Cap. 13 / 25

Alma Gêmea III

Capítulo 13 — O Santuário das Montanhas e o Ritual da Guardiã

por Valentina Oliveira

Capítulo 13 — O Santuário das Montanhas e o Ritual da Guardiã

O mosteiro de Nossa Senhora das Neves era um refúgio de silêncio e de beleza austera. Suas paredes de pedra, desgastadas pelo tempo, pareciam sussurrar histórias de gerações de monges que ali buscaram a iluminação. A luz do sol, filtrada por vitrais antigos, projetava mosaicos coloridos no chão de pedra polida, criando uma atmosfera etérea. Helena sentiu uma calma profunda invadi-la, como se tivesse finalmente chegado a um lugar de pertencimento.

O padre, um homem chamado Frei Elias, os conduziu através dos corredores labirínticos até uma pequena capela isolada, no coração do complexo. Era um local de meditação, adornado com afrescos desbotados e um altar simples. "É aqui", disse Frei Elias, sua voz reverente. "O lugar onde sua avó buscou a força para fortalecer o véu. E onde você, Helena, deverá fazer o mesmo."

Miguel permaneceu ao lado de Helena, sua mão segurando a dela com firmeza. Ele sentia a força daquele lugar, a energia ancestral que permeava o ar. Mas também sentia a apreensão, sabendo que o inimigo poderia estar a qualquer momento em seu encalço.

Helena pegou o diário de seu avô, as páginas marcadas e amareladas agora parecendo ainda mais importantes. Ela localizou a seção sobre o ritual. Era complexo, exigindo não apenas a conexão com a energia do local, mas também a ativação do medalhão e a concentração de sua própria força interior.

"O ritual fala de 'unir as três virtudes da Guardiã'", Helena leu em voz alta, sua voz ecoando suavemente na capela. "'Coragem para enfrentar a escuridão, sabedoria para discernir o caminho, e amor para nutrir a luz.' Minha avó fez isso. E agora, eu preciso fazer."

Frei Elias assentiu. "A linhagem de Guardiãs é poderosa, minha filha. Mas o véu enfraqueceu com o tempo, e as forças que buscam explorá-lo se tornaram mais audaciosas. Você precisa ser forte."

Enquanto Helena se preparava, Miguel discretamente explorava os arredores do mosteiro, usando suas habilidades de observação para garantir que estavam seguros. Ele notou um antigo caminho de acesso à montanha, pouco usado, que poderia ser uma rota de fuga ou de invasão. A vigilância era essencial.

Helena colocou o medalhão em seu pescoço. A pedra azul pareceu ganhar vida, emitindo um brilho suave. Ela fechou os olhos, respirando fundo, tentando se conectar com a energia do lugar, com as memórias de sua avó. Ela visualizou as runas do diário, imaginou a luz azul emanando do medalhão, se espalhando como ondas.

"Eu invoco a coragem que corre em minhas veias", Helena murmurou, sentindo uma corrente elétrica percorrer seu corpo. "A coragem de minha mãe, de minha avó, de todas as mulheres que vieram antes de mim. Eu invoco a força para enfrentar o que quer que venha."

No topo da montanha, um pequeno grupo de homens observava o mosteiro através de binóculos. Entre eles, o antiquário, seu rosto sombrio e impaciente. "Eles estão lá dentro", ele rosnou, sua voz fria como gelo. "O padre os acolheu. Que tolo. Ele não sabe com quem está lidando."

Um de seus homens, um mercenário com cicatrizes no rosto, perguntou: "Mestre, o que faremos? A entrada principal é bem guardada."

O antiquário sorriu, um sorriso cruel. "Há outros caminhos. A força da montanha é nossa aliada. O véu é nossa recompensa. E Helena… ela será nossa arma."

De volta à capela, Helena sentiu uma perturbação sutil no ar. Uma sombra que não era apenas a ausência de luz. O medalhão em seu pescoço esquentou.

"Miguel!", ela gritou, abrindo os olhos.

Miguel irrompeu na capela, seu rosto tenso. "Eles chegaram. São muitos. E estão armados."

A paz do mosteiro foi brutalmente quebrada. Os homens do antiquário invadiram o complexo, suas botas pesadas ecoando nos corredores silenciosos. Frei Elias tentou intervir, mas foi empurrado para o lado com violência.

"Helena, você tem que terminar o ritual!", Miguel gritou, desembainhando uma pequena faca que ele sempre carregava. "Eu os seguro o máximo que puder!"

Helena sabia que não podia hesitar. Ignorando o medo que a assaltava, ela se concentrou nas palavras seguintes do ritual. "Eu invoco a sabedoria para discernir o caminho, para ver além das aparências e proteger a mim e aos que amo."

Enquanto Miguel lutava bravamente contra os invasores na porta da capela, usando as mesas e cadeiras como barreiras improvisadas, Helena continuou. A cada palavra, sentia o véu se fortalecer ao seu redor, uma energia protetora que emanava dela. As visões começaram a surgir, não mais fragmentos, mas cenas claras do passado e do futuro. Ela viu sua avó, em um ritual semelhante, enfrentando um homem com os mesmos olhos cruéis. Viu o antiquário, planejando sua ascensão ao poder, usando a fragilidade do véu para seus próprios fins. E viu a si mesma, com o medalhão brilhando, defendendo não apenas sua família, mas um equilíbrio antigo.

O antiquário invadiu a capela, seus olhos fixos em Helena e no medalhão. "Desista, garota. Você não pode lutar contra mim. O véu é meu por direito."

Miguel, mesmo ferido, se colocou entre eles. "Você não vai tocar nela!"

O antiquário riu, uma risada fria e sem humor. "Você é tolo. Sua devoção a ela o cegará." Ele ergueu um objeto metálico, uma espécie de cetro com uma gema escura em sua ponta. "Este é o meu poder. E eu o usarei para quebrar todos os seus encantos."

Helena sentiu a última parte do ritual em seus lábios. "E eu invoco o amor para nutrir a luz, para proteger o que é puro e verdadeiro, e para restaurar a harmonia."

Ela ergueu o medalhão. A pedra azul explodiu em luz, um brilho intenso que forçou o antiquário a recuar. A energia do ritual se espalhou pela capela, empurrando os homens do antiquário para trás. O véu, fortalecido, parecia vibrar no ar, uma barreira invisível, mas palpável.

O antiquário, furioso, atacou Miguel. A luta foi brutal. Miguel, apesar de sua desvantagem numérica, lutava com a ferocidade de um leão defendendo sua cria. Helena, vendo Miguel em perigo, sentiu uma onda de raiva e determinação. Ela estendeu a mão, concentrando toda a sua energia no medalhão.

"Deixe-o em paz!", ela gritou.

Uma onda de força emanou dela, empurrando o antiquário e seus homens para trás, para fora da capela. Eles cambalearam, atordoados pela energia que não conseguiam compreender.

"Isso não acabou!", o antiquário rosnou, seus olhos cheios de ódio. "Eu voltarei!"

Eles recuaram, desaparecendo pela trilha de onde vieram, deixando para trás o caos e a destruição.

Frei Elias, ferido, mas firme, aproximou-se de Helena. "Você conseguiu, minha filha. Você restaurou o véu. Mas a batalha apenas começou."

Helena olhou para Miguel, que, apesar dos ferimentos, sorriu para ela. O amor em seus olhos era um farol em meio à escuridão. Ela sabia que Frei Elias estava certo. A luta estava longe de terminar. O antiquário voltaria, mais determinado do que nunca. Mas agora, Helena estava pronta. Ela tinha a força de sua linhagem, o amor de Miguel, e a sabedoria do passado. E ela sabia, com certeza, que o véu, e a luz que ele protegia, estavam seguros. Por enquanto.

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