Cap. 14 / 25

Alma Gêmea III

Capítulo 14 — Cicatrizes e Sedução no Coração da Cidade

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — Cicatrizes e Sedução no Coração da Cidade

A volta para o Rio de Janeiro foi marcada por um silêncio carregado de reflexão e pela urgência de um plano. O mosteiro havia lhes dado o poder, mas também a certeza de que a ameaça era iminente. Miguel, apesar dos arranhões e hematomas que contavam a história de sua bravura, estava mais determinado do que nunca. Helena, com o medalhão pulsando suavemente em seu pescoço e a força do véu irradiando dela, sentia uma nova confiança, uma maturidade forjada no fogo da batalha.

O apartamento, que antes parecia um refúgio seguro, agora era um ponto estratégico. A sombra do antiquário se estendia sobre a cidade, e eles precisavam entender seus próximos passos antes que ele pudesse agir novamente. Miguel, com sua mente analítica, começou a investigar as conexões financeiras e as atividades ilegais do homem que se disfarçava de colecionador de arte. Descobriram uma rede intrincada de negócios obscuros, lavagem de dinheiro e influência política, tudo orquestrado pelo antiquário, agora conhecido por eles como um homem chamado Alastair Vance.

"Ele é mais do que um simples ladrão de relíquias", Miguel disse, apontando para um mapa repleto de marcações. "Ele está se infiltrando nas esferas de poder. Se ele conseguir controlar o véu, o caos que ele pode causar seria inimaginável. Não é apenas um poder ancestral, Helena, é uma influência sobre a própria realidade."

Helena sentia isso em sua própria pele. As visões se tornavam mais vívidas, mais intensas. Ela podia sentir as intenções de Vance, a frieza de seus planos. E, para sua surpresa e apreensão, ela também sentia a atração sombria que ele exercia, um eco da sedução que sua mãe enfrentara no passado. Era a natureza do véu, ela sabia, uma dualidade entre a proteção e a tentação.

"Ele está tentando me seduzir, Miguel", Helena confessou, a voz baixa e apreensiva, enquanto observavam o pôr do sol sobre a Baía de Guanabara. "Não fisicamente, mas… através da promessa de poder, de controle. É como se ele pudesse me mostrar um caminho mais fácil, um caminho onde eu não sinto o peso da responsabilidade."

Miguel a puxou para perto, seu olhar firme e amoroso. "Helena, o único poder que você precisa é o que já está em você. E o único caminho que importa é aquele que construímos juntos. Não caia na tentação dele. Lembre-se do amor de sua família, da força que você carrega."

A necessidade de desmantelar a operação de Vance se tornou urgente. Eles precisavam de provas concretas, algo que pudesse levá-lo à justiça, ou pelo menos expor seus planos. A inteligência de Miguel era crucial, mas faltava uma peça-chave: uma prova direta de seus planos envolvendo o véu.

Uma noite, enquanto revisavam os relatórios de Miguel, Helena teve uma visão. Ela viu Alastair Vance em uma festa luxuosa, em um casarão histórico no Jardim Botânico. Ele estava conversando com um homem influente, um político conhecido por suas ambições e sua falta de escrúpulos. Vance segurava um pergaminho antigo, o mesmo que Helena vira em uma de suas visões anteriores, e sussurrava promessas de poder e controle sobre as energias ocultas.

"Eu sei onde ele estará", Helena disse, o coração acelerado. "E eu sei o que ele planeja. Ele está usando a influência dele para obter um artefato que o ajudará a controlar o véu. Precisamos ir até lá."

Miguel franziu a testa, apreensivo. "É perigoso, Helena. Ele é astuto e implacável. E você ainda está se recuperando da batalha no mosteiro."

"Eu sei que é perigoso", ela respondeu, sua voz firme. "Mas não podemos esperar. Se ele conseguir aquele pergaminho, estaremos em desvantagem. E eu me sinto mais forte agora, Miguel. O véu está comigo."

A festa no casarão do Jardim Botânico era o epítome do luxo e da ostentação. Lustres de cristal brilhavam, orquestras tocavam melodias suaves, e o aroma de perfumes caros se misturava ao de canapés sofisticados. Helena e Miguel se infiltraram discretamente, disfarçados como convidados comuns. Helena, usando um elegante vestido azul escuro, sentia-se como uma predadora à espreita, sua intuição apurada captando cada detalhe, cada intenção.

Alastair Vance estava no centro das atenções, irradiando um carisma calculista que atraía todos ao seu redor. Ele conversava animadamente com o político, o Senador Valente, segurando um pequeno objeto em uma caixa de veludo. Helena sabia que era o pergaminho.

"Ele o obteve", Miguel sussurrou em seu ouvido, sua mão em seu braço, um ponto de firmeza em meio à multidão. "Precisamos pegá-lo."

Helena observou Vance, sua mente trabalhando rapidamente. Ela sentiu a tentação sutil que ele projetava, um convite silencioso para se juntar a ele, para sentir o poder. Ela fechou os olhos por um instante, focando na imagem de Miguel, no amor que os unia, na força que eles haviam conquistado juntos. Isso a ancorou.

"Eu vou distraí-lo", Helena disse, seu olhar focado em Vance. "Você aproveita a oportunidade para pegar o pergaminho."

Com uma determinação recém-descoberta, Helena se aproximou de Vance. Ela sabia que ele a reconheceria, mas decidiu usá-lo a seu favor.

"Sr. Vance", ela disse, sua voz suave, mas firme, chamando a atenção dele.

Alastair Vance se virou, um sorriso surpreso, mas calculista, surgindo em seus lábios. "Helena. Que surpresa agradável encontrá-la aqui. Pensei que estivesse… recuperando-se em algum lugar tranquilo." Seus olhos percorreram Helena, avaliando-a, e um brilho de reconhecimento, misturado com algo mais sinistro, cintilou em seu olhar. "Você está… diferente. Mais forte."

"O passado tem uma forma de nos mudar, Sr. Vance", Helena respondeu, mantendo a compostura. "Assim como certas pessoas que ousam tentar destruí-lo."

Vance riu, um som baixo e sedutor. "Destruir? Eu busco apenas restaurar um equilíbrio. Um equilíbrio que sua linhagem tem mantido hermeticamente trancado por muito tempo. Imagine o poder que poderíamos ter, Helena. Juntos." A oferta pairou no ar, um convite perigoso.

"Eu não busco o seu tipo de poder", Helena disse, sentindo a força do véu responder à sua determinação. "E eu não me alio a homens que se banham na escuridão."

Enquanto Helena mantinha Vance ocupado, Miguel agia com agilidade. Ele se aproximou de Vance por trás, disfarçado como um garçom. Em um movimento rápido e preciso, ele alcançou a caixa de veludo na mesa onde Vance a havia colocado brevemente, trocou-a por um objeto idêntico que havia preparado, e se afastou antes que alguém percebesse.

Vance, intrigado pela resistência de Helena, não percebeu a troca até que o Senador Valente abriu a caixa. O pergaminho não estava lá. A fúria tomou conta do rosto de Vance.

"Você!", ele rosnou para Helena, seus olhos brilhando com ódio.

Mas antes que ele pudesse agir, Miguel, com a ajuda de um breve empurrão de Helena que desestabilizou um dos convidados, criou uma distração suficiente para que eles pudessem sair discretamente da festa.

De volta à segurança relativa do apartamento, Miguel abriu a caixa. Lá estava o pergaminho antigo, com inscrições em uma língua esquecida.

"Conseguimos!", Miguel celebrou, abraçando Helena com força. "Temos a prova que precisamos."

Helena sentiu um alívio imenso, mas também uma pontada de apreensão. A sedução de Vance fora real. Ela sentira o chamado do poder fácil, uma tentação que a assustava.

"Eu senti algo, Miguel", ela confessou, sua voz ainda trêmula. "Uma atração. Como se ele pudesse me mostrar um lado… mais fácil. Um lado onde eu não sinto o peso de tudo isso."

Miguel a segurou pelos ombros, seus olhos encontrando os dela com profunda compreensão. "Eu sei, meu amor. É a natureza do véu. Ele nos mostra o que desejamos, mas também o que tememos. Mas você resistiu. Você escolheu o caminho certo. E eu estarei sempre aqui para te lembrar disso."

Nos dias seguintes, eles analisaram o pergaminho. A linguagem era arcaica, mas com a ajuda de Miguel e de antigos textos que ele havia reunido, conseguiram decifrar parte de seu conteúdo. O pergaminho descrevia um ritual para "ancorar" o véu, para torná-lo indestrutível, mas exigia um sacrifício, um elo de sangue com a Guardiã. E o ritual só poderia ser realizado em um local específico, um lugar de grande poder místico, que o pergaminho descrevia com detalhes geográficos intrigantes.

"Este lugar...", Helena murmurou, reconhecendo as descrições. "É um antigo sítio arqueológico, escondido na Amazônia. Um lugar sagrado para os povos nativos."

A descoberta era crucial. Vance não queria apenas controlar o véu; ele queria usá-lo para um propósito ainda mais sombrio, um ritual que exigiria a força de Helena. A corrida contra o tempo havia se intensificado.

Enquanto isso, a notícia da festa e de um incidente "desagradável" com um político influente começou a circular nas colunas sociais, tingida de especulações. O nome de Vance foi associado a um escândalo, mas ele, com sua habilidade de manipulação, já estava trabalhando para abafar a situação. A batalha estava se tornando mais complexa, e a sedução do poder, mais perigosa do que nunca. Helena sentiu um calafrio. Vance a conhecia agora. Ele sabia de sua força, e ela, a essência de sua ambição. A cidade, com seu charme sedutor e suas sombras ocultas, se tornara o palco principal de uma guerra secreta.

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