Paixão e Traição II

Paixão e Traição II

por Camila Costa

Paixão e Traição II

Autor: Camila Costa

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Capítulo 1 — O Vento da Mudança Sopra em Laranjal

O sol da tarde em Laranjal parecia mais quente, mais dourado do que o usual. As laranjeiras em plena floração espalhavam um perfume adocicado pelo ar, uma fragrância que, para Mariana, sempre fora sinônimo de lar, de segurança, de uma vida tão previsível quanto o nascer do sol sobre as colinas. Mas naquele dia, o perfume parecia carregar uma nota de presságio, um sussurro inquietante que ela tentava ignorar.

Mariana ajustou o lenço colorido que prendia seus cabelos castanhos rebeldes, os olhos fixos no horizonte. A poeira fina levantada pelo caminhão que cruzava a estrada de terra batida se misturava à névoa dourada, criando um véu que parecia encobrir o futuro. Ela estava ali, na varanda da sua casa antiga, a mesma onde crescera, a mesma que herdara de seus pais, com o coração apertado. Algo estava para acontecer. Ela sentia isso na pele, nos ossos, na inquietação das borboletas em seu estômago.

Seu casamento com Rafael, um homem bom, trabalhador, mas que parecia ter perdido o brilho nos olhos nos últimos anos, estava se tornando um fantasma do que um dia fora. Os anos de rotina, as contas a pagar, os sonhos que foram sendo adiados até se tornarem esquecidos, tudo isso pesava sobre eles. Rafael passava mais tempo na cidade vizinha, cuidando dos negócios da família dele, e Mariana ficava em Laranjal, cercada pelas laranjeiras e pela saudade de um tempo em que o amor parecia mais fácil, mais vibrante.

A porta da sala rangeu, anunciando a chegada de sua amiga de infância, Sofia. Sofia, com seus cabelos loiros sempre impecáveis e um sorriso que tentava disfarçar uma melancolia profunda, era o seu porto seguro.

"Mariana! Ainda aqui, olhando o nada?", Sofia perguntou, a voz carregada de um tom afetuoso e levemente preocupado.

Mariana virou-se, um sorriso um pouco forçado surgindo em seus lábios. "O nada de Laranjal, Sofia. E você sabe que não é nada. É tudo, não é?"

Sofia se aproximou, abraçando-a. "É o perfume das laranjas, é o sol… mas é também essa sua inquietação que me tira o sono." Ela se afastou, os olhos azuis perscrutando o rosto de Mariana. "O que está passando nessa sua cabeça? Você anda tão… distante."

"Distante? Acho que sempre estive, Sofia. Só que agora o distanciamento virou um abismo." Mariana suspirou, sentando-se em uma das cadeiras de vime na varanda. "Rafael não vem em casa há quase um mês. As desculpas são sempre as mesmas: o trabalho, os negócios… Sinto que estamos construindo dois futuros separados, em universos paralelos."

Sofia sentou-se ao lado dela, pegando sua mão. "Eu sei que é difícil, Mari. Mas você não pode desistir. Ele te ama."

"Ama? E o que é amor, Sofia? É a rotina? É a ausência? É a sensação de que você está falando com um estranho que um dia dividiu a mesma cama?" As lágrimas começaram a marejar os olhos de Mariana. "Eu me sinto sozinha, Sofia. Completamente sozinha, mesmo cercada por essa beleza toda."

Sofia apertou sua mão com mais força. "Você não está sozinha. Eu estou aqui. E você tem a força de uma guerreira. Eu sei que você vai encontrar um caminho."

Naquele momento, um carro novo, reluzente e ostensivo, parou na entrada da propriedade. Um carro que não pertencia a ninguém de Laranjal. Mariana e Sofia trocaram olhares curiosos. Um homem alto, com uma postura elegante e um olhar penetrante, desceu do carro. Ele usava um terno impecável, contrastando drasticamente com o ambiente rústico da fazenda.

"Quem é esse?", Sofia sussurrou, admirada e um pouco intimidada.

"Não faço ideia", respondeu Mariana, o coração começando a acelerar por um motivo desconhecido.

O homem caminhou em direção à varanda, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ao se aproximar, seus olhos encontraram os de Mariana. Foi um choque. Um choque elétrico que percorreu seu corpo, uma faísca que ela não sentia há anos, talvez nunca.

"Com licença", ele disse, a voz grave e melodiosa. "Eu procuro a senhora Mariana Almeida."

Mariana engoliu em seco. "Sou eu."

Ele estendeu a mão. "Prazer. Sou Daniel Montenegro." Seus olhos fixaram-se nos dela, e por um instante, o mundo pareceu parar. "Eu… comprei a fazenda vizinha. A antiga propriedade dos Vasconcelos. Vim conhecer meus novos vizinhos."

Daniel Montenegro. O nome ecoou em sua mente. Ela havia ouvido falar dele, o empresário bem-sucedido do Rio de Janeiro, que havia adquirido a terra que há anos estava abandonada. Mas vê-lo ali, em carne e osso, era algo completamente diferente. Havia uma aura de poder e mistério ao seu redor que a atraía e a assustava ao mesmo tempo.

Sofia, percebendo a tensão no ar, levantou-se. "Eu vou entrar, Mari. Se precisar de algo, é só chamar." Ela lançou um olhar significativo para Mariana e se retirou, deixando-as a sós.

Mariana sentiu-se exposta sob o olhar intenso de Daniel. "Seja bem-vindo a Laranjal, senhor Montenegro. É… inesperado tê-lo por aqui tão cedo."

"Daniel, por favor", ele corrigiu, a voz um pouco mais suave. "E o inesperado, às vezes, é o que nos tira da monotonia, não acha?" Ele olhou ao redor, apreciando a paisagem. "Sua propriedade é linda. As laranjeiras… um espetáculo."

"É o meu lar", Mariana respondeu, a voz um pouco trêmula. "E sempre foi."

Houve um silêncio confortável, carregado de um interesse mútuo que transcendia a simples cordialidade de vizinhos. Daniel parecia observar cada detalhe de Mariana, como se estivesse gravando sua imagem em sua memória. E Mariana, por sua vez, não conseguia desviar o olhar dele. Havia algo em seus olhos escuros, uma mistura de sabedoria, paixão e talvez, uma sombra de dor, que a cativava.

"Eu espero que possamos ser bons vizinhos, Mariana", Daniel disse, finalmente quebrando o silêncio. "Se precisar de qualquer coisa, não hesite em me procurar."

"Obrigada, Daniel. Da mesma forma."

Ele sorriu, um sorriso que iluminou seu rosto. "Até breve, então."

Daniel Montenegro se virou e caminhou de volta para o carro. Mariana o observou partir, o coração disparado. O perfume das laranjas agora parecia mais forte, mais envolvente. O vento da mudança havia soprado em Laranjal, e Mariana sabia, com uma certeza arrepiante, que sua vida nunca mais seria a mesma. A chegada de Daniel Montenegro era um convite à turbulência, uma promessa de paixão e, talvez, de perigo. Ela sentiu uma pontada de medo, mas também uma excitação que há muito tempo não experimentava. O abismo que sentia com Rafael parecia, de repente, menos assustador do que a força que Daniel Montenegro exercia sobre ela.

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