Cap. 6 / 25

Alma Gêmea III

Alma Gêmea III

por Valentina Oliveira

Alma Gêmea III Por Valentina Oliveira

Capítulo 6 — O Beijo Roubado Sob o Luar de Ipanema

A noite em Ipanema desdobrava-se em tons de anil e prata, pontilhada pelas luzes cintilantes dos prédios que beiravam a orla. A brisa marinha, morna e carregada do perfume das buganvílias, acariciava os rostos de Isabella e Ricardo, que caminhavam em silêncio pela areia fofa. A conversa anterior, carregada de incertezas e de um passado que insistia em assombrar, deixara um rastro de tensão palpável entre eles. Isabella, com seu vestido azul-marinho esvoaçante que dançava com o vento, sentia o coração acelerar a cada passo que dava ao lado de Ricardo. A aproximação dele, o calor que emanava de seu corpo, o cheiro sutil de sua pele que se misturava ao sal do mar, tudo a envolvia em uma aura de desejo contido.

Ricardo, por sua vez, observava a silhueta de Isabella sob a pálida luz da lua. Cada curva, cada movimento delicado parecia magneticamente atraí-lo. A imagem de Helena, sua esposa falecida, pairava em sua mente como uma sombra persistente, mas a presença de Isabella era um sol a tentar dissipá-la. Ele se lembrava do primeiro encontro, da faísca que se acendeu entre eles, algo que ia além da mera atração física. Era uma conexão profunda, um reconhecimento de almas que ambos sentiam, mas que o medo e a culpa teimavam em reprimir.

“Está tão quieto hoje, Ricardo”, Isabella quebrou o silêncio, sua voz suave como uma carícia.

Ricardo parou e se virou para ela, os olhos escuros encontrando os dela. “Às vezes, o silêncio diz mais do que mil palavras, Bella.” Ele estendeu a mão e tocou delicadamente o rosto dela, sentindo a pele macia sob seus dedos. Um arrepio percorreu o corpo de Isabella. Ela fechou os olhos por um instante, absorvendo aquele toque que parecia selar um pacto tácito entre eles.

“Você ainda sente… a presença dela?”, Isabella perguntou, com a voz embargada. A pergunta pairava no ar, pesada com o peso de um amor perdido e da culpa que assombrava Ricardo.

Ricardo suspirou, um som que parecia vir do fundo de sua alma. “Sinto. Helena sempre estará comigo, em minhas memórias, em meu coração. Mas… algo mudou, Bella. Algo em mim se abriu para você. É algo que não consigo explicar, mas que me assusta e me atrai na mesma medida.” Ele afastou a mão do rosto dela e a segurou. “Não quero te machucar. Não quero que você se envolva com um homem que carrega tantas feridas.”

“E eu não quero me afastar de você, Ricardo”, Isabella confessou, sentindo as lágrimas se formarem em seus olhos. “Por mais que eu tente, não consigo. É como se meu destino estivesse entrelaçado ao seu, desde o primeiro olhar. O manuscrito… ele me trouxe até você, mas foi você que me prendeu aqui, em seu olhar, em seu toque.”

O luar banhava os dois, criando uma atmosfera quase etérea. O som das ondas quebrando na praia parecia a trilha sonora perfeita para aquele momento de vulnerabilidade e desejo. Ricardo apertou a mão de Isabella, seus polegares acariciando o dorso de suas mãos. Ele sentiu a fragilidade dela, mas também a força que emanava de sua determinação.

“Não se prenda a mim, Bella. Se tiver medo, vá embora. Corra enquanto há tempo.” A voz dele era um murmúrio rouco, carregado de uma emoção que ele lutava para controlar.

Isabella deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. “Medo? Talvez. Mas a saudade que sinto quando não estou perto de você é muito maior. E essa saudade me diz que você é o meu lugar, Ricardo. Que o meu destino, por mais complicado que seja, é ao seu lado.” Ela ergueu o rosto para ele, os olhos marejados buscando os dele na penumbra. “Eu sei que você está sofrendo, e eu quero te ajudar a curar. Quero ser a sua luz, não a sombra do seu passado.”

O coração de Ricardo batia descompassado. A intensidade do que sentia por Isabella era avassaladora. Era um sentimento puro, capaz de transcender a dor e a perda. Ele sabia que estava se arriscando, que estava abrindo uma porta que talvez não devesse, mas a atração por Isabella era irresistível. O momento era de uma beleza crua, de uma entrega que ele não esperava mais encontrar em sua vida.

Ele levou a outra mão ao rosto dela, afastando uma mecha de cabelo que o vento insistia em lhe jogar nos olhos. Seus olhares se encontraram em uma promessa silenciosa. O mundo ao redor parecia ter desaparecido, restando apenas os dois, a imensidão do oceano e o céu estrelado.

“Bella…”, ele sussurrou, a voz embargada.

E então, sem mais delongas, sem hesitação, Ricardo se inclinou e beijou Isabella. Foi um beijo lento, profundo, carregado de toda a saudade, o desejo e a esperança que haviam se acumulado entre eles. As mãos dele deslizaram por suas costas, atraindo-a para mais perto, enquanto as mãos dela se enroscaram em seu pescoço, aprofundando o contato. O sabor do beijo era o sal do mar, o perfume das flores e a doçura de um amor que renascia das cinzas do passado.

Naquele momento, sob o luar de Ipanema, Isabella e Ricardo selaram um pacto que ia além das palavras. Era um pacto de almas, uma promessa de reencontro que ecoava nas ondas que beijavam a areia. O manuscrito, o segredo que os unira, parecia ter cumprido sua missão, abrindo caminho para um amor que se anunciava tão avassalador quanto as marés. Mas, como em toda grande história, as sombras do passado e os mistérios que ainda pairavam no ar não podiam ser ignorados por muito tempo. A noite era um convite à entrega, mas o amanhecer traria consigo novas perguntas e novos perigos.

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