Sua para Sempre III

Capítulo 7 — A Armadilha de Vidro

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 7 — A Armadilha de Vidro

O som da batida na porta ecoou pelo quarto como um trovão anunciando a tempestade. Ana Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não de medo, mas de uma adrenalina crua, misturada à apreensão. Caio apertou sua mão com firmeza, um gesto silencioso de apoio e desafio. Ele se virou para a porta, o corpo ereto, uma muralha de músculos tensos e determinação.

"Entra," Caio disse, a voz soando calma e controlada, mas Ana Clara podia sentir a corrente subterrânea de fúria que corria por ele. Era o lobo pronto para o confronto, mas um lobo que, pela primeira vez, lutava não apenas por si, mas também por ela.

A porta se abriu lentamente, revelando a figura imponente de Helena. Ela estava deslumbrante, como sempre. Um vestido de corte impecável, de um tom profundo de azul marinho, emoldurava sua figura esguia. Seus cabelos grisalhos estavam presos em um coque elegante, e seus olhos, de um azul gélido, pareciam penetrar em cada canto do quarto, em cada segredo escondido. Ela carregava uma bolsa de grife, que parecia mais uma arma do que um acessório.

Seu olhar pousou em Ana Clara, demorando-se por um instante com uma intensidade calculista que fez a jovem sentir-se nua. Então, seus olhos se fixaram em Caio, um lampejo de algo indescritível passando por eles – talvez decepção, talvez desdém, talvez uma pontada de dor que ela jamais admitiria.

"Caio," Helena disse, a voz firme e sem emoção, como sempre. Era um tom que emanava autoridade, um tom que ela usava para comandar e controlar. "Eu esperava te encontrar aqui."

Caio deu um passo à frente, afastando-se de Ana Clara, mas sem tirar os olhos da mãe. "Mãe. O que você quer aqui tão cedo?" Ele omitiu o "mãe", um detalhe sutil que, para quem conhecesse a dinâmica deles, seria significativo.

Helena deu um sorriso irônico, que não atingiu seus olhos. "Ora, meu filho, eu vim ver você. Faz tempo que não nos vemos de verdade." Ela fez uma pausa, e seu olhar novamente se voltou para Ana Clara, dessa vez com um tom de desprezo mal disfarçado. "E parece que você encontrou uma… distração interessante."

A palavra "distração" foi dita com um veneno sutil que Ana Clara sentiu cada gota. Era a forma de Helena desqualificar o amor que sentiam, de reduzi-lo a um passatempo fugaz, algo insignificante.

"Ana Clara não é uma distração, mãe," Caio disse, a voz mais baixa, mas com uma firmeza que não deixava margens para discussão. "Ela é… importante."

Helena riu, um som seco e cortante. "Importante? Para quem? Para você? Ou para o seu pai, que certamente está furioso com essa sua rebeldia?" A menção de Alencar pairava no ar como uma nuvem carregada.

Ana Clara sentiu a necessidade de se defender, de afirmar sua presença, mas Caio a segurou pelo braço, um gesto silencioso para que ela não se adiantasse. Ele sabia que aquele era um jogo de xadrez, e cada movimento deveria ser calculado.

"O que Alencar tem a ver com isso?" Caio perguntou, a paciência começando a esgotar-se.

"Ora, meu querido, você acha mesmo que ele não sabe?" Helena deu um passo adiante, aproximando-se de Caio. O perfume caro que ela usava preencheu o espaço entre eles. "Ele sabe de tudo. E ele está muito, muito desapontado. Com você. E com ela." O olhar de Helena percorreu Ana Clara com um desprezo que a fez querer encolher-se, mas ela se manteve firme, a mão de Caio apertando a sua com força.

"Desapontado por quê? Por eu ter encontrado alguém que me faz feliz?" Caio retrucou, a voz ganhando um tom de desafio.

"Feliz?" Helena franziu o cenho, como se a palavra fosse desconhecida. "Caio, você sabe quem é Ana Clara. Ela é a filha de um homem que arruinou o nosso nome. Ela é um fantasma do passado que deveria ter permanecido enterrado." A frieza em sua voz era palpável, a crueldade de alguém que não via sentimentos, apenas interesses e estratégias.

Ana Clara sentiu o sangue ferver. Aquela mulher não tinha o direito de falar assim dela, ou de seu pai. Mas ela sabia que uma reação emocional seria exatamente o que Helena queria.

"O passado é algo que não podemos mudar, Helena," Ana Clara disse, a voz surpreendentemente firme. Ela se soltou do aperto de Caio e deu um passo à frente, enfrentando Helena de frente. A altura dela era menor, mas a determinação em seu olhar era igual. "Mas o presente, e o futuro, podemos construir. E eu não sou um fantasma. Eu sou uma pessoa. E eu amo Caio."

Helena a olhou com surpresa genuína por um instante, seguida por um sorriso que era mais uma careta. "Amor? Que ingenuidade. Você acha que o amor pode vencer tudo? Especialmente contra o poder e a influência de Alencar?"

"O amor pode ser a força mais poderosa que existe," Caio interveio, colocando-se entre Ana Clara e a mãe. Ele a olhou, e em seus olhos, ela viu um universo de promessas, de proteção, de um amor que desafiava todas as convenções. "E você, mãe, sabe disso melhor do que ninguém. Você amou meu pai, não amou? O que sobrou desse amor?"

A pergunta atingiu Helena como um golpe. Uma sombra passageira de dor cruzou seus olhos, mas ela rapidamente a reprimiu. "Eu aprendi a lição, Caio. Amor é uma fraqueza. Poder é o que importa. E Alencar tem o poder. Ele pode destruir você e essa… relação, em um piscar de olhos."

"Ele não pode destruir o que é real," Ana Clara disse, com a voz embargada, mas determinada.

Helena deu um passo para trás, seus olhos fixos em Ana Clara. Parecia que ela estava avaliando algo, medindo a força da jovem. "Você é teimosa, não é? Como seu pai. Mas a teimosia não te protegerá. Alencar não vai permitir que essa situação continue. Ele tem planos para você, Ana Clara. Planos que não incluem Caio."

"Que planos são esses?" Caio perguntou, a voz perigosamente baixa.

"Um futuro. Um futuro seguro. Um futuro onde você não estará ligada a essa… desgraça," Helena disse, com um gesto vago em direção a Ana Clara. "Alencar já tem um acordo. Um noivado. Com Sofia Montenegro. O casamento será anunciado em breve."

A notícia caiu como uma bomba no quarto. Sofia Montenegro. A herdeira de uma das famílias mais ricas e influentes do país. Um casamento arranjado. Uma armadilha. Ana Clara sentiu o chão sumir sob seus pés. Alencar, com sua manipulação fria, estava tentando controlar não apenas o futuro de Caio, mas também o dela, usando-a como moeda de troca em seus próprios jogos de poder.

Caio ficou paralisado por um instante, a cor desaparecendo de seu rosto. A ideia de Ana Clara, a mulher que ele amava, casada com outro homem, era insuportável. Mas a frieza com que Helena disse aquilo, a certeza de que era uma jogada calculada de Alencar, o fez reagir.

"Mentira!" Caio rosnou, a raiva explodindo. "Isso não vai acontecer. Você sabe que ela nunca vai concordar com isso." Ele olhou para Ana Clara, procurando por confirmação em seus olhos.

Ana Clara estava em choque. Aquele era o plano de Alencar? Usá-la para cimentar uma aliança poderosa? A ideia a enojava. "Eu nunca me casaria com alguém que não amo," ela disse, a voz trêmula, mas firme. "E eu amo Caio."

Helena deu um sorriso sombrio. "O amor de vocês é um capricho passageiro, querida. O dever… o dever é eterno. E Alencar sabe como impor o dever." Ela se aproximou de Ana Clara, sua voz baixando para um sussurro ameaçador. "Ele tem influência. Ele tem poder. Ele pode arruinar você. E você sabe disso. Pense nos seus negócios. Pense em tudo que você construiu. Você quer arriscar tudo por um amor que… quem sabe quanto tempo vai durar?"

Aquelas palavras, ditas com tanta convicção, acertaram Ana Clara em cheio. Ela pensou em tudo que havia lutado para reconquistar, em tudo que havia lutado para proteger. A segurança de seus negócios, a estabilidade de sua vida. A ameaça de Alencar, articulada pela frieza de Helena, era real.

"Você está ameaçando ela," Caio disse, dando um passo ameaçador em direção a Helena.

"Estou sendo realista, meu filho," Helena respondeu, sem se abalar. "Se você quer Ana Clara, então você precisa desistir dela. Por o bem dela. E por o seu próprio bem. Alencar não vai tolerar essa situação. Ele pode fazer sua vida um inferno. E a vida dela também."

Ana Clara sentiu a pressão, o medo se misturando à raiva. Era uma armadilha, uma armadilha feita de vidro, onde cada movimento poderia quebrá-la. Helena estava jogando com suas inseguranças, com seus medos mais profundos.

"Eu não tenho medo de Alencar," Ana Clara disse, a voz ganhando força. "E eu não vou desistir de Caio." Ela olhou para Helena, desafiadora. "Você pode dizer a Alencar que eu não vou me casar com Sofia Montenegro. E que ele não tem o direito de decidir sobre a minha vida. Ou sobre a vida de Caio."

Helena a observou por um longo momento, seus olhos azuis gélidos como um lago congelado. Parecia que ela esperava uma reação diferente, talvez submissão, talvez desespero. Mas o que ela encontrou foi resistência.

"Ingênua," Helena murmurou, balançando a cabeça lentamente. "Você acha que pode lutar contra ele? Você não sabe com quem está lidando." Ela se virou para Caio, seu olhar endurecendo. "Pense bem, Caio. Essa garota vai te trazer apenas problemas. Alencar pode oferecer um futuro. Uma vida que você sempre desejou. Mas você está escolhendo o caminho mais difícil. O caminho da destruição."

"O caminho da destruição é o caminho que Alencar me impôs por toda a vida," Caio disse, a voz calma, mas carregada de ressentimento. "Eu cansei de seguir os planos dele. Eu vou construir o meu próprio caminho. E Ana Clara estará comigo."

Helena suspirou, um som de frustração e desdém. "Tudo bem. Vocês que escolhem. Mas não digam que eu não avisei." Ela pegou a bolsa, e seu olhar se fixou em Ana Clara pela última vez, um olhar que prometia guerra. "Você cometeu um erro terrível, Ana Clara. E Alencar não é homem de perdoar erros."

Com essas palavras, Helena se virou e saiu do quarto, fechando a porta suavemente atrás de si. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Ana Clara e Caio se olharam, ambos com a respiração suspensa. A armadilha de vidro estava montada, e eles sabiam que a luta estava apenas começando. O anúncio do noivado com Sofia Montenegro era apenas o primeiro golpe. Alencar estava jogando suas cartas, e elas eram cruéis.

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