Paixão e Traição II

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Paixão e Traição II", escritos no estilo solicitado:

por Camila Costa

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Paixão e Traição II", escritos no estilo solicitado:

Capítulo 6 — O Refúgio da Alma Ferida em São Paulo

O rugido incessante da metrópole paulistana abraçava Marina como um manto úmido e pesado, um contraste gritante com o silêncio sepulcral que a envolvia em Laranjal. As luzes frias dos arranha-céus pareciam zombar da escuridão que se instalara em seu coração. Deixara para trás a tranquilidade bucólica, a terra que a vira crescer, mas, acima de tudo, deixara para trás um homem, um amor, uma promessa quebrada. A dor era uma ferida aberta, pulsando a cada batida do seu peito, a cada respiração rouca.

A pequena quitinete que alugara às pressas, no burburinho de um bairro afastado do centro, era mais um reflexo da sua solidão do que um lar. As paredes finas pareciam amplificar os sons da rua, os gritos distantes, as sirenes, os risos alheios que a faziam encolher-se ainda mais em si mesma. A mala, ainda meio aberta sobre a cama desfeita, continha não só roupas, mas pedaços de uma vida que parecia ter desmoronado de forma irremediável. O medalhão que Pedro lhe dera, antes de tudo desmoronar, repousava em sua mão, frio contra a pele febril. Uma lembrança cruel de um tempo em que o futuro parecia um campo florido, e não um deserto árido de desilusão.

Os dias se arrastavam em uma lentidão torturante. Marina buscava o anonimato, a invisibilidade. Evitava os olhares curiosos, as conversas banais. Seu antigo emprego no pequeno mercado de Laranjal, onde conhecia cada cliente pelo nome, parecia um sonho distante. Ali, em São Paulo, era apenas mais um rosto na multidão, um fantasma vagando pelas ruas cinzentas. A comida tinha o gosto de cinzas, o café amargo não conseguia despertar seus sentidos, e o sono era um luxo que raramente a visitava, assombrada pelas imagens dos olhos de Pedro, a decepção estampada neles quando ela o confrontou, e a fúria que se seguiu, a mais terrível de todas as traições.

Ela passava horas sentada à janela, observando a vida seguir seu curso lá fora. Carros buzinavam impacientes, pessoas apressadas com seus celulares nas mãos, casais de mãos dadas, famílias rindo. Cada cena era uma agulhada em sua alma. Lembrou-se de como sonhava com a cidade grande, com as oportunidades, com a ascensão social que Laranjal parecia limitar. Agora, a cidade que antes representava a promessa de um futuro brilhante, era o palco de sua mais profunda desgraça.

Certa tarde, enquanto vagava sem rumo por uma livraria antiga, um aroma de papel velho e sabedoria a envolveu. Seus dedos, quase por instinto, deslizaram por lombadas gastas, buscando um refúgio em histórias alheias. Foi então que seus olhos pousaram em um pequeno volume de poesia de Carlos Drummond de Andrade. As palavras, familiares e reconfortantes, pareciam sussurrar para ela: "No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra." Era exatamente assim que ela se sentia, em meio ao caminho da vida, uma pedra intransponível a bloquear seu destino.

Comprou o livro e voltou para a quitinete, sentindo um leve fio de esperança. Naquela noite, à luz fraca de um abajur, começou a ler. As palavras de Drummond a levaram para longe da dor, para dentro de si mesma. Ela releu versos sobre o amor, a perda, a melancolia, e encontrou em cada estrofe um eco de seus próprios sentimentos. A poesia se tornou sua confissora, seu bálsamo. Aos poucos, a urgência de esquecer Pedro dava lugar a uma necessidade mais profunda: a de se reencontrar.

Um dia, enquanto folheava o livro, um pequeno pedaço de papel amassado escapou. Curiosa, ela o desdobrou. Era um cartão de visita, com um nome e um telefone. "Dra. Helena Vasconcelos – Advogada". Ela não se lembrava de ter recebido aquele cartão. Talvez tenha caído de algum livro, ou talvez alguém a tenha dado sem que ela percebesse. O nome "Helena" ressoou de alguma forma, mas a lembrança era nebulosa.

A solidão, no entanto, começou a pesar mais do que a tristeza. A cidade grande, que antes parecia um monstro devorador, começou a revelar outras facetas. Havia o aroma das padarias pela manhã, o colorido das feiras de rua, a música que escapava das janelas abertas. E havia a arte, a cultura, que ela sempre admirara à distância.

Decidiu que não podia mais se esconder. Com um suspiro profundo, pegou o celular e discou o número do cartão. A voz do outro lado da linha era firme, profissional, mas com um toque de gentileza.

"Dra. Helena Vasconcelos, boa tarde."

Marina hesitou por um instante, o coração batendo descompassado.

"Dra. Helena? Meu nome é Marina. Marina Silva. Eu… eu encontrei este cartão seu."

Houve um breve silêncio.

"Marina Silva… Laranjal?", a voz perguntou, com um tom de surpresa.

O sangue de Marina gelou. Como ela sabia de Laranjal?

"Sim… Sim, eu sou de Laranjal."

"Marina, é uma surpresa ouvir sua voz. Fiquei sabendo do que aconteceu. Sinto muito. Você se lembra de mim? Eu… eu sou a irmã de Lúcia."

Lúcia. O nome veio como um choque. Lúcia, a amiga de infância, a confidente de sua mãe, a mulher que sempre a acolhera com carinho. A mulher que agora, ela suspeitava, estava envolvida na ruína de sua família e na traição de Pedro.

"Lúcia?", Marina repetiu, a voz embargada. Um turbilhão de emoções a invadiu: a saudade da amiga, a raiva pela suspeita, a confusão.

"Sim, Marina. Sou eu. Lúcia. Eu sei que tudo é muito confuso agora, mas eu gostaria de te ajudar. De verdade. Se você me permitir."

Marina olhou para a janela, para as luzes da cidade que se acendiam à medida que a noite caía. A vida, cruel e inesperada, parecia ter lhe dado mais uma reviravolta. A advogada que ela encontrara por acaso, era a irmã de sua amiga e, possivelmente, uma peça chave no intrincado jogo de traições que a expulsara de Laranjal. Uma nova esperança, misturada a um temor profundo, começou a germinar em seu peito. Talvez, em meio a essa cidade imensa e indiferente, ela pudesse encontrar as respostas que tanto buscava. Talvez, a justiça que Laranjal lhe negara, pudesse ser encontrada ali, sob as sombras e os segredos de São Paulo. Mas, antes de tudo, ela precisava entender o papel de Lúcia em tudo aquilo. E essa era uma conversa que ela não podia mais adiar.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%