Cativada pelos seus Olhos III

Capítulo 18 — A Sombra do Passado e o Confronto Inesperado

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — A Sombra do Passado e o Confronto Inesperado

O sol da manhã banhava Angra dos Reis com uma luz dourada e promissora, mas para Helena, a tranquilidade recém-descoberta parecia frágil, prenunciando uma tempestade iminente. A noite de paixão com Rafael, intensa e arrebatadora, deixara-a com uma sensação de euforia, mas também com uma pontada de apreensão. O passado, que ela acreditava ter deixado para trás, parecia ter tentáculos longos e sombrios, e um deles acabara de se estender na direção dela.

Um telefonema na manhã seguinte a tirou de seu devaneio. A voz do outro lado da linha, fria e calculista, era de Sofia, sua antiga sócia nos empreendimentos imobiliários, uma mulher que Helena preferia esquecer. Sofia, com seu sorriso de escárnio e ambição desmedida, representava um capítulo sombrio de sua vida, um período de traição e dor.

"Helena, querida", a voz de Sofia soou melosa, mas com um tom subjacente de ameaça. "Ouvi dizer que você anda se divertindo em Angra dos Reis. Que bom que está aproveitando a vida depois de... tantos infortúnios."

Helena sentiu um calafrio. "Sofia. O que você quer?"

"Nada que não te interesse, querida. Apenas passando para saber como estão as coisas. Fiquei sabendo que você anda recebendo visitas ilustres. Um certo... Albuquerque, não é mesmo?" A risada de Sofia era áspera, como o raspar de unhas em uma lousa. "Um homem de grande influência, pelo que me dizem. Tão influente quanto eu sou em certas esferas."

O tom de Sofia era um claro aviso. Ela sabia de Rafael, e, mais importante, parecia ter informações sobre o império Albuquerque que a própria Helena ainda estava descobrindo. O medo começou a se instalar em Helena. Sofia não era alguém que se contentava com ameaças veladas.

Rafael, percebendo a palidez repentina de Helena, aproximou-se. "Está tudo bem, meu amor?"

Helena tentou disfarçar, mas a tensão em seu rosto era evidente. "Sim, tudo bem. Apenas... uma ligação de trabalho."

Sofia continuou, sem se importar com a presença de Rafael, que pairava próximo. "Sabe, Helena, eu sempre fui muito boa em observar o que é meu por direito. E o que é da família Albuquerque, em breve, pode ser meu por direito também. Tenho alguns acordos, algumas parcerias... que você não gostaria que fossem revelados. Especialmente agora que está tão... feliz."

A ameaça era clara. Sofia sabia de algo, algo que envolvia os negócios de Rafael e que poderia prejudicá-lo. E ela estava usando Helena como moeda de troca. A mente de Helena girou. Como Sofia sabia? E qual era o jogo dela?

"Você está nos ameaçando, Sofia?", Helena perguntou, a voz firme, apesar do tremor interno.

"Não, querida. Apenas te alertando. A vida é muito curta para se meter com as pessoas erradas. E você, com esse seu jeito de sonhadora, pode acabar se machucando feio." A ligação foi encerrada abruptamente, deixando Helena em um turbilhão de angústia.

Rafael a olhou com preocupação. "Helena, o que aconteceu? Quem era?"

Helena hesitou por um momento. Contar a Rafael sobre Sofia, sobre o passado sombrio e as ameaças, significava expô-lo a mais um perigo. Mas esconder a verdade, depois de tudo o que haviam compartilhado, seria trair a confiança que ele depositara nela.

"Era Sofia", ela começou, a voz baixa. "Minha antiga sócia. Ela... ela era uma mulher ambiciosa e sem escrúpulos. Nós tivemos alguns desentendimentos sérios no passado, e ela se sentiu... prejudicada. Eu não sabia que ela ainda estava me vigiando."

Rafael a ouviu atentamente, a expressão séria. "E o que ela disse? Parecia importante."

Com a voz embargada, Helena contou a Rafael sobre a conversa, sobre as ameaças veladas de Sofia, sobre a possibilidade de ela ter informações comprometedoras sobre o império Albuquerque. "Ela disse que tem acordos, parcerias... que poderiam me prejudicar. E que agora, com você em cena, as coisas poderiam ficar ainda mais perigosas para nós dois."

Rafael a abraçou, o corpo tenso. "Não se preocupe, Helena. Eu não vou deixar que ela te machuque. E vamos lidar com isso. Eu tenho meus próprios contatos, meus advogados. Sofia não vai conseguir nada." Ele a olhou nos olhos, um brilho de determinação em seu olhar azul. "Mas precisamos ser cautelosos. Se ela tem informações sobre meus negócios, pode ser algo sério."

A noite caiu sobre Angra dos Reis, mas o clima leve e romântico de dias anteriores fora substituído por uma tensão palpável. O jantar, que deveria ser um momento de intimidade, tornou-se um exercício de disfarce, onde ambos tentavam parecer calmos, mas a preocupação pairava no ar.

Mais tarde, enquanto caminhavam pela praia, sob o véu estrelado, Rafael decidiu que era hora de enfrentar a situação. "Helena, preciso te contar algo. Algo que Sofia pode ter descoberto, ou pode estar tentando usar contra nós."

Ele a guiou até uma rocha, sentaram-se observando as ondas. "Meu pai, além de ser um homem de negócios, também tem inimigos. Inimigos poderosos, que não hesitam em usar táticas sujas para conseguir o que querem. Há um tempo, estamos investigando um esquema de lavagem de dinheiro que envolve algumas empresas offshore, ligadas a concorrentes que meu pai já derrotou no passado."

Ele fez uma pausa, o olhar fixo no horizonte. "Uma dessas empresas, a 'OmniCorp', tem ligações obscuras. E eu suspeito que Sofia, com sua natureza oportunista, possa ter se envolvido nisso, ou ter descoberto algo que a ligue a ela. Se ela tem provas, ou mesmo a sugestão de provas, pode tentar nos chantagear para nos prejudicar, ou para obter informações que a beneficiem."

Helena sentiu um aperto no peito. A complexidade do mundo de Rafael era ainda maior do que ela imaginava. Ele estava envolvido em uma batalha perigosa, e agora, ela também estava no meio dela. "O que faremos?", ela perguntou, a voz trêmula.

"Vamos lutar", Rafael disse, com firmeza. "Vamos reunir todas as evidências necessárias para expor Sofia, seja lá o que ela esteja tramando. E vamos proteger o que é nosso. Eu tenho certeza que você não tem nada a ver com as atividades dela, e eu não vou permitir que ela use você contra mim. Nem que use a nós contra mim."

Ele a beijou na testa, um gesto de força e proteção. "Não se preocupe, meu amor. Enfrentaremos isso juntos. Somos mais fortes juntos."

No entanto, naquela mesma noite, enquanto Helena dormia inquieta, o celular de Rafael tocou. Era um número desconhecido. A voz que atendeu era distorcida, mas inconfundível. Sofia. "Albuquerque", a voz sibilou. "Você acha que pode me deter? Eu tenho o que preciso para destruir você e sua amada Helena. E se você tentar algo, ela será a primeira a pagar. Uma lembrança do seu passado que a fez trair um amor verdadeiro. O amor que ela tinha por Leonardo."

A voz de Sofia terminava com uma risada cruel. Rafael desligou o telefone, o rosto uma máscara de fúria contida. A ameaça a Helena, ligada a Leonardo, era uma carta na manga que ele não esperava. Sofia sabia de suas fraquezas, de suas cicatrizes mais profundas.

O amanhecer em Angra dos Reis, que antes trazia esperança, agora anunciava um confronto inevitável. A sombra do passado de Helena, a ambição de Sofia e a complexa teia de negócios de Rafael haviam colidido, lançando um desafio sombrio sobre o amor que florescia entre eles.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%