Entre o Amor e o Ódio II

Capítulo 10 — A Fuga Ameaçada e o Desafio Aberto

por Camila Costa

Capítulo 10 — A Fuga Ameaçada e o Desafio Aberto

O ronco do motor do carro quebrava a serenidade da paisagem rural, um som intrusivo que ecoava a urgência da fuga. Isabella, sentada ao lado de Ricardo, sentia o coração bater acelerado, uma mistura de apreensão e esperança. Os documentos que comprovavam as artimanhas do Dr. Alencar repousavam em uma pasta entre eles, um fardo pesado e, ao mesmo tempo, a promessa de um futuro livre.

“Você tem certeza que o Dr. Alencar não vai nos encontrar tão cedo?”, perguntou Isabella, a voz tingida de preocupação, seus olhos vasculhando os espelhos retrovisores com uma frequência que denunciava sua ansiedade.

Ricardo, com a firmeza de quem já havia enfrentado muitas batalhas, respondeu: “Dona Elvira nos deu suprimentos suficientes para alguns dias, e eu escolhi rotas que ele não esperaria. Ele está acostumado a jogadas mais diretas. Ele nos subestima, Isabella. E isso, desta vez, será o seu erro fatal.” Ele olhou para ela, um sorriso tranquilizador em seus lábios. “Além disso, eu não o deixaria chegar perto de você nem que fosse o último ato da minha vida.”

A sinceridade em suas palavras aquietou um pouco os medos de Isabella. A confiança que ela depositava nele, fortalecida pela verdade que compartilhavam, era um bálsamo para sua alma.

Eles dirigiram por horas, passando por vilarejos pitorescos e paisagens cada vez mais urbanas. O sol, que antes era um guia caloroso, agora se punha, tingindo o céu com tons de laranja e roxo, anunciando a chegada da noite. A cidade para onde se dirigiam era um centro econômico vibrante, longe do alcance imediato do Dr. Alencar, um lugar onde a justiça, esperavam, seria imparcial.

Enquanto se aproximavam da cidade, o tráfego começou a aumentar, os prédios altos emergindo no horizonte como titãs de concreto. A atmosfera mudou, de uma tranquilidade rural para a agitação frenética da vida urbana. Isabella sentiu um misto de alívio e um novo tipo de apreensão. A cidade representava o anonimato, a chance de expor o Dr. Alencar, mas também um labirinto de perigos desconhecidos.

“Precisamos de um lugar seguro para passar a noite antes de irmos à polícia”, disse Ricardo, a voz firme. “Um hotel discreto, sem muitos holofotes.”

Ele dirigiu até um bairro mais afastado, encontrando um pequeno hotel com uma fachada modesta e um ar de discrição. O recepcionista, um homem de meia-idade com um olhar atento, os atendeu com profissionalismo, mas sem o interesse excessivo que Isabella já havia experimentado em outros lugares.

Ao entrarem no quarto, Isabella suspirou, sentindo o peso da jornada começar a cobrá-la. O quarto era simples, limpo, e o silêncio, após horas de barulho do carro e da cidade, era um alívio bem-vindo.

“Eu preciso tomar um banho”, disse Isabella, já se dirigindo ao banheiro. “Me sinto… suja com toda essa tensão.”

Ricardo assentiu. “Eu vou ligar para a segurança da cidade. Apenas para informar que estamos aqui, sem dar muitos detalhes. Precisamos estar um passo à frente.”

Enquanto Isabella se banhava, a água quente levando consigo parte do cansaço e do medo, Ricardo se sentou à mesa, pegando seu celular. Ele discou um número conhecido, um contato que ele cultivara em seus anos de busca por informações, alguém em quem ele confiava para agir com discrição e eficiência.

“Inspetor Silva? Aqui é Ricardo Bastos. Preciso de um favor. Estou na cidade com Isabella Lemos. Estamos com informações cruciais sobre atividades criminosas… Sim, envolvendo o Dr. Alencar. Precisamos de discrição absoluta. Podemos nos encontrar amanhã de manhã? Em um local seguro.”

Após a ligação, Ricardo sentiu um leve alívio. Ele havia dado o primeiro passo. Agora, era esperar que a justiça fizesse o seu trabalho.

Naquela noite, deitados na cama, a proximidade física era um conforto inegável, mas a incerteza do futuro pairava sobre eles.

“Você acha que vamos conseguir, Ricardo?”, perguntou Isabella, a voz suave, encostada em seu peito.

Ricardo a abraçou mais forte. “Vamos, meu amor. Juntos. Enfrentamos a escuridão e encontramos a verdade. Agora, vamos enfrentar a luz e lutar por ela. Não vamos deixar que a ganância dele destrua o que construímos.”

No dia seguinte, após um café da manhã discreto no hotel, eles partiram para o encontro com o Inspetor Silva. Ricardo havia escolhido um parque público, um local movimentado o suficiente para garantir segurança, mas com áreas mais isoladas onde poderiam conversar.

O Inspetor Silva era um homem de meia-idade, com um olhar penetrante e uma expressão séria. Ele os cumprimentou com um aceno de cabeça.

“Senhor Bastos, Senhorita Lemos. Fui informado sobre a gravidade da situação. Por favor, me apresentem as provas.”

Isabella entregou a pasta com os documentos para o inspetor. Enquanto ele examinava as cópias, Ricardo contou a história, desde a manipulação do Dr. Alencar, a tentativa de assassinato contra o pai de Isabella, até a descoberta das provas e a fuga.

O Inspetor Silva ouvia atentamente, o rosto impassível, mas seus olhos mostravam a seriedade com que levava a investigação. Ao final da apresentação, ele guardou os documentos com cuidado.

“Senhor Bastos, Senhorita Lemos, estas provas são contundentes. O Dr. Alencar será investigado. Precisaremos de depoimentos formais, mas a partir de agora, vocês estarão sob proteção policial.”

Enquanto o Inspetor Silva falava sobre os procedimentos, Isabella sentiu um alívio imenso. A verdade estava a caminho de ser revelada. Mas a sensação de segurança durou pouco.

De repente, um barulho alto e estridente ecoou pelo parque. Um pneu cantando, seguido por uma freada brusca. Um carro preto, com vidros fumê, parou bruscamente a poucos metros deles.

“Droga!”, exclamou Ricardo, empurrando Isabella para trás. “É ele.”

Do carro, desceram dois homens musculosos, o capataz de antes entre eles, com um olhar ameaçador. Eles avançaram em direção a eles.

“Não se aproximem!”, gritou o Inspetor Silva, sacando sua arma.

Mas os homens não hesitaram. Um deles, mais ágil, correu em direção ao Inspetor, tentando desarmá-lo. O capataz, por sua vez, avançou contra Isabella e Ricardo.

Ricardo agiu instintivamente, colocando Isabella atrás dele e enfrentando o capataz. A luta começou, um confronto brutal no meio do parque. O capataz era forte e experiente em brigas, mas Ricardo lutava com a fúria de quem defendia seu amor e sua honra.

Enquanto isso, o Inspetor Silva lutava para conter o outro homem. A cena era caótica, com gritos e o som de luta se misturando ao barulho da cidade.

Isabella observava a luta com o coração na boca. Via Ricardo se defender bravamente, mas o capataz era implacável. Ela sentiu um impulso de correr, de pegar os documentos e fugir, mas sabia que isso significaria abandonar Ricardo.

Foi então que ela viu algo nos bolsos do capataz. Um pequeno objeto brilhante. Uma adaga. A mesma adaga que ela havia visto em seu escritório, a arma que seu tio havia deixado para trás. O pânico a invadiu. Ela precisava fazer alguma coisa.

Enquanto o capataz desferia um golpe forte em Ricardo, Isabella agiu por instinto. Agarrou uma pedra pesada do chão e, com toda a sua força, a arremessou contra a cabeça do capataz. O golpe foi certeiro, e o homem cambaleou, soltando Ricardo por um instante.

A distração foi suficiente para que o Inspetor Silva, que havia conseguido imobilizar o outro homem, sacasse sua arma e a apontasse para o capataz.

“Pare! Você está preso!”

O capataz, vendo a situação perdida, tentou fugir, mas foi contido por Ricardo, que o segurou firmemente. O Inspetor Silva fez o mesmo com o outro agressor.

O parque, antes um local de esperança, agora testemunhava a brutalidade e a ganância do Dr. Alencar.

Ricardo olhou para Isabella, a respiração ofegante, os olhos cheios de uma admiração que a fez tremer. Ela havia lutado. Ela havia o salvado.

“Você… você me salvou”, disse ele, a voz rouca.

Isabella sorriu, um sorriso cansado, mas vitorioso. “Nós nos salvamos, Ricardo. Juntos.”

O Inspetor Silva, agora com os agressores sob controle, aproximou-se deles. “Vocês foram incríveis. Provaram que o Dr. Alencar não pode mais se esconder. Agora, vamos garantir que ele pague pelo que fez.”

A fuga havia sido ameaçada, o desafio de Ricardo e Isabella havia sido aberto de forma violenta, mas eles haviam resistido. A verdade, com a ajuda deles, estava prestes a vir à tona, e o amor que os unia, testado pelas mais duras adversidades, emergia mais forte e mais puro do que nunca. A batalha final contra o Dr. Alencar seria travada nas cortes, mas eles sabiam que, juntos, eles poderiam vencer.

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