Entre o Amor e o Ódio II

Romance: "Entre o Amor e o Ódio II"

por Camila Costa

Romance: "Entre o Amor e o Ódio II" Gênero: Romance Romântico Autor: Camila Costa

---

Capítulo 16 — A Sombra do Passado e a Fagulha da Verdade

O ar na mansão dos Montenegro estava denso, carregado de uma tensão palpável que se instalava em cada canto, como uma névoa fria que se recusava a dissipar. Aurora, com o coração martelando no peito, sentia a urgência de desvendar os segredos que a assombravam, aqueles fios soltos do passado que pareciam tecer uma teia em torno de seu presente. A carta anônima, um sussurro sombrio em meio ao silêncio, havia reacendido a chama de suas suspeitas sobre a morte de sua mãe. A caligrafia elegante, porém fria, parecia zombar de sua dor, convidando-a a um jogo perigoso de revelações.

“Não posso mais viver assim, Leonardo”, ela desabafou, os olhos marejados enquanto encarava o amado. Estavam no jardim, sob a luz prateada da lua, um cenário que outrora fora palco de juras e promessas, e agora testemunhava a sua angústia. “Tenho a sensação de que algo terrível foi escondido de mim, algo que me afeta profundamente. A carta… é como se alguém quisesse que eu soubesse, mas ao mesmo tempo, que eu temesse a verdade.”

Leonardo a abraçou com força, sentindo o tremor em seu corpo. A preocupação que via nos olhos de Aurora era um espelho da sua própria apreensão. Ele sabia que o passado dos Montenegro era um terreno minado, repleto de tragédias e segredos obscuros. A morte da mãe de Aurora, há tantos anos, sempre fora envolta em um véu de mistério, algo que ninguém ousava questionar.

“Aurora, meu amor, eu sei o quanto isso te aflige. E eu estarei ao seu lado, em cada passo. Mas precisamos ser cautelosos. Quem quer que tenha mandado essa carta, suas intenções podem não ser as melhores. Pode ser uma armadilha.” A voz de Leonardo era um bálsamo, mas a preocupação em seu tom a deixava ainda mais apreensiva.

“Mas e se for a verdade, Leo? E se a minha mãe não morreu de causas naturais? E se houver alguém responsável por isso? Eu preciso saber. Preciso ter a certeza para poder seguir em frente, para poder me livrar dessa sombra que me persegue.” Ela se afastou ligeiramente, os olhos fixos nos dele, buscando uma resposta que ele, por mais que quisesse, não podia oferecer. “Não posso confiar em ninguém aqui dentro. O Dr. Xavier… ele parece saber mais do que diz. E a Dona Elvira, com seus olhares furtivos… é como se todos guardassem um segredo.”

Leonardo assentiu, compreendendo a desconfiança que emanava dela. A atmosfera da mansão, com suas paredes centenárias que pareciam sussurrar histórias esquecidas, era propícia a tais sentimentos. Ele sabia que o Dr. Xavier, o médico da família por décadas, era um homem enigmático, cujas lealdades poderiam ser questionáveis. E Dona Elvira, a governanta, uma figura leal, mas também observadora atenta de todos os movimentos.

“Vamos investigar juntos. Mas de forma discreta. Sem levantar suspeitas. Talvez possamos começar pelo antigo escritório do seu pai. As coisas dele… quem sabe o que pode estar lá, escondido em alguma gaveta antiga?” Leonardo sugeriu, o plano tomando forma em sua mente. Ele não podia suportar ver Aurora torturada pela incerteza.

Enquanto isso, nos corredores sombrios da mansão, o Dr. Xavier observava Aurora e Leonardo do alto da escada, um sorriso sutil e perturbador brincando em seus lábios. Ele segurava uma pequena caixa de veludo, seu conteúdo um segredo bem guardado. Seus olhos, frios e calculistas, pareciam antecipar os próximos passos de Aurora com uma certeza assustadora. Ele sabia que a verdade era um caminho perigoso, e que algumas pessoas eram mais fortes para suportá-la do que outras. A fragilidade de Aurora era uma vantagem, um ponto a ser explorado.

Na mesma noite, Aurora, decidida, dirigiu-se ao antigo escritório de seu pai. A porta rangia em protesto ao ser aberta, revelando um ambiente empoeirado e esquecido, onde o cheiro de livros antigos e tabaco pairava no ar. A luz fraca de sua lanterna dançava sobre os móveis pesados, as pilhas de papéis desorganizadas, os objetos que pareciam congelados no tempo. Leonardo a seguia de perto, a cada passo, a cada respiração, compartilhando a atmosfera de suspense.

“É aqui que ele passava a maior parte do tempo”, Aurora murmurou, a voz embargada pela emoção. Ela passou a mão sobre a superfície fria da mesa de mogno, onde tantas decisões importantes foram tomadas. “Dizem que ele era um homem complexo, reservado. Ninguém realmente o conhecia por completo.”

“Vamos procurar algo que possa nos dar uma pista. Uma carta, um diário, qualquer coisa que não esteja em seu lugar”, Leonardo incentivou, começando a vasculhar as gavetas. O ranger dos mecanismos enferrujados ecoava no silêncio.

Após quase uma hora de busca infrutífera, a esperança de Aurora começava a se esvair. Tudo parecia tão comum, tão mundano. De repente, enquanto Leonardo examinava uma estante alta repleta de livros de capa dura, algo caiu no chão com um baque surdo. Era um pequeno volume de couro, sem título na lombada, que se desprendera de algum compartimento secreto.

“O que é isso?”, Leonardo perguntou, pegando o livro com cuidado. O couro estava envelhecido, mas ainda preservava um brilho discreto.

Aurora se aproximou, o coração acelerado. Ao abrir o livro, um pequeno envelope amarelado caiu entre as páginas. A caligrafia era inconfundível: era a de sua mãe.

“É dela! Leo, é a letra da minha mãe!”, Aurora exclamou, a voz trêmula de emoção. Ela pegou o envelope com as mãos trêmulas e o abriu. Dentro, havia uma única folha de papel dobrada. Ao desdobrá-la, um nó se formou em sua garganta.

A carta não era um adeus, mas um pedido de socorro velado, cheio de insinuações e medos. Falava de uma descoberta terrível, de uma ameaça iminente, e de um homem que ela temia profundamente, um homem com “olhos de serpente e um sorriso que escondia a maldade”. Ela mencionava um encontro secreto, um local específico, e a necessidade de entregar algo de valor para a própria segurança.

“Olhos de serpente…”, Aurora sussurrou, o sangue gelando em suas veias. Uma imagem, um rosto, começou a se formar em sua mente. Um rosto que ela vira em algumas fotografias antigas, um rosto que aparecia nas reuniões sociais de seus pais, sempre discreto, sempre observador. O Dr. Xavier.

“Não pode ser…”, Leonardo disse, a descrença em sua voz. Ele sabia que o Dr. Xavier era um homem de confiança, o médico de sua própria família também.

“Mas as palavras, Leo! E a data da carta… é apenas alguns dias antes da morte da minha mãe!”, Aurora argumentou, os olhos cheios de uma nova e terrível suspeita. “Ela estava com medo. Ela descobriu algo. Algo que a levou a ser silenciada.”

A revelação da carta era um divisor de águas. A inocência de Aurora sobre o passado de sua família fora pulverizada, dando lugar a uma verdade dolorosa e perigosa. A sombra do passado, antes um vulto distante, agora se materializava em formas concretas, exigindo sua atenção e sua coragem. A jornada de Aurora em busca da verdade estava apenas começando, e o caminho a frente prometia ser ainda mais turbulento do que ela jamais imaginara. A fagulha da verdade havia sido acesa, e agora era preciso ter cuidado para que ela não a consumisse por inteiro. A mansão, antes um refúgio, tornara-se um palco de mistérios e perigos, onde cada sorriso podia esconder uma ameaça e cada silêncio, um segredo mortal.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%