Cap. 4 / 25

Alma Gêmea III

Capítulo 4 — A Dança das Sombras e a Sedução do Perigo

por Valentina Oliveira

Capítulo 4 — A Dança das Sombras e a Sedução do Perigo

As luzes da noite na Lapa, a boemia pulsante do Rio de Janeiro, transformavam a paisagem em um espetáculo de cores vibrantes e sons envolventes. A música ecoava pelas ruas estreitas, o cheiro de caipirinha e churrasquinho pairava no ar, e a energia contagiante de uma cidade que nunca dorme emanava de cada esquina. Era nesse labirinto de sedução e perigo que Rodrigo se movia com a naturalidade de quem nasceu para reinar sob o manto da noite.

Rodrigo era um homem de contrastes. Capaz de encantar com um sorriso e de manipular com a mesma facilidade. Sua beleza, antes vista por Helena como a de um anjo caído, agora revelava uma faceta mais sombria, mais calculista. Ele tinha o poder de atrair e de corromper, e a Lapa era o seu palco perfeito.

Ele estava em um bar elegante e discreto, com cortinas pesadas e iluminação baixa, o tipo de lugar onde os segredos eram sussurrados e os negócios, tanto lícitos quanto ilícitos, eram fechados. Ao seu lado, Sofia. A noiva. Elegante, impecável, com um sorriso que ocultava uma mente afiada e ambiciosa. Eles formavam um casal que inspirava inveja e admiração, uma união de poder e beleza, mas por baixo da superfície, uma intrincada rede de ambições e desconfianças.

“Você a encontrou, não é?”, Sofia disse, a voz baixa, sem tirar os olhos do copo de uísque.

Rodrigo deu um gole na sua bebida, um vinho tinto encorpado. “Encontrei. Helena. Parece que ela não mudou muito. Continua com essa aura de donzela em perigo.”

Sofia riu, um som seco. “Donzela em perigo? Rodrigo, você a conhece tão pouco. Helena é uma mulher resiliente. Ela sobreviveu a você, o que não é pouca coisa.”

Rodrigo a encarou, um brilho perigoso em seus olhos azuis. “Eu não a deixei, Sofia. Eu simplesmente saí. E ela… ela se reconstruiu. Criou sua própria fortaleza. Mas toda fortaleza tem um ponto fraco.”

“E você acha que o ponto fraco dela ainda é você?”

“O tempo dirá”, ele respondeu, um sorriso sutil brincando em seus lábios. “Mas e você? Conseguiu o que queria?”

Sofia assentiu, um brilho de satisfação em seus olhos escuros. “A informação que você precisava está comigo. E será sua… mediante o nosso acordo.”

“Nosso acordo”, Rodrigo repetiu, o tom confiante. “E você sabe que eu cumpro a minha parte.”

“Eu sei. Mas Rodrigo, essa Helena… ela pode ser um problema. Ela tem uma força que não combina com a fragilidade que você descreveu.”

“Fragilidade é uma máscara, Sofia. Todos nós usamos uma. E a dela, eu conheço bem. A paixão que a consumia, a devoção cega… é algo que pode ser explorado.”

“Você parece determinado a voltar à estaca zero, Rodrigo. E se ela se tornar um obstáculo para o nosso casamento, para o nosso futuro…?”

Rodrigo a interrompeu, sua voz adquirindo um tom mais sério. “Nada pode nos impedir, Sofia. Nada. Helena é apenas uma lembrança. Uma lembrança que, se necessário, eu posso apagar completamente.” Ele a olhou, o desejo em seus olhos agora misturado com uma frieza calculista. “Mas por agora, ela é útil. Ela é a peça que me faltava para entender a origem daquele manuscrito. E com ele, teremos o controle que tanto almejamos.”

Enquanto isso, em Copacabana, Helena e Lucas desfrutavam do café em um bistrô charmoso com vista para o mar. A conversa fluía com uma facilidade surpreendente. Lucas, com sua perspicácia e empatia, conseguia extrair de Helena histórias que ela mesma pensava ter esquecido.

“Eu não entendo por que Rodrigo voltou”, Helena confessou, mexendo o café com a colher. “Depois de tudo, depois de me deixar sem uma palavra… por que agora? E por que com essa mulher, Sofia, tão diferente de mim?”

Lucas ouvia atentamente, a expressão pensativa. “Talvez ele não tenha voltado para você, Helena. Talvez ele tenha voltado por outra coisa. Algo que ele perdeu ou que está prestes a conseguir. E você, por acaso, está no caminho dele.”

“No caminho dele? Mas eu me afastei completamente. Construí minha vida, meu refúgio, em Ipanema.”

“O Rio de Janeiro é uma cidade de conexões inesperadas, Helena. E às vezes, o passado tem uma maneira de nos encontrar, mesmo quando tentamos nos esconder. E essa Sofia… ela parece ser uma mulher que não joga limpo.”

“Ela é… intensa. E perigosa. Ela me disse que Rodrigo está prestes a se casar. E que ela não confia nele. Ela veio atrás de algo que eu pudesse ter dele.” Helena riu, um som sem humor. “Como se eu fosse guardar algo que me lembrasse dele.”

“Talvez você guarde algo, Helena. Não no sentido material. Mas em suas memórias. E as memórias, quando bem exploradas, podem ser muito poderosas.” Lucas olhou para ela, um sorriso genuíno. “E você, Helena, parece ter um passado rico em memórias. E eu, como fotógrafo e contador de histórias, sou fascinado por elas.”

Helena sentiu um calor reconfortante com as palavras dele. Lucas era um porto seguro em meio à tempestade que se formava. “Eu tenho um manuscrito antigo. Uma herança de família. Rodrigo sempre teve interesse nele, mas eu nunca dei muita importância. Achava que era apenas um romance antigo, sem valor real.”

Os olhos de Lucas brilharam. “Um manuscrito antigo? Isso sim é interessante. E Rodrigo o queria, você diz?”

“Sim. Ele sempre foi obcecado por histórias, por mistérios. Dizia que era um documento raro, com segredos de família. Eu nunca levei a sério.”

“Talvez devêssemos levar a sério, Helena. Talvez esse manuscrito seja a chave para entender o retorno de Rodrigo. E a razão pela qual ele está tão determinado a se casar com Sofia.”

A noite avançava na Lapa, e Rodrigo e Sofia continuavam sua dança de poder e sedução. “O manuscrito”, Rodrigo disse, a voz rouca. “Você tem alguma pista de onde ele possa estar?”

Sofia sorriu, um sorriso vitorioso. “Eu tenho. E se você cumprir a sua parte, Rodrigo, ele será seu. Assim como a minha fortuna será sua. Mas lembre-se, não tolero traições. E se Helena se tornar um problema… você saberá o que fazer.”

Rodrigo pegou a mão de Sofia, beijando-a com um gesto de posse. “Helena não é um problema, Sofia. Ela é um meio. E eu sou um mestre em usar os meios para atingir os meus fins. Juntos, nós conquistaremos tudo.”

De volta a Copacabana, Helena e Lucas se despediram, a promessa de um novo encontro pairando no ar. Helena sentiu um misto de alívio e apreensão. Lucas era um farol de esperança, mas a sombra de Rodrigo e Sofia pairava sobre ela. O manuscrito, que ela sempre considerou um mero objeto de nostalgia, agora parecia ser o centro de uma perigosa trama.

Enquanto se recolhia para o seu apartamento, Helena olhou para o mar noturno, as luzes da cidade refletindo em sua superfície. A tranquilidade de Ipanema parecia cada vez mais distante, substituída pela inquietação das lembranças que retornavam e dos segredos que emergiam. A dança das sombras havia começado, e Helena, relutantemente, estava sendo puxada para o centro do palco, onde o perigo e a sedução se entrelaçavam em uma teia complexa.

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