Cativada pelos seus Olhos III

Capítulo 7 — O Labirinto de Lembranças e Desejos Secretos

por Valentina Oliveira

Capítulo 7 — O Labirinto de Lembranças e Desejos Secretos

O dia seguinte amanheceu em Paraty com um sol generoso, mas para Marina, a luz parecia ter perdido um pouco do seu brilho. A noite anterior a deixara em um estado de torpor doce e perturbador. Ricardo. A simples menção do nome dele ecoava em sua mente, misturada às imagens de seus olhos penetrantes, ao toque fugaz de sua mão, à promessa de um reencontro que ela tanto temia quanto desejava.

Ela estava em seu quarto de hotel, um refúgio charmoso com janelas voltadas para um pátio florido, mas sentia-se presa. A cidade, com sua beleza serena e histórica, parecia agora um palco onde suas emoções eram expostas em um drama particular. Ela tentou se concentrar no trabalho, em analisar relatórios e planilhas, mas cada número, cada palavra, parecia dançar à volta da imagem de Ricardo.

Seus pensamentos vagavam sem controle. Lembrou-se do primeiro beijo, dado sob a chuva torrencial em uma noite de verão. Lembrou-se das risadas compartilhadas, das brigas apaixonadas, da cumplicidade que parecia inabalável. E, acima de tudo, lembrou-se da dor da separação, um rasgo no tecido de sua alma que ela acreditava ter sido suturado com o tempo e a distância. Mas agora, aquele fio se desfazia, e as velhas feridas pareciam sangrar novamente, não de tristeza, mas de uma saudade pungente.

Ela sabia que precisava ser forte. Sabia que Ricardo era um turbilhão, um furacão que poderia levá-la a lugares perigosos. Sua vida atual era estável, segura, construída com esforço e dedicação. Ela tinha uma carreira promissora, amigos leais, uma rotina que, embora às vezes monótona, era previsível. E, de repente, ele apareceu, trazendo consigo o caos e a paixão que ela havia tentado apagar.

Um toque no interfone a tirou de seus devaneios. Era a recepção. "Senhorita Marina, um buquê de flores para a senhora."

Com as mãos trêmulas, ela desceu até o saguão. Um rapaz sorridente lhe entregou uma caixa elegante. Dentro, um arranjo exuberante de orquídeas brancas e rosas vermelhas. E um pequeno cartão.

Marina,

As orquídeas pela sua pureza, as rosas pelo fogo que em você vejo e desejo reacender. Encontro você no Café das Artes às 15h. Não me faça esperar.

Com todo o meu anseio, Ricardo.

Ela leu e releu as palavras, sentindo um misto de pânico e euforia. Ele era implacável. E ela, por mais que tentasse lutar contra, sentia a atração irresistível. O Café das Artes. Um lugar charmoso, com mesas ao ar livre e vista para a igreja matriz. Seria o cenário perfeito para mais um ato dessa peça que parecia ter começado sem o seu consentimento.

Às 14h50, Marina já estava sentada em uma das mesas do café. O buquê repousava ao seu lado, um lembrete vibrante de sua presença. Ela observava as pessoas passando, as crianças correndo, os casais de mãos dadas, e sentia-se uma intrusa em sua própria vida. A cada minuto que se aproximava das 15h, seu coração acelerava. Seria capaz de resistir ao que ele tinha a dizer? Seria capaz de não se deixar levar novamente pela força avassaladora de seus sentimentos?

Exatamente às 15h, ele surgiu. Tão imponente quanto na noite anterior, mas com um ar ainda mais decidido. Ele se aproximou da mesa com passos firmes, o olhar fixo no dela, e um sorriso que prometia desarmá-la.

"Pontual, como sempre. Gosto disso em você, Marina." Ele puxou uma cadeira e sentou-se à sua frente, sem a menor cerimônia. "A água com limão, por favor", ele pediu ao garçom que se aproximou, sem tirar os olhos dela.

"Você não perde tempo, não é, Ricardo?", Marina disse, a voz firme, mas uma pontada de nervosismo a traía.

"Perder tempo é um luxo que não posso me dar quando se trata de algo que me é tão precioso. E você, Marina, é a coisa mais preciosa que já tive." Ele pegou a mão dela, que estava sobre a mesa, e a segurou com firmeza, mas com delicadeza. Seus dedos entrelaçaram-se aos dela, um gesto que parecia natural, que parecia certo.

Marina sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Aquele toque era familiar, poderoso. Era como se uma corrente elétrica percorresse seus corpos, reativando memórias adormecidas, reacendendo chamas que ela pensou terem se extinguido para sempre.

"Ricardo, nós…", ela começou, mas ele a interrompeu, apertando suavemente suas mãos.

"Não diga 'nós não podemos', Marina. Não diga que o tempo apagou tudo. Porque não apagou. Eu sinto isso. E eu vejo isso em seus olhos." Ele inclinou-se para frente, o olhar fixo no dela, buscando qualquer sinal de hesitação, qualquer resquício de resistência. "Você me procurou. Você sabia que eu estaria aqui. Não é verdade?"

Ela não conseguiu mentir. O olhar dele era um espelho que refletia sua própria alma, suas próprias fraquezas. "Eu… eu precisava te ver. Precisava entender… por quê."

"Por quê? Porque o amor não se apaga, Marina. Porque o destino tem um jeito de nos reaproximar. E porque eu nunca te esqueci. Nunca." Ele se aproximou um pouco mais, sua voz baixa, rouca, carregada de uma paixão que a deixava sem fôlego. "Eu sei que você tentou seguir em frente. Eu sei que construiu uma vida. Mas essa vida, você não acha que falta algo? Falta a paixão que transbordava entre nós. Falta a intensidade. Falta… eu."

As palavras dele a atingiram como um raio. Ele falava de um jeito tão direto, tão sincero, que era difícil não se deixar levar por sua convicção. Ela sentia seu coração acelerar, um tambor descompassado que parecia querer saltar de seu peito. As lembranças a inundavam: o cheiro do cabelo dele, a sensação de seus lábios nos seus, a entrega total e desmedida de seus corpos.

"Você não entende, Ricardo. As coisas são complicadas. Eu tenho… responsabilidades. Uma vida que não posso simplesmente jogar fora."

"E o que você acha que está fazendo agora, Marina? Jogando fora a chance de ser feliz? Jogando fora a chance de sentir novamente o que nos tornava invencíveis?" Ele soltou a mão dela e pegou uma rosa vermelha do arranjo. "Esta rosa é linda, não é? Mas ela só atinge seu pleno esplendor quando cultivada com cuidado, com paixão. Assim como nós. Nos separamos, e nos tornamos belos em nossa solidão, mas perdemos a intensidade, a exuberância que só florescemos juntos."

Ele estendeu a rosa para ela. Marina a pegou, sentindo o perfume inebriante invadir seus sentidos. Era um símbolo, um convite, uma promessa. Ela olhou para a rosa, depois para Ricardo, seus olhos encontrando os dele em um duelo de olhares carregados de desejo e receio.

"O que você quer de mim, Ricardo?", ela perguntou novamente, a voz embargada.

"Quero que você me dê uma chance. Uma chance para mostrar que o que tivemos ainda existe. Que podemos reacender essa chama. Quero que você se permita sentir novamente. Que você se deixe levar. Que você se entregue, Marina. Como você fazia. Como você sempre soube fazer." Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, um toque leve, mas que a fez estremecer. "Olhe para mim, Marina. Olhe em meus olhos e me diga que você não sente nada. Me diga que você não deseja isso tanto quanto eu."

Ela não conseguia. Não conseguia mentir para si mesma, nem para ele. Seus olhos não conseguiam desviar dos dele, e em seu reflexo, ela via a mesma paixão ardente, o mesmo desejo insaciável que a consumia. O labirinto de lembranças e desejos a envolvia, e ela se sentia cada vez mais perdida em seus próprios sentimentos. Ricardo havia voltado, e com ele, a tempestade que ela tanto temia e desejava estava prestes a desabar.

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