Sua para Sempre III

Sua para Sempre III

por Ana Clara Ferreira

Sua para Sempre III

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 21 — O Mar que Separa Corações

O ar da noite no Rio de Janeiro parecia carregar um perfume diferente, uma mistura agridoce de saudade e incerteza. Debruçada na varanda do apartamento em Ipanema, Helena observava as luzes da cidade cintilarem como estrelas caídas, cada uma delas um lembrete silencioso de um futuro que se tornava cada vez mais nebuloso. As ondas quebravam na praia com um ritmo constante, um eco da turbulência que a consumia por dentro.

Do outro lado do Atlântico, em Lisboa, Rafael sentia o peso da distância como uma âncora em seu peito. A cada amanhecer, o sol europeu trazia consigo a lembrança vívida do sol brasileiro, do sorriso de Helena, do calor de sua pele. A cidade, antes vibrante e cheia de promessas, agora parecia um labirinto de solidão. As conversas com Helena eram breves, apressadas, marcadas pela diferença de fuso horário e pela angústia de não poder tocá-la, de não poder sentir seu abraço.

"Filha, você precisa comer alguma coisa", disse Dona Clara, a voz suave, mas firme, interrompendo os devaneios de Helena. A mãe se aproximou, um prato de frutas frescas em mãos, os olhos cheios de preocupação. Ela via a filha definhar, o brilho em seus olhos substituído por uma névoa de tristeza.

Helena suspirou, forçando um sorriso. "Eu não tenho fome, mãe."

"Você tem que se cuidar, Helena. O Rafael te ama, e ele voltará. Vocês vão superar isso", Dona Clara tentou, mas as palavras soavam vazias até para seus próprios ouvidos. Ela sabia que o amor deles era forte, mas a distância, ah, a distância era um monstro insidioso.

Rafael, em seu escritório em Lisboa, olhava para a foto de Helena em seu celular. Era um retrato espontâneo, tirado em um dia ensolarado na praia. Seus olhos riam, seus cabelos voavam ao vento. Ele apertou o aparelho contra o peito, um nó se formando em sua garganta. A reunião importante com os investidores da nova filial portuguesa havia sido um sucesso estrondoso, mas a vitória parecia oca, sem o gosto da celebração compartilhada.

"Rafael, a ligação da Dona Clara está aqui", disse Mariana, sua assistente, entrando no escritório. O nome da mãe de Helena era como um bálsamo e uma tortura.

"Obrigado, Mariana. Deixe-me em paz por um momento", respondeu ele, a voz rouca. Ele aceitou a chamada, o coração disparado.

"Oi, mãe", disse ele, tentando soar animado.

"Oi, meu filho. Como estão as coisas por aí? O trabalho, a adaptação?" Dona Clara sondava, a preocupação transparecendo em sua voz.

"Está tudo bem, mãe. É muito trabalho, mas estou gostando. A cidade é linda", ele mentiu. A verdade era que Lisboa, por mais encantadora que fosse, não era o Rio, não era o lar que ele ansiava.

"E Helena? Vocês têm conseguido conversar?"

O tom de Dona Clara mudou sutilmente, e Rafael soube que ela sabia. Sabia da angústia que pairava no ar entre mãe e filha. "Falamos todos os dias, mãe. Mas é difícil. A saudade aperta." A confissão escapou antes que ele pudesse contê-la.

"Eu sei, meu filho. É difícil para ela também. Ela sente sua falta terrivelmente", Dona Clara confidenciou, a voz embargada. "Ela não tem dormido direito, Rafael. Está magra, pálida."

Rafael fechou os olhos com força, a imagem de Helena magra e pálida o assustando. "Mãe, eu... eu não sei quanto tempo mais consigo aguentar isso. As reuniões, os contratos, tudo me parece vazio sem ela. Sem sentir o cheiro do mar do Rio, sem o sorriso dela."

"Eu sei, meu amor. Mas você precisa ser forte. Por vocês. Ele virá a tempo, você vai ver", Dona Clara tentou confortá-lo, embora ela mesma estivesse afogada em suas próprias dúvidas.

Naquela noite, Helena sentou-se ao piano, as mãos hesitando sobre as teclas. A melodia que costumava trazer conforto agora soava melancólica, um lamento. Ela tentou compor algo novo, mas as notas se emaranhavam em um nó de dor. Era uma sinfonia de corações partidos, de sonhos adiados.

Rafael, em seu apartamento em Lisboa, abriu a janela e deixou que o ar frio da noite entrasse. Ele fechou os olhos e imaginou a brisa do mar do Rio, o som das ondas. Ele pegou seu celular e, sem pensar muito, discou o número de Helena.

O telefone tocou uma vez, duas vezes. Helena, ainda sentada ao piano, viu o identificador de chamadas e seu coração disparou. Hesitou, com medo de que a voz dele trouxesse ainda mais dor, mas a necessidade de ouvi-lo era maior.

"Alô?" A voz dela saiu trêmula.

"Helena", a voz dele era um sussurro rouco do outro lado da linha. "Eu precisava ouvir você."

Lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Helena. "Rafael... eu também."

"Como você está?" ele perguntou, a saudade transbordando em cada sílaba.

"Estou... estou tentando. E você?"

"Estou sobrevivendo", ele admitiu. "Mas o Rio sem você é como Lisboa sem o Tejo, Helena. Falta a alma."

Um silêncio carregado de emoção se instalou entre eles. Cada respiração, cada batida de coração, parecia amplificada pela distância que os separava.

"Eu vi você no sonho hoje", Helena disse, a voz embargada. "Você estava na praia, e eu corri para te abraçar, mas você desapareceu."

Rafael sentiu um arrepio. "Eu te vi também. Você estava sorrindo, e então tudo ficou escuro." A conexão deles, mesmo à distância, parecia se manifestar em pesadelos compartilhados.

"O que vamos fazer, Rafael?" Helena perguntou, a pergunta que pairava no ar entre eles há semanas.

Ele respirou fundo, a decisão se formando em sua mente. "Eu não posso mais. Não posso viver essa vida sem você ao meu lado. As reuniões, os contratos, tudo isso perde o sentido se não puder compartilhar com você. Eu vou voltar."

Helena prendeu a respiração. "Você vai voltar? Assim, de repente?"

"Sim. As coisas podem esperar. Você não pode. Eu preciso de você, Helena." A voz dele era cheia de uma determinação que ela não ouvia há meses.

"Rafael, mas o trabalho... a sua empresa..."

"Eu resolvo. O que me importa de verdade é você. É nós. Eu não quero mais que o mar nos separe, meu amor."

Um soluço escapou de Helena, um misto de alívio e exaltação. "Eu te amo tanto."

"Eu te amo mais. Prepare-se, meu amor. Em breve, estaremos juntos novamente. E dessa vez, nada nem ninguém vai nos separar."

Enquanto desligavam, Helena sentiu uma esperança renovada pulsar em seu peito. A distância ainda era real, mas agora havia uma promessa no ar, uma luz no fim do túnel que a fez sentir que, talvez, tudo ficaria bem. Rafael, por sua vez, sentiu um peso sair de seus ombros. A decisão estava tomada, e a viagem de volta para casa, para Helena, parecia a única jornada que importava.

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Capítulo 22 — A Tempestade Interior de Sofia

Sofia observava o reflexo de seu rosto no espelho, uma máscara de serenidade que mal conseguia disfarçar a tempestade que a assolava. As olheiras profundas eram um testemunho silencioso das noites insones, dos pensamentos que a atormentavam sem trégua. O novo projeto de expansão da construtora ia de vento em popa, e a admiração de seus pares era palpável, mas para Sofia, o sucesso profissional se tornara um fardo.

Desde o reencontro inesperado com Ricardo na festa de gala, a vida de Sofia havia ganhado contornos perigosos. As lembranças de um passado intenso e apaixonado voltavam com uma força avassaladora, desestabilizando a ordem que ela havia construído com tanto esforço. Ricardo, o homem que ela amou e que a fez sofrer, agora estava de volta, irradiando a mesma sedução e perigo de sempre.

"Sofia, você tem uma reunião com o conselho em dez minutos", disse André, seu chefe de gabinete, batendo levemente na porta de seu escritório.

Sofia suspirou, arrumando o blazer impecável. "Obrigada, André. Já estou indo."

Enquanto caminhava pelos corredores luxuosos da empresa, Sofia se sentia como uma atriz em um palco. Cada sorriso, cada aperto de mão, era uma performance calculada. Ela sabia que estava no topo de sua carreira, que havia lutado com unhas e dentes para chegar ali, mas a perspectiva de sucumbir à tentação de Ricardo a aterrorizava.

Na sala de reuniões, os rostos dos diretores a recebiam com sorrisos e acenos de cabeça. Todos elogiavam sua visão estratégica, sua capacidade de liderança. Sofia respondia com frases prontas, com um brilho forçado nos olhos. Mas por dentro, a imagem de Ricardo em seu terno escuro, com aquele sorriso malicioso, não saía de sua mente.

Mais tarde naquele dia, Sofia estava em seu apartamento, tentando relaxar com um livro, mas as palavras dançavam sem sentido nas páginas. Ela pegou o celular, o dedo pairando sobre o contato de Ricardo. Eles haviam se encontrado algumas vezes desde a festa, sempre em circunstâncias "coincidências" cuidadosamente orquestradas por ele. As conversas eram carregadas de uma tensão sexual palpável, de memórias compartilhadas que ameaçavam romper a barreira de sua autoconfiança.

"O que você quer, Ricardo?", ela sussurrou para si mesma, a voz quase inaudível.

O celular tocou, tirando-a de seus devaneios. Era Ricardo. O coração de Sofia disparou. Ela respirou fundo antes de atender.

"Sofia, querida. Pensei que estivesse ocupada demais para atender minhas ligações", a voz dele era um murmúrio sedutor, cheio de ironia.

"Ricardo, o que você quer?", ela repetiu, tentando manter a voz firme.

"Só queria saber como está a mulher mais brilhante do mercado imobiliário", ele disse, a voz baixa, íntima. "E, quem sabe, te convidar para um drink. Aquele bar no centro, lembra? Onde tudo começou."

Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O bar. Aquele bar onde o romance deles floresceu, e onde o veneno de suas inseguranças também havia começado a agir. "Ricardo, isso não é uma boa ideia."

"Por que não, Sofia? Ainda temos muito o que conversar, não acha? Sobre o passado. E sobre o futuro." O tom dele era sugestivo, perigoso.

"Eu estou focada no meu trabalho agora, Ricardo. E não tenho tempo para..."

"Para o que, Sofia? Para um pouco de diversão? Para lembrar quem você é, além da empresária implacável? Eu sei que por baixo dessa armadura você ainda é a mesma mulher que me tirou o fôlego."

As palavras dele a atingiram em cheio. Era verdade. Havia uma parte dela, enterrada sob camadas de pragmatismo e decepção, que ainda ansiava pela paixão, pela intensidade que Ricardo representava.

"Eu não posso, Ricardo", ela disse, a voz mais fraca.

"Você pode, Sofia. Você é mais forte do que pensa. E eu estou aqui, esperando. Se mudar de ideia, sabe onde me encontrar." A chamada foi encerrada, deixando Sofia em um turbilhão de emoções conflitantes.

No dia seguinte, Sofia tomou uma decisão que a assustou. Ela foi ao bar. Aquele bar. O ambiente era o mesmo, a música suave, as luzes baixas. E lá, em uma mesa no canto, estava Ricardo. Ele se levantou ao vê-la, um sorriso vitorioso brincando em seus lábios.

"Eu sabia que você viria", disse ele, estendendo a mão para guiá-la até a mesa.

Eles pediram drinks e começaram a conversar. As memórias vieram à tona, as risadas, as juras de amor, as brigas. Sofia se viu envolvida pela aura de Ricardo, pela forma como ele a olhava, como se ela fosse a única mulher no mundo.

"Você não mudou nada, Sofia", ele disse, pegando sua mão por cima da mesa. "Ainda tem essa força nos seus olhos."

"E você continua o mesmo sedutor perigoso", ela respondeu, tentando manter um tom de brincadeira, mas sentindo o coração acelerar.

A conversa fluiu, e a linha entre o passado e o presente se tornou cada vez mais tênue. Ricardo falou sobre seus arrependimentos, sobre como ele havia sido um tolo em deixá-la ir. Sofia ouviu, parte dela querendo acreditar, parte dela cética.

"Eu sinto tanto a sua falta, Sofia", ele disse, aproximando-se, seu olhar fixo nos dela. "Eu cometi erros terríveis, eu sei. Mas eu te amo. Eu sempre amei."

As palavras dele eram um veneno doce. Sofia se viu atraída por ele, pela promessa de um amor que ela pensava ter enterrado para sempre. Ela sabia que estava brincando com fogo, que a queda poderia ser devastadora, mas a atração era irresistível.

De repente, a porta do bar se abriu, e Helena entrou, acompanhada por Rafael. Eles haviam chegado de Lisboa naquele dia e decidiram celebrar o reencontro com um jantar íntimo. A visão de Sofia e Ricardo juntos na mesa do canto a atingiu como um soco no estômago.

"Sofia?", Helena chamou, a voz embargada pela surpresa e pela mágoa.

Sofia congelou. Seu rosto empalideceu. Ela se virou lentamente, o choque estampada em sua expressão. Ricardo a seguiu, o sorriso desaparecendo de seus lábios.

"Helena! Rafael! Que surpresa!", Sofia tentou disfarçar, a voz tensa. "O que vocês fazem aqui?"

"Nós acabamos de chegar de Lisboa", Rafael respondeu, o olhar fixo em Sofia, mas a preocupação com Helena era evidente. "Viemos festejar nosso reencontro."

Helena não conseguia tirar os olhos de Sofia, de Ricardo. A imagem deles juntos, a proximidade, a cumplicidade que emanava deles, a fez sentir um nó na garganta. Ela sabia que não deveria se sentir assim, que Sofia era sua amiga, mas a dor era avassaladora.

"Vocês estão juntos?", Helena perguntou a Sofia, a voz quase inaudível.

Sofia hesitou, olhando para Ricardo, depois para Helena. A verdade, por mais dolorosa que fosse, precisava ser dita.

"Helena, eu... nós estávamos apenas conversando", Sofia começou, mas Rafael a interrompeu.

"Estávamos celebrando. Um reencontro inesperado", Rafael disse, tentando amenizar a situação. Mas Helena sentiu a verdade nas entrelinhas.

A noite que deveria ser de celebração para Helena e Rafael se transformou em um palco de conflitos e revelações. Sofia sentiu o peso do olhar de Helena sobre si, a decepção em seus olhos. Ela sabia que havia cruzado uma linha perigosa, que havia permitido que seus desejos a cegassem para as consequências. A tempestade interior de Sofia havia finalmente encontrado uma forma de explodir, e ela sabia que a calmaria estava longe de chegar.

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Capítulo 23 — O Sabor Agridoce da Reconciliação

O peso do silêncio entre Helena e Rafael era palpável. A euforia do reencontro em Lisboa, a promessa de um futuro juntos, parecia ter se dissipado no ar rarefeito da noite carioca. A imagem de Sofia e Ricardo, juntos naquela mesa, a surpresa em seus rostos ao serem flagrados, pairava como uma nuvem sombria sobre eles.

De volta ao apartamento em Ipanema, o clima era de apreensão. Helena, deitada na cama, encarava o teto, enquanto Rafael se sentava na beira, a testa franzida em preocupação.

"Você está bem?", ele perguntou, a voz suave, mas carregada de incerteza.

Helena balançou a cabeça negativamente. "Eu não sei, Rafael. Eu não entendo."

"Eu também não", ele admitiu, sentindo a mesma confusão e decepção. "Sofia é sua amiga. Por que ela estaria com Ricardo?"

"Eu não sei. Eu não sei o que pensar. Por que ela não me disse que estava o vendo? Por que me encontrou lá, com ele?" As perguntas ecoavam no silêncio, sem resposta.

Rafael a abraçou, sentindo a fragilidade dela. "Talvez haja uma explicação, Helena. Talvez não seja o que parece."

"O que mais poderia ser, Rafael? Eles estavam juntos, íntimos. E o Ricardo... ele sempre foi o meu demônio." A menção de Ricardo trouxe de volta uma onda de lembranças dolorosas para Helena. A forma como ele a havia manipulado no passado, como havia se aproveitado de suas inseguranças.

"Eu sei. E eu não vou deixar que ele te machuque de novo", Rafael prometeu, apertando-a contra si. "Mas agora, o mais importante é nós. Estamos juntos. E isso é o que importa."

No dia seguinte, Helena decidiu que precisava conversar com Sofia. A amizade delas era importante demais para ser deixada de lado por um mal-entendido, ou por um erro. Ela marcou um encontro em um café tranquilo em Leblon.

Quando Sofia chegou, seu semblante era sombrio, os olhos ainda marcados pela insônia. Ela sentou-se em frente a Helena, o silêncio entre elas pesado.

"Sofia...", Helena começou, a voz trêmula. "Eu preciso entender."

Sofia suspirou, olhando para as próprias mãos. "Helena, eu... eu sinto muito. Muito mesmo. Eu não queria que você me visse assim. Não naquele momento."

"Então me diga, Sofia. O que está acontecendo? Por que você estava com o Ricardo?" A pergunta saiu com mais firmeza do que Helena esperava.

Sofia hesitou, as palavras parecendo difíceis de pronunciar. "É complicado, Helena. Ricardo apareceu na minha vida de novo, e eu... eu me deixei levar. Eu sei que ele te machucou, e eu deveria ter sido mais forte, deveria ter me afastado dele."

"Você está se envolvendo com ele de novo?", Helena perguntou, a decepção clara em sua voz.

"Não!", Sofia respondeu rapidamente, o pânico em seus olhos. "Eu não estou me envolvendo com ele. Foi um erro. Um momento de fraqueza. Ele me procurou, falou coisas que me abalaram, e eu... eu fui fraca. Eu me deixei levar pelas lembranças, pela sedução dele. Mas não significa nada, Helena. Absolutamente nada. Eu percebi o erro no instante em que te vi."

Helena a encarou, tentando decifrar a verdade em seus olhos. Ela via o arrependimento genuíno, a dor em seu rosto. "Sofia, você sabe o que o Ricardo é capaz de fazer. Ele é perigoso. E ele te machucou no passado."

"Eu sei. E eu me odeio por ter esquecido isso por um momento. Eu me odeio por ter me deixado seduzir por ele. Ele me disse que me amava, Helena. Que se arrependia de tudo. E eu... eu acreditei nele por um instante. Um instante terrível." As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Sofia. "Eu fui uma idiota."

Helena sentiu a angústia de Sofia, e um pouco de sua raiva se dissipou, substituída pela compaixão. Ela estendeu a mão e segurou a de Sofia. "Eu sei que você não fez por mal, Sofia. Mas você precisa ter cuidado. Muito cuidado. A gente precisa aprender com os erros do passado."

Sofia assentiu, as lágrimas ainda caindo. "Você tem razão. Eu tenho razão. E eu prometo, Helena. Nunca mais vou me deixar enganar por ele. Prometo."

A conversa continuou, e aos poucos, a tensão entre elas foi diminuindo. Sofia contou a Helena sobre a pressão do trabalho, sobre a solidão que a consumia, sobre como Ricardo soube explorar suas vulnerabilidades. Helena, por sua vez, compartilhou suas próprias inseguranças sobre o futuro com Rafael, a saudade que a consumia.

Naquela noite, Rafael e Helena decidiram ter um jantar romântico em casa. Queriam se reconectar, reafirmar o amor que os unia. A comida estava deliciosa, o vinho fluía, e a conversa, aos poucos, voltava a ser leve e apaixonada.

"Eu te amo tanto, Helena", Rafael disse, pegando a mão dela sobre a mesa. "Eu quase enlouqueci longe de você."

Helena sorriu, os olhos marejados. "Eu também te amo, meu amor. E estou tão feliz que você voltou."

"Eu não ia aguentar mais. A saudade era insuportável. Eu precisava do seu cheiro, do seu abraço, do seu sorriso." Ele se inclinou e a beijou, um beijo cheio de saudade, de paixão, de alívio.

Mas, apesar da reconciliação com Sofia e da renovação de votos com Rafael, uma sombra pairava sobre a mente de Helena. A imagem de Sofia com Ricardo, a sedução em seus olhos, a fragilidade que ela mostrou, a deixou apreensiva. Ela confiava em Sofia, mas sabia que Ricardo era um jogo perigoso.

Por outro lado, Sofia, em seu apartamento, sentia um misto de alívio e medo. Ela havia confessado tudo a Helena, e a amiga a perdoou. Mas a culpa por ter se deixado levar, por ter colocado a amizade em risco, a corroía. Ela olhou para o celular, o nome de Ricardo piscando na tela. Uma parte dela, a parte fraca e seduzida, ainda sentia uma pontada de desejo. Mas a outra parte, a parte forte e determinada, sabia que precisava acabar com aquilo de uma vez por todas. Ela bloqueou o número de Ricardo, um ato simbólico de encerramento.

O sabor agridoce da reconciliação pairava sobre eles. Helena e Rafael estavam juntos novamente, mais fortes do que antes. Sofia havia aprendido uma lição dolorosa, mas se comprometido a não mais cair nas armadilhas do passado. No entanto, a sombra de Ricardo ainda pairava, um lembrete constante de que a paz, às vezes, era apenas um interlúdio antes da próxima tempestade.

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Capítulo 24 — A Sombra de Ricardo e a Revelação Inesperada

Os dias que se seguiram ao reencontro de Helena e Rafael foram preenchidos com a alegria reconquistada. Cada momento juntos era valorizado, cada toque, cada olhar, um lembrete do amor que haviam superado a distância e a incerteza. O apartamento em Ipanema, antes um refúgio solitário para Helena, agora transbordava de risadas e da cumplicidade que sempre os uniu.

Rafael estava radiante. A volta ao Rio de Janeiro era mais do que um retorno profissional; era um retorno à sua essência, ao seu lugar. Ele retomou suas atividades com vigor renovado, a presença de Helena ao seu lado sendo o combustível para seus projetos. A empresa dele, que já era promissora, parecia ganhar novas asas com a energia positiva que emanava do casal.

Helena, por sua vez, sentia-se completa. A saudade e a angústia haviam sido substituídas por uma serenidade que ela não experimentava há muito tempo. Ela e Sofia haviam se reaproximado, e embora o incidente com Ricardo ainda pairasse como uma lembrança incômoda, a amizade delas parecia ter se fortalecido com a sinceridade e o perdão.

Sofia, após o bloqueio do número de Ricardo, sentiu um alívio imenso. Ela havia resistido à tentação e reafirmado seu compromisso com a sobriedade em sua vida. Seu foco estava inteiramente voltado para o trabalho, onde sua reputação e competência eram inquestionáveis. Ela se dedicou aos novos projetos da construtora com uma energia renovada, determinada a provar a si mesma e aos outros que era mais do que seus impulsos momentâneos.

Entretanto, a paz que pairava sobre eles era, como Helena suspeitava, apenas um interlúdio. Ricardo, homem de pouca paciência e grande ego, não estava disposto a aceitar a rejeição. Ele se sentia humilhado por ter sido ignorado por Sofia, e mais ainda por ter sido visto em uma situação comprometedora por Helena. A vingança começou a se formar em sua mente.

Um dia, enquanto Helena estava em seu escritório, um envelope sem remetente apareceu em sua mesa. Curiosa, ela o abriu. Dentro, havia algumas fotos. Fotos dela e de Rafael em momentos íntimos, tiradas de forma discreta, mas inconfundível. Havia também uma carta curta, escrita em uma caligrafia fria e calculista: "Você acha que está segura agora? Acha que o amor dele é suficiente para te proteger de tudo? Pense novamente."

O sangue de Helena gelou. Ela reconheceu a letra, o estilo cruel e manipulador. Era Ricardo. O medo a invadiu. Ele estava a observando, estava tentando atingi-la onde mais doia. Ela correu para contar a Rafael.

"Rafael, olha isso!", ela disse, a voz embargada pelo pânico. Ela entregou a ele as fotos e a carta.

Rafael leu o conteúdo com a testa franzida, a raiva crescendo em seus olhos. "Aquele desgraçado! Eu sabia que ele não ia ficar quieto."

"O que ele quer, Rafael? Por que ele está fazendo isso?", Helena perguntou, abraçando-o com força.

"Ele está tentando te assustar, te desestabilizar. Ele quer que você sinta medo. Ele quer que você duvide de nós." Rafael a apertou. "Mas ele não vai conseguir, Helena. Nós somos mais fortes do que ele."

Rafael tomou as providências necessárias, alertando a segurança de Helena e buscando aconselhamento legal. Mas a presença de Ricardo, mesmo que à distância, era perturbadora.

Enquanto isso, Sofia também começou a sentir a pressão. Pequenos incidentes começaram a acontecer em seu local de trabalho. Documentos sumiam, e-mails misteriosos apareciam em sua caixa de entrada, e ela sentia olhares curiosos e hostis sobre si nos corredores. Ela desconfiava de Ricardo. Ele estava jogando sujo.

Decidida a confrontá-lo, Sofia usou seus contatos para descobrir onde Ricardo estaria. Ela sabia que era arriscado, mas não podia continuar vivendo sob essa ameaça. Ela descobriu que ele estaria em um evento exclusivo de negócios na Barra da Tijuca naquela noite.

Sofia foi ao evento, vestida impecavelmente, o olhar determinado. Ela o avistou em um canto, conversando com um grupo de homens influentes. Ela se aproximou, a raiva e a determinação guiando seus passos.

"Ricardo", ela chamou, a voz firme, mas tensa.

Ele se virou, o sorriso falso que ele costumava usar se desfez ao ver a expressão de Sofia. "Sofia. Que surpresa agradável."

"Não se faça de idiota, Ricardo. Eu sei que você está por trás dessas coisas. Você está tentando me prejudicar, está tentando prejudicar a Helena. Pare com isso."

Ricardo soltou uma risada fria. "Você acha que pode vir aqui e me dar ordens, Sofia? Você é patética. Eu faço o que eu quiser."

"Você é doente, Ricardo. E eu não vou deixar você destruir a vida das pessoas que eu amo." Sofia estava tremendo, mas se manteve firme.

"A vida das pessoas que você ama? Falando de Helena, talvez? Ou de Rafael? Acha que eles são um casal tão perfeito assim? Que você não sabe de nada que pode abalar essa relação?" Ricardo provocou, um brilho perverso em seus olhos.

Sofia sentiu um arrepio. "O que você quer dizer com isso?"

"Ah, Sofia. Você é tão ingênua. Você acha que sabe tudo sobre o passado de Helena? Acha que ela é uma santa? Todos temos segredos, minha querida. E alguns segredos podem ser muito destrutivos."

Naquele momento, uma mulher se aproximou deles. Uma mulher elegante, com um olhar frio e calculista. Ela olhou para Sofia com desdém e depois se virou para Ricardo com um sorriso.

"Ricardo, querido. Já terminamos nossa conversa?", disse a mulher, a voz cheia de possessividade.

Ricardo a olhou, e uma expressão de surpresa misturada com algo que parecia ser apreensão passou por seu rosto. "Claro, amor." Ele se virou para Sofia. "Sofia, gostaria de apresentar minha esposa, Isabel."

Sofia ficou chocada. A esposa de Ricardo? Ela nunca soube que ele era casado. A revelação a pegou completamente de surpresa. E a forma como Isabel olhou para ela, com um desprezo que ia além do superficial, a fez perceber que havia algo muito mais complexo naquela situação.

Isabel, com um sorriso frio, estendeu a mão para Sofia. "Prazer em conhecê-la. Ricardo já me falou muito sobre você." A maneira como ela disse isso, com uma ênfase sutil, fez Sofia sentir que havia mais ali do que um simples encontro.

Sofia, ainda processando a informação, apertou a mão de Isabel. "O prazer é meu", ela disse, tentando manter a compostura.

Enquanto Ricardo e Isabel se afastavam, Sofia sentiu uma onda de confusão e uma nova determinação. A ameaça de Ricardo era real, mas agora ela percebia que ele não agia sozinho. Havia mais gente envolvida, e a sua esposa, Isabel, parecia ser uma peça chave. O que Ricardo sabia sobre Helena? E por que ele estava tão seguro de que poderia abalar a relação dela com Rafael? A revelação inesperada havia jogado uma nova luz sobre a escuridão, e Sofia sabia que precisava descobrir a verdade, por mais perigosa que fosse. Ela sentia que estava prestes a desvendar um segredo que poderia mudar tudo.

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Capítulo 25 — O Passado que Assombra e a Verdade que Liberta

A revelação da existência de Isabel, a esposa de Ricardo, deixou Sofia em estado de choque. A noite no evento de negócios se tornou um turbilhão de pensamentos e especulações. Ela havia confrontado Ricardo com uma certeza, mas ele a havia deixado com mais dúvidas do que respostas. A maneira como Isabel a olhou, o tom possessivo em sua voz ao se referir a Ricardo, tudo indicava uma complexidade que Sofia não imaginava.

Sofia voltou para casa atordoada. Ela sabia que precisava contar a Helena sobre o encontro e, principalmente, sobre Isabel. A ameaça de Ricardo não era mais apenas um assédio; parecia ter ramificações mais sombrias.

Na manhã seguinte, Sofia foi até o apartamento de Helena. Rafael estava lá, e o clima, que antes era de pura felicidade, agora carregava uma leve tensão, fruto da preocupação com as ameaças de Ricardo.

"Helena, Rafael", Sofia começou, a voz embargada. "Eu preciso contar uma coisa. Eu encontrei o Ricardo ontem à noite."

Helena e Rafael se entreolharam, apreensivos. "E o que ele disse?", Helena perguntou, o medo em sua voz.

"Ele disse que ia nos destruir. Que ia revelar segredos. E então... ele apresentou a esposa dele. Isabel."

O choque foi visível nos rostos de Helena e Rafael. "Esposa? Ricardo é casado?", Helena exclamou, a voz incrédula.

"Sim. E ela parecia saber de tudo. E o Ricardo disse que existiam segredos sobre o meu passado, sobre o seu passado, Helena", Sofia disse, olhando para Helena com preocupação. "Ele insinuou que eu não sabia de tudo sobre você. Sobre o seu passado."

Helena empalideceu. A menção de "segredos sobre o seu passado" a atingiu em cheio. Havia uma parte de sua história que ela tentava manter enterrada, uma parte que a assombrava desde a adolescência.

"O que exatamente ele disse, Sofia?", Rafael perguntou, a voz firme, mas com uma ponta de preocupação.

"Ele foi vago, mas insinuou que eu era ingênua, que não sabia de nada. Que existiam segredos que poderiam abalar a nossa relação. E a esposa dele, Isabel, ela me olhou como se eu fosse um inseto. Parecia que ela sabia de algo."

Helena se sentou no sofá, a cabeça entre as mãos. "Eu não entendo. Por que ele faria isso? O que ele ganha com isso?"

"Ele quer nos machucar, Helena. Ele quer nos ver sofrer", Rafael disse, colocando a mão no ombro dela. "Mas não vamos deixar. Seja o que for, vamos enfrentar juntos."

Helena, no entanto, não conseguia afastar a sensação de pavor. A menção de segredos sobre seu passado a fez reviver memórias dolorosas. Havia um evento de sua adolescência, um acidente, que ela tentara esquecer a todo custo. Algo que a fez se sentir culpada por anos.

"Eu preciso ir para casa", Helena disse de repente, a voz baixa. "Preciso pensar."

Rafael e Sofia a acompanharam até a porta, a preocupação estampada em seus rostos. Helena sentia o peso da incerteza, a sensação de que algo terrível estava prestes a ser revelado.

Em casa, Helena vasculhou um antigo baú em seu quarto. Ela o abriu com as mãos trêmulas. Lá dentro, estavam fotografias antigas, cartas, diários. Ela pegou um caderno surrado, a capa desbotada. Era seu diário da adolescência.

Ela começou a ler, revivendo momentos que preferia esquecer. As palavras a levaram de volta a um dia fatídico. Um dia em que ela, jovem e imprudente, havia se envolvido em uma discussão acalorada com sua melhor amiga, Clara. A discussão havia escalado para uma briga física, e no meio da confusão, Clara havia caído, batendo a cabeça. O resultado foi um trauma que deixou Clara com sequelas temporárias, e Helena com uma culpa avassaladora. Ricardo, na época, havia sido o namorado de Clara e, de alguma forma, descobriu sobre o incidente, usando-o para manipular Helena anos depois.

Enquanto lia, Helena percebeu que Ricardo devia ter descoberto essa informação através de fontes obscuras, talvez de pessoas que guardavam rancor dela ou de sua família. E ele estava usando isso para tentar destruí-la.

De repente, o telefone de Helena tocou. Era um número desconhecido. Ela hesitou, mas atendeu.

"Alô?", disse ela, a voz ainda trêmula.

"Helena", a voz do outro lado era de uma mulher, fria e calculista. "Sou Isabel. A esposa de Ricardo."

Helena prendeu a respiração. "O que você quer?"

"Eu quero que você saiba que eu sei de tudo", Isabel disse, a voz sem emoção. "Eu sei sobre o que aconteceu com Clara. Eu sei o quanto você se culpa por isso. E eu sei que o Ricardo está usando isso contra você."

"Como você sabe disso?", Helena perguntou, chocada.

"Ricardo me contou tudo. Ele acha que me usa, mas eu sei a verdade. Eu sei que ele é um manipulador desprezível. E eu não vou deixar que ele destrua você. Eu também fui vítima dele, Helena. Ele me enganou, me usou. E eu estou cansada disso."

Helena não conseguia acreditar no que estava ouvindo. A esposa de Ricardo, ali, a ajudando?

"Por que você está me contando isso?", Helena perguntou, ainda desconfiada.

"Porque eu não sou como o Ricardo. E porque eu me recuso a ver a vida de outra pessoa ser arruinada por ele. Eu tenho provas. Provas de que ele está planejando difamar você, de que ele está manipulando informações. Eu posso te ajudar."

Helena sentiu um fio de esperança. Aquela mulher, a esposa do homem que a ameaçava, estava oferecendo ajuda. Era surreal, mas parecia genuíno.

"Eu preciso saber o que você tem", Helena disse, a voz ganhando firmeza.

"Eu tenho gravações. Documentos. Tudo o que prova os planos dele. Eu quero que ele pague pelo que fez a mim, e por tudo o que ele está tentando fazer a você."

Helena concordou em se encontrar com Isabel. Aquele encontro, em um local público e neutro, seria crucial. Pela primeira vez em anos, Helena sentia que a verdade que a assombrava poderia, na verdade, ser a chave para a sua libertação. A sombra de Ricardo ainda pairava, mas agora, com a improvável ajuda de Isabel, a luz da verdade parecia prestes a brilhar, dissipando as trevas do passado e libertando Helena de suas próprias culpas. A tempestade estava longe de acabar, mas a possibilidade de um novo amanhecer se tornava cada vez mais real.

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