Entre o Amor e o Ódio II

Claro, aqui estão os primeiros cinco capítulos do romance "Entre o Amor e o Ódio II", escritos no estilo solicitado:

por Camila Costa

Claro, aqui estão os primeiros cinco capítulos do romance "Entre o Amor e o Ódio II", escritos no estilo solicitado:

Capítulo 1 — O Reencontro Inesperado em Ilhéus

O sol da Bahia, implacável e generoso, beijava as praias de Ilhéus com um calor que parecia abraçar a alma. As ondas quebravam na areia com um sussurro eterno, contando histórias de amores perdidos e reencontrados, de paixões que incendiaram corações e de ódios que se enraizaram como mangueiras antigas. Para Isabella Vasconcelos, a cidade era um labirinto de memórias, um lugar onde cada canto guardava um eco de seu passado, um passado que ela tentava, a duras penas, deixar para trás.

Ela desceu do carro, o ar salgado invadindo seus pulmões com uma familiaridade que a fez fechar os olhos por um instante. A brisa balançava seus cabelos escuros, revelando um vislumbre do colar de pérolas que sua mãe tanto amava usar, um presente que ela agora trazia consigo como uma âncora em meio à tempestade que era sua vida. Havia seis anos que não voltava a Ilhéus, seis anos desde a tragédia que dilacerou sua família e a forçou a fugir de tudo e de todos que um dia amou. A vida em São Paulo, com seu ritmo frenético e sua indiferença glacial, havia sido sua salvação e sua prisão. Mas agora, o dever a chamava de volta.

Sua tia Cecília, a única família que lhe restava na cidade, estava doente. Uma carta escrita com a letra trêmula da enfermeira chegou há duas semanas, implorando por sua presença. Isabella sentiu um aperto no peito. Tia Cecília sempre fora seu porto seguro, a mulher que a consolava em seus sonhos mais sombrios, que ria com ela de suas travessuras infantis, que acreditava em seu potencial quando ninguém mais acreditava. Não poderia deixá-la sozinha.

O casarão dos Vasconcelos pairava na colina como um fantasma de tempos gloriosos. As paredes brancas, antes vibrantes, agora pareciam desbotadas pelo tempo e pela tristeza. A varanda, onde tantas tardes de infância ela passou a ler e a sonhar, estava coberta de teias de aranha e folhas secas. Um arrepio percorreu sua espinha. Era como se a própria casa chorasse a ausência de seus antigos moradores.

Ao cruzar o portão de ferro forjado, o rangido ecoou como um grito mudo. Um jardineiro de rosto marcado pelo sol a cumprimentou com um aceno respeitoso. "Senhorita Isabella. Sua tia a espera lá dentro."

O interior era um santuário de lembranças. A mobília antiga, os retratos emoldurados de ancestrais com olhares severos, o cheiro de cera e de flores murchas. Cada objeto contava uma história. Isabella caminhou lentamente pelo corredor, o som de seus passos abafado pelos tapetes persas. No final, a porta do quarto de sua tia estava entreaberta. Um feixe de luz dourada entrava pela janela, iluminando o rosto pálido e frágil de Cecília.

"Tia...", Isabella sussurrou, a voz embargada.

Cecília ergueu a cabeça devagar, seus olhos azuis, antes tão vivos, agora opacos pela doença. Um sorriso fraco surgiu em seus lábios. "Bella, minha querida. Finalmente você chegou."

As duas se abraçaram, Isabella sentindo a fragilidade dos ossos de sua tia sob o tecido fino do roupão. Lágrimas silenciosas rolavam pelo rosto de Isabella, lágrimas de alívio por estar ali, mas também de dor pela fragilidade de quem ela amava.

"Eu vim, tia. Não se preocupe com nada. Eu estou aqui agora."

"Eu sabia que viria", disse Cecília, a voz fraca. "Você sempre foi uma boa menina." Ela fez um gesto para que Isabella se sentasse na poltrona ao lado da cama. "Há tanto que preciso lhe dizer, Bella. Tantas coisas que ficaram pendentes."

Enquanto Isabella ouvia sua tia falar sobre os últimos anos, sobre os problemas financeiros que assombravam a família e sobre a necessidade de vender algumas propriedades, sua mente vagava. Ela se lembrava dos verões passados ali, da casa sempre cheia de risadas, de almoços de família que se estendiam pela tarde. E ela se lembrava dele. Rafael. O nome surgiu em sua mente como um raio, inesperado e perturbador. Rafael Montenegro. O homem que a amou intensamente e que, em um momento de fúria e mágoa, a fez acreditar que o ódio podia ser tão poderoso quanto o amor.

Uma sombra pareceu cruzar o rosto de Cecília ao mencionar o nome de Rafael. "Ele ainda está por perto, Bella. Ele herdou grande parte das terras dos Montenegro após a morte do pai. E ele se tornou um homem… diferente."

O estômago de Isabella se revirou. Rafael. Ele ainda estava em Ilhéus. A ideia a fez sentir uma mistura de pavor e uma curiosidade perigosa. Seis anos. Seis anos sem vê-lo, sem ouvir sua voz rouca, sem sentir o calor de seu abraço. Seis anos tentando apagar a imagem dele de sua mente e de seu coração. Mas era impossível. O ódio que ela sentia por ele, a forma como ele a havia humilhado, a traição que sentiu… tudo isso estava gravado em sua alma.

"Eu não quero vê-lo, tia", Isabella disse firmemente, tentando soar mais confiante do que se sentia.

"Eu sei, querida. Mas em Ilhéus, os caminhos se cruzam. E ele é um homem poderoso agora. Talvez você precise lidar com ele em relação aos negócios da família."

A conversa continuou, mas a mente de Isabella estava em outro lugar. Ela se perguntava como ele estava. Se ele havia mudado. Se ele ainda se lembrava dela com a mesma intensidade que ela o lembrava, mesmo que fosse uma intensidade marcada pela dor. O sol se punha lá fora, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, e Isabella sabia que seu retorno a Ilhéus seria muito mais complicado do que ela imaginara. O passado, que ela tanto tentou enterrar, estava prestes a ressurgir das profundezas, e ela temia não estar preparada para a força de sua ressurgência.

Naquela noite, Isabella mal conseguiu dormir. A cama, outrora um refúgio de paz, agora parecia um campo de batalha onde suas lembranças lutavam para dominá-la. O cheiro familiar do quarto de sua tia a envolvia, mas era um perfume agridoce, misturado com a amargura de um amor que se transformou em algo sombrio. Ela se virou na cama, o coração batendo acelerado. O luar entrava pela janela, pintando o quarto com sombras dançantes. E em cada sombra, ela via o rosto de Rafael. Aquele sorriso torto que a desarmava, os olhos escuros que eram capazes de expressar a mais profunda ternura e o mais avassalador desdém. Ela se lembrou da primeira vez que o viu, em uma festa na fazenda de seus pais, ele um peão charmoso e rebelde, ela uma jovem mimada da alta sociedade. O amor deles foi um escândalo, uma paixão avassaladora que desafiou todas as convenções sociais. Mas o orgulho, a possessividade e as intrigas os separaram de forma brutal.

Ela se levantou e foi até a janela. A vista noturna de Ilhéus era um espetáculo de luzes distantes, um mar de estrelas que pareciam refletir as lágrimas que ela segurava em seus olhos. Ela sabia que não poderia fugir do passado para sempre. Ilhéus, com suas belezas exuberantes e suas feridas profundas, a havia chamado de volta. E ela, relutantemente, havia atendido. Mas o que ela encontraria ali? O perdão? Ou apenas mais dor? A noite em Ilhéus era quente, mas um frio gélido percorria a espinha de Isabella. O reencontro, ela sentia, era inevitável. E a incerteza sobre o que viria era um peso insuportável em seu peito.

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