Cativada pelos seus Olhos III

Capítulo 10 — A Fuga para o Paraíso: O Início da Redenção

por Valentina Oliveira

Capítulo 10 — A Fuga para o Paraíso: O Início da Redenção

O sol da manhã em Paraty parecia mais vibrante, o ar mais puro, como se a própria natureza estivesse celebrando a decisão de Marina. A noite anterior fora um turbilhão de confissões e promessas, um ponto de virada em sua jornada de reencontro com Ricardo. A decisão de se darem uma nova chance pairava no ar, tão tangível quanto o aroma do café fresco que ela tomava na varanda do hotel. O plano de Ricardo era audacioso: uma fuga para uma pousada isolada nas montanhas, um refúgio onde poderiam redescobrir o que os unia, longe do burburinho da cidade e das interferências do mundo exterior.

Marina arrumava suas coisas com um misto de excitação e apreensão. Cada peça de roupa que dobravam parecia carregar o peso de uma nova esperança. Ela sabia que estava se arriscando, que estava se jogando em águas desconhecidas, mas a voz de Ricardo ecoava em sua mente, lembrando-a de que o maior risco era não tentar. E, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que estava fazendo a escolha certa para o seu coração.

Por volta das 10h, Ricardo chegou. Ele trazia um sorriso largo e radiante, que iluminava seus olhos e acalmava as últimas pontadas de ansiedade de Marina. Ele não a esperou no lobby, mas sim no seu carro, um modelo clássico, reluzente, que parecia ter saído de um filme antigo.

"Pronta para a nossa aventura, meu amor?", ele perguntou, a voz cheia de ternura e uma pitada de malícia.

Marina sentiu um arrepio percorrer seu corpo. "Amor". Aquela palavra, dita por ele, tinha um peso e um significado que ela quase havia esquecido. "Pronta", ela respondeu, um sorriso genuíno iluminando seu rosto.

Ele abriu a porta do carro para ela, e ao entrar, Marina sentiu um perfume sutil, uma mistura de couro e algo amadeirado, que a fez se sentir em casa. Ricardo entrou em seguida, e antes de dar a partida, ele a olhou intensamente.

"Sem arrependimentos, Marina. Apenas a promessa do que ainda está por vir."

E então, eles partiram. A estrada que levava para fora de Paraty serpenteava entre a Mata Atlântica exuberante, e o cenário era de uma beleza estonteante. O silêncio no carro era confortável, preenchido apenas pela música suave que Ricardo havia escolhido e pela cumplicidade que crescia a cada quilômetro percorrido. Marina observava a paisagem mudar, as montanhas se aproximando, e sentia uma leveza que há muito não experimentava.

Ricardo, percebendo sua contemplação, virou-se para ela. "Está gostando?"

"É lindo. Tão pacífico."

"Assim como deve ser para nós. Um lugar onde possamos nos encontrar novamente. Longe de tudo o que nos assustava." Ele pegou a mão dela e a beijou suavemente. "Você sabe que eu te amo, não sabe? E que eu faria qualquer coisa para te ver feliz."

"Eu sei, Ricardo. E isso me assusta um pouco. Essa sua dedicação… essa sua fé em nós."

"Fé é o que nos move, Marina. E eu tenho fé em nós. Tive desde o primeiro momento em que te vi. E essa fé só se fortaleceu com o tempo."

O caminho era longo, mas não parecia. O tempo se esvaía sem que eles percebessem, embalados pela conversa, pelas memórias compartilhadas, pelos olhares que diziam mais do que mil palavras. Chegaram à pousada ao entardecer. Era um lugar idílico, aninhado entre as montanhas, com uma vista deslumbrante e um ar de tranquilidade que envolvia tudo. A pousada era rústica e elegante, com lareiras, móveis de madeira maciça e um aroma delicioso de flores do campo.

Ao entrarem no quarto, Marina ficou maravilhada. Era espaçoso, com uma cama enorme e macia, uma varanda com vista para o vale, e uma lareira que prometia noites aconchegantes. Ricardo abriu as janelas, deixando o ar fresco da montanha invadir o ambiente.

"Este é o nosso santuário, Marina. Um lugar para nos reconectarmos." Ele se aproximou dela, seus olhos brilhando com uma intensidade que a fez sentir um calor familiar subir por suas veias. "Aqui, não há passado. Não há futuro. Apenas o agora. Apenas nós."

Ele a abraçou, e Marina se entregou ao seu abraço. Sentiu a força de seus braços, o cheiro de sua pele, a batida de seu coração contra o seu. Era um abraço de reencontro, de perdão, de esperança.

"Eu te amo, Ricardo", ela sussurrou, a voz embargada pela emoção.

"Eu também te amo, Marina. Mais do que as palavras podem expressar."

E então, sob o olhar cúmplice das primeiras estrelas que surgiam no céu, eles se beijaram. Um beijo que começou suave, terno, um beijo de reencontro, mas que logo se aprofundou, carregado de paixão, de desejo, de toda a saudade acumulada ao longo dos anos. Era um beijo de redenção, de promessa, de um amor que, apesar das adversidades, se recusava a morrer. A tempestade que um dia os ameaçou agora se transformava em um refúgio, em um porto seguro onde eles poderiam, finalmente, se entregar à força avassaladora do amor que os unia. A fuga para o paraíso havia começado.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%