Cativada pelos seus Olhos III

Capítulo 17 — Os Fantasmas do Passado e o Despertar do Desejo

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — Os Fantasmas do Passado e o Despertar do Desejo

O dia amanheceu em Angra dos Reis com uma promessa de renovação, pintando o céu com cores vibrantes que refletiam a euforia que borbulhava no peito de Helena. A conversa com Rafael sob a luz da lua, revelando suas fragilidades e ambições, havia sido como um bálsamo para suas feridas. Sentia-se leve, despojada de um peso que nem sabia que carregava. A mansão, que antes parecia um cenário de luxo opressor, agora parecia um lar, um refúgio onde seus corações podiam finalmente bater em uníssono.

Café da manhã foi um ritual de cumplicidade. Sentados lado a lado na ampla varanda, observando os barcos balançarem suavemente nas águas cristalinas, trocavam olhares que diziam mais que mil palavras. Rafael, mais descontraído do que ela jamais o vira, compartilhava histórias de sua infância em Nova York, de viagens de negócios com o pai, de momentos de rebeldia juvenil que ele ousava revelar agora. Helena, por sua vez, falava sobre seu amor pela arte, sobre a frustração de ter que adiar seus próprios sonhos para cuidar de seus negócios após a morte de Leonardo, e sobre a esperança que Rafael reacendeu em seu coração.

"Eu sempre me senti um pouco deslocada, sabe?", Helena confidenciou, mexendo distraidamente o café. "Apesar de toda a educação, de todo o conforto, sempre senti que faltava algo. Talvez fosse a liberdade de ser quem eu sou, sem as expectativas que vêm com o sobrenome." Ela sorriu, um sorriso melancólico. "Leonardo era um homem incrível, mas vivíamos em um mundo de negócios, de números, de prazos. Eu sonhava com um amor que me permitisse voar."

Rafael segurou sua mão sobre a mesa, apertando-a com carinho. "E eu sonhava em encontrar alguém que visse além da minha fortuna, além do nome Albuquerque. Alguém que me visse como o homem que sou, com todos os meus defeitos e qualidades." Seus olhos azuis, agora cheios de uma ternura profunda, fixaram-se nos dela. "E eu encontrei você, Helena."

O olhar dele era um convite, um portal para um universo de sensações que ela ansiava explorar. A cumplicidade da manhã se transformou em uma eletricidade palpável que flutuava no ar entre eles. Cada toque, cada sorriso, cada palavra carregava um peso de intimidade crescente.

Mais tarde, exploraram os jardins exuberantes da propriedade. Rafael a guiou por entre roseiras perfumadas e árvores frutíferas, contando a história de cada planta, de cada cantinho que havia sido cuidadosamente planejado por seus antepassados. Helena, encantada, sentia-se cada vez mais conectada àquele lugar, e, mais ainda, ao homem que a conduzia.

Em um recanto isolado, sob a sombra de uma mangueira centenária, encontraram um banco rústico. Sentaram-se lado a lado, o silêncio confortável pairando entre eles. Helena sentiu o olhar de Rafael sobre si, uma atenção que a fez corar. Ele se aproximou, sua respiração quente em seu rosto.

"Você é linda, Helena", ele sussurrou, os olhos percorrendo cada traço de seu rosto. "Mais linda do que eu jamais imaginei."

E então, ele a beijou. Não um beijo apressado, mas um beijo lento, profundo, que explorava cada recanto de sua boca, cada anseio de sua alma. Era um beijo que falava de saudade, de desejo reprimido, de uma paixão que finalmente encontrava vazão. Helena retribuiu com a mesma intensidade, entregando-se àquele momento, sentindo o corpo formigar, a mente esvaziada de qualquer pensamento que não fosse a sensação dos lábios dele contra os seus.

Enquanto o beijo se aprofundava, um vulto de escuridão surgiu na periferia da mente de Helena. A imagem fugaz de Leonardo, seu falecido marido, pairou como um fantasma. Por um instante, um arrepio percorreu sua espinha, uma pontada de culpa e incerteza. Seria ela capaz de amar novamente? Seria justo com a memória de Leonardo seguir em frente com Rafael?

Rafael sentiu a hesitação dela, o leve distanciamento em seu corpo. Ele a segurou com mais firmeza, mas sem pressionar. "O que foi, meu amor?", perguntou, a voz suave, mas com um toque de preocupação.

Helena se afastou um pouco, os olhos cheios de uma melancolia repentina. "Leonardo...", ela murmurou, a voz embargada. "Às vezes, eu o vejo. Sinto que estou traindo a memória dele se… se me permito sentir isso por você."

Rafael a envolveu em seus braços, oferecendo-lhe conforto. "Helena, Leonardo te amou. E você amou ele. É natural que ele faça parte da sua história. Mas a história continua, meu amor. E você tem o direito de escrever um novo capítulo." Ele a acariciou os cabelos. "O amor não é um bem finito. O espaço em seu coração pode crescer. O amor que você sentiu por ele te moldou. E o amor que podemos construir agora pode te libertar."

Ele a olhou nos olhos, a sinceridade transbordando de seu olhar azul. "Eu nunca tentaria substituir Leonardo. Eu quero construir algo novo com você. Algo que seja nosso. Se você me permitir."

As palavras de Rafael eram um bálsamo para a alma de Helena. Ele a entendia, a respeitava. Ele não a pressionava, apenas lhe oferecia a mão. Ela fechou os olhos por um momento, respirando fundo o aroma das rosas. A memória de Leonardo era preciosa, mas não podia aprisioná-la para sempre. Rafael era uma promessa, um futuro radiante que a chamava.

"Eu quero, Rafael", ela disse, a voz mais firme agora. "Eu quero construir algo novo com você."

Ele sorriu, um sorriso que iluminou todo o seu rosto. E então, o beijo voltou, dessa vez com uma doçura renovada, uma promessa de que os fantasmas do passado não teriam poder sobre o presente que estavam construindo. A partir daquele momento, o desejo que ardia entre eles se tornou mais ousado, mais palpável.

De volta à mansão, a tarde se desdobrou em um prelúdio de intimidade. Eles exploraram cada canto da casa, como se fosse a primeira vez, descobrindo detalhes que antes passavam despercebidos. No quarto, a luz dourada do sol que entrava pelas janelas criava um ambiente íntimo e acolhedor. A cada toque, a cada carícia, a paixão que ardia entre eles se intensificava.

Rafael a despiria lentamente, seus olhos azuis fixos nos dela, admirando cada curva de seu corpo com uma reverência que a fazia sentir-se uma deusa. Helena, por sua vez, não poupava olhares, maravilhada com a força e a beleza masculina de Rafael. A tensão sexual era quase insuportável, um fio invisível que os unia cada vez mais.

Quando finalmente se entregaram um ao outro, foi com a intensidade de quem descobre um tesouro há muito perdido. O quarto se encheu com os gemidos sussurrados, os suspiros entrecortados, a respiração ofegante. Cada movimento era uma declaração, cada toque uma promessa. Helena sentia seu corpo explodir em sensações novas, em prazerosos abandonos. A cada toque de Rafael, ela se sentia mais viva, mais completa. A sua paixão era avassaladora, consumindo-a em um redemoinho de prazer. Ele a amava com uma intensidade que a deixava sem fôlego, que a fazia esquecer de tudo, exceto daquele momento.

Naquela noite, o quarto de hóspedes da mansão se tornou o palco de um amor que renascia das cinzas, um amor que prometia ser tão duradouro quanto as ondas do mar que beijavam a praia de Angra dos Reis. Os fantasmas do passado haviam sido silenciados, e o futuro, radiante e cheio de desejo, se estendia à sua frente.

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