A Armadilha do Amor III

Capítulo 19 — Os Sussurros da Sociedade e a Dança de Rodrigo

por Camila Costa

Capítulo 19 — Os Sussurros da Sociedade e a Dança de Rodrigo

A notícia do noivado entre Helena e Rodrigo Bastos explodiu como uma bomba no circuito social da cidade. Em poucas horas, os celulares não paravam de tocar, os grupos de WhatsApp fervilhavam e os comentários maldosos e especulativos inundavam as redes sociais. Helena se sentia como um passarinho enjaulado, observada por mil olhos curiosos, cada movimento seu sendo dissecado e julgado.

Ela estava em casa, tentando organizar seus pensamentos, quando o telefone tocou. Era sua tia, Dona Aurora, uma mulher elegante e conhecida por sua língua afiada.

"Helena, minha querida! Que notícia maravilhosa! Eu não podia acreditar quando ouvi! Rodrigo Bastos! Que partido! Parabéns, meu amor!", Dona Aurora disse, a voz transbordando um entusiasmo que Helena sabia ser mais interesse do que afeto genuíno.

"Obrigada, tia Aurora", Helena respondeu, a voz contida. "É tudo muito rápido."

"Rápido? Ah, minha filha, o amor às vezes chega assim, de surpresa! E Rodrigo, que homem! Tão bonito, tão rico, tão poderoso! Ele vai cuidar de você como uma rainha. E a empresa! Ai, que alívio para sua mãe, não é? Todos sabíamos que algo precisava ser feito."

Helena suspirou. Todos sabiam. Todos sabiam que a empresa Bastos estava em má situação, e que a queda seria catastrófica. Mas agora, o noivado com Rodrigo era a solução, e Helena era a moeda de troca.

"Rodrigo tem sido muito prestativo, tia. Ele está ajudando com a empresa", Helena disse, evitando entrar em detalhes sobre a verdadeira natureza do acordo.

"Prestativo? Ah, ele é um homem de palavra! E tão generoso! Ouvi dizer que ele já fez uma proposta para comprar a dívida da sua mãe. Um cavalheiro! Você deu sorte, minha querida. Muita sorte!"

Dona Aurora continuou por mais alguns minutos, enumerando os benefícios do casamento, os convites para eventos que certamente surgiriam, as invejas das outras mulheres. Helena ouvia tudo com um misto de resignação e irritação. A sociedade via apenas o brilho, a riqueza, o poder. Ninguém enxergava a complexidade, as armadilhas, a dor escondida por trás daquele enlace.

Mais tarde, Rodrigo ligou. Sua voz, ao contrário da de Dona Aurora, era séria, profissional.

"Helena. A notícia já se espalhou. Precisamos organizar um jantar de anúncio oficial para os investidores e os principais acionistas. Amanhã à noite. Na sua casa. Posso contar com você?"

"Sim, Rodrigo. Minha casa está à sua disposição."

"Ótimo. E, Helena, lembre-se do nosso acordo. Precisamos apresentar uma frente unida. Uma história de amor. A imprensa adorará."

"Eu sei." O tom de Helena era frio. Ela não estava apaixonada, e a ideia de fingir que estava era perturbadora.

"Você está bem?", Rodrigo perguntou, sua voz suavizando um pouco. Parecia haver uma genuína preocupação por trás da pergunta, algo que Helena não esperava.

"Estou lidando com isso", ela respondeu.

"Eu sei que não é fácil. Mas prometo que faremos isso funcionar. Para o bem de todos."

A chamada terminou, deixando Helena mais inquieta do que antes. A dança social havia começado, e ela era a principal atração. Rodrigo parecia se mover com maestria nesse mundo de aparências e interesses, enquanto Helena se sentia cada vez mais deslocada.

Na noite seguinte, a mansão Bastos estava impecável. Flores arranjadas com perfeição, garçons circulando com bandejas de canapés finos e espumante gelado. Helena, vestida em um elegante vestido azul marinho, recebia os convidados ao lado de Rodrigo. Ele exibia um sorriso confiante, o braço firmemente posicionado em sua cintura, transmitindo uma imagem de harmonia e paixão que era pura fachada.

Enquanto conversava com um dos investidores, Helena sentiu um olhar penetrante sobre si. Era Rodrigo. Ele a observava com uma intensidade que a fez desviar o olhar. Havia algo em seu olhar que ela não conseguia decifrar. Era possessividade? Ou apenas a satisfação de um homem que sabia que estava ganhando o jogo?

Durante o jantar, Rodrigo fez um discurso breve, mas eloquente. Falou sobre a união de duas famílias, sobre a força da tradição e sobre um futuro promissor para a empresa Bastos. Cada palavra era cuidadosamente escolhida, cada gesto calculado para impressionar. Helena sentiu um arrepio ao perceber a habilidade de Rodrigo em manipular as aparções, em tecer uma teia de mentiras que parecia real.

No final da noite, quando os últimos convidados se despediram, Rodrigo se virou para Helena. Seus olhos brilhavam com uma mistura de triunfo e algo mais, algo que a deixou desconfortável.

"Você se saiu bem, Helena", ele disse, a voz baixa, um leve sorriso nos lábios. "Todos acreditaram. A história de amor perfeita."

"Era o que você queria, não é? Que todos acreditassem na nossa história."

"E você também. Afinal, é a nossa salvação." Ele a olhou nos olhos, e pela primeira vez, Helena sentiu um vislumbre da complexidade por trás da fachada de Rodrigo. Ele era um homem perigoso, determinado, mas talvez, apenas talvez, houvesse algo mais nele do que ela imaginava.

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