III

Capítulo 17 — A Proposta Cruel e o Dilema de Helena

por Camila Costa

Capítulo 17 — A Proposta Cruel e o Dilema de Helena

O sol da manhã penetrava pelas frestas das persianas, pintando listras douradas no chão de madeira polida. Helena ainda estava na mesma posição, sentada na poltrona macia da sala de estar, os olhos fixos em um ponto qualquer, como se buscasse respostas no vazio. A conversa com sua mãe havia terminado horas antes, mas as palavras de Dona Lurdes pairavam no ar, misturando-se às memórias da noite anterior. A preocupação genuína de sua mãe, a fragilidade em sua voz, tudo isso apenas aumentava a responsabilidade que Helena sentia recair sobre seus ombros.

Rodrigo havia deixado uma carta. Um envelope lacrado, deixado discretamente na mesa de centro. Helena o pegou com mãos trêmulas, sentindo o peso do papel como se fosse o peso de seu próprio destino. A caligrafia de Rodrigo era firme, precisa, assim como sua mente.

Helena,

Sei que a noite de ontem foi turbulenta e que a verdade pode ter sido mais dura do que você esperava. Mas a verdade é o único alicerce sobre o qual podemos construir algo. A proposta que fiz não é um capricho, mas uma necessidade.

Você sabe, pelo que lhe foi revelado, a situação financeira de sua família é insustentável. A empresa Bastos, que um dia foi o orgulho de nosso sobrenome, está à beira da ruína. E, infelizmente, a sua própria reputação corre o risco de ser manchada por essa instabilidade.

Eu tenho o poder de reverter essa situação. Tenho os recursos e o conhecimento para reerguer a Bastos e garantir que nem você nem sua mãe passem por privações.

O preço é alto, eu sei. Mas é um preço que pagaremos juntos. Um casamento entre nós. Um casamento de conveniência, inicialmente. Mas que, com o tempo, pode se tornar algo mais. Um acordo que protegerá sua família e, acredite, me libertará de um fardo que carrego há anos.

Pense com clareza, Helena. Não se trata apenas de dinheiro, mas de dignidade. De honra. De um futuro seguro para as mulheres que você ama.

Estou à sua disposição para discutir os termos. Acredito que juntos podemos encontrar uma solução.

Rodrigo Bastos.

Helena releu a carta pela terceira vez. "Um casamento de conveniência". As palavras a faziam estremecer. Ela visualizou Rodrigo, seu porte altivo, seus olhos penetrantes que pareciam enxergar sua alma. Ele a queria. Não por amor, não por paixão, mas como um troféu, uma peça estratégica em seu tabuleiro de xadrez. E, ao mesmo tempo, ela sabia que ele estava dizendo a verdade sobre a situação financeira. A empresa Bastos era o sustento de sua família, e a sua queda significaria a perda de tudo.

Ela se levantou e foi até a janela, observando o movimento lá fora. Pessoas indo para o trabalho, a vida seguindo seu curso normal, alheia à tempestade que se abatia sobre ela. A imagem de sua mãe, preocupada e frágil, passou por sua mente. Dona Lurdes havia sacrificado tanto, vivido em constante sacrifício. Helena não podia permitir que tudo isso fosse em vão.

Mas a ideia de se entregar a Rodrigo, de se tornar sua esposa, era como um nó na garganta. Ela se lembrava da raiva em seus olhos quando ela o confrontara na noite anterior, da frieza com que ele a tratara em tantos momentos. Seria possível construir algo sobre uma base tão frágil? Seria possível amar o homem que, de certa forma, a havia traído, mesmo que indiretamente?

Ela pegou o telefone e discou o número de sua mãe.

"Mãe?", ela disse, tentando manter a voz firme.

"Helena! Você já pensou?", Dona Lurdes perguntou, ansiosa.

"Pensei, mãe. E... eu sei que é difícil de ouvir, mas a situação é grave. Rodrigo tem razão. A empresa está em um caminho perigoso. E se algo acontecer, nós duas ficaremos sem nada."

Dona Lurdes suspirou, um som pesado de resignação. "Eu sei, minha filha. Eu sempre soube que o destino de nossa família estava entrelaçado com a família Bastos. Mas... um casamento com ele, Helena? Você tem certeza?"

"Não tenho certeza de nada, mãe. Mas tenho certeza de que não posso deixar vocês passarem por mais dificuldades. Se essa for a única maneira de garantir o nosso futuro, eu... eu vou considerar."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Helena sabia o quanto aquela decisão era dolorosa para sua mãe, que sonhara com um futuro diferente para a filha, um futuro livre das teias da família Bastos.

"Você é uma mulher forte, Helena. Sempre foi", Dona Lurdes disse, a voz embargada. "Faça o que seu coração mandar, mas pense bem. Não se sacrifique por nós. Nós podemos recomeçar."

"Não se preocupe, mãe. Eu não me sacrificarei. Eu vou encontrar uma maneira de lidar com isso. Eu vou conversar com Rodrigo novamente."

A conversa terminou, deixando Helena com um peso ainda maior em seu peito. O dilema era cruel: sacrificar sua liberdade e seu orgulho em nome da segurança de sua família, ou arriscar tudo em busca de um futuro incerto, longe das garras da Armadilha do Amor. Ela sabia que precisava agir com frieza, mas seu coração, teimosamente, teimava em bater mais forte ao pensar naquele homem de olhar sombrio e atitudes enigmáticas.

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