Entre o Amor e o Ódio II

Capítulo 17 — A Traição Revelada e o Encontro Sombrio

por Camila Costa

Capítulo 17 — A Traição Revelada e o Encontro Sombrio

O impacto da carta da mãe de Aurora reverberou pela mansão como um trovão inesperado. As palavras enigmáticas, a menção a um homem de “olhos de serpente”, e a proximidade da data com o falecimento de sua mãe, plantaram uma semente de desconfiança profunda e dolorosa no coração de Aurora. A figura do Dr. Xavier, antes vista como um pilar de confiança e um confidente da família, agora se transformava em um possível arquiteto de uma tragédia.

“Dr. Xavier… eu não consigo acreditar, Leo. Ele estava sempre tão presente, tão atencioso. Como ele poderia…?”, Aurora falava com a voz embargada, enquanto repassava a carta pela décima vez. O pergaminho parecia queimar em suas mãos. A imagem do médico, com sua postura impecável e seu olhar penetrante, agora se tingia de suspeita.

Leonardo a segurava pelos ombros, tentando transmitir a calma que ele mesmo lutava para manter. Ele também se sentia abalado. O Dr. Xavier era uma figura conhecida desde a infância, um médico respeitado que cuidou de toda a sua família. A ideia de que ele pudesse estar envolvido em algo tão sombrio era quase inconcebível.

“Eu também estou chocado, Aurora. Mas a carta não mente. E a sua intuição… você sempre foi uma pessoa muito perspicaz. Se a sua mãe estava com medo dele, precisamos levar isso a sério. Precisamos investigar mais a fundo.” Leonardo procurava um fio de lógica na tempestade de emoções que os envolvia. “A carta menciona um encontro. Um local. Precisamos ir até lá.”

“Mas onde? E como? Se ele for realmente o culpado, ele estará nos observando. Qualquer movimento em falso pode ser fatal para nós dois”, Aurora ponderou, o medo começando a se misturar à sua determinação.

“Precisamos ser inteligentes. Podemos ir até lá de surpresa, sem levantar suspeitas. Talvez possamos simular uma visita à região por outro motivo, algo que não tenha relação com a investigação.” Leonardo já traçava um plano em sua mente, buscando uma forma de proteger Aurora e, ao mesmo tempo, desvendar a verdade. “Precisamos saber o que sua mãe foi encontrar com ele, ou o que ela descobriu que o levou a cometer aquele ato terrível.”

Naquela mesma noite, o Dr. Xavier sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não era um arrepio de frio, mas de premonição. Ele estava em seu consultório, revisando alguns documentos, quando sentiu a estranha sensação de estar sendo observado. Ele se levantou, os olhos percorrendo as sombras do cômodo, mas não viu nada. No entanto, a sensação persistiu, um pressentimento incômodo de que seus planos estavam em risco. Ele pegou um pequeno frasco de vidro, contendo um líquido escuro, e o guardou em um compartimento secreto em sua mesa. Era um lembrete sutil de seu poder e de sua capacidade de manipulação.

No dia seguinte, Aurora e Leonardo agiram com a discrição de predadores em território desconhecido. Sob o pretexto de visitar uma antiga propriedade da família em ruínas em uma região próxima, eles partiram, deixando para trás a mansão Montenegro e suas sombras. O caminho para o local mencionado na carta, um antigo mosteiro abandonado nas montanhas, era tortuoso e deserto. O silêncio da natureza, antes reconfortante, agora parecia carregar um peso sinistro.

Ao chegarem ao local, a atmosfera era desoladora. O mosteiro, em ruínas, estava coberto de musgo e hera, suas pedras antigas parecendo ossos expostos ao tempo. O vento uivava entre as aberturas das janelas quebradas, criando uma melodia fantasmagórica. Aurora sentia um arrepio na espinha, uma mistura de medo e reverência. Era ali que sua mãe, em seus últimos dias, havia marcado um encontro crucial.

“Ele mencionou um local específico dentro do mosteiro. Uma capela secreta, escondida nas catacumbas”, Aurora sussurrou, consultando uma anotação que havia feito da carta. Seus olhos percorriam as ruínas, buscando qualquer sinal de um caminho oculto.

Leonardo, com uma lanterna potente em mãos, liderou a exploração. Cada passo era cauteloso, cada sombra era investigada. O cheiro de mofo e umidade pairava no ar, intensificando a sensação de um lugar esquecido pelo tempo. Eles encontraram a entrada para as catacumbas, uma passagem estreita e escura que levava para as profundezas da terra.

A descida foi tensa. As paredes de pedra, úmidas e frias, pareciam fechar-se sobre eles. Finalmente, chegaram a uma pequena câmara, onde um altar rudimentar estava no centro. Era ali que o encontro acontecera. Aurora sentiu uma tristeza profunda invadi-la, imaginando sua mãe ali, sentindo medo, buscando respostas.

De repente, um barulho veio do corredor. Passos. Eles se entreolharam, o coração disparado. Seria o Dr. Xavier? Ou alguém que ele enviara para vigiá-los?

“Precisamos nos esconder”, Leonardo sussurrou, puxando Aurora para trás de uma pilha de pedras caídas.

A figura do Dr. Xavier surgiu na entrada da câmara. Ele parecia mais sombrio e ameaçador do que Aurora jamais vira. Em suas mãos, ele carregava uma pequena pasta de couro, semelhante àquela que Aurora encontrara com a carta.

“Então você veio, Helena”, o Dr. Xavier disse, sua voz ecoando friamente na câmara. Ele se dirigiu a um ponto vazio, como se estivesse falando com a própria imagem de sua vítima. “Você nunca deveria ter descoberto. Essa informação era perigosa demais para você.”

Aurora e Leonardo se entreolharam, chocados. Ele estava falando com a mãe de Aurora, mesmo depois de morta. Era uma confissão, uma admissão de culpa.

“Ela descobriu o esquema. Descobriu que você estava desviando fundos da empresa, usando informações privilegiadas para enriquecer às custas de muitos. Ela ia expô-lo, não é?”, Aurora não conseguiu conter sua voz, irrompendo de seu esconderijo.

O Dr. Xavier sobressaltou-se, seus olhos de serpente se arregalando de surpresa e fúria ao ver Aurora e Leonardo.

“Como vocês… O quê estão fazendo aqui?”, ele rosnou, o semblante se contorcendo em uma máscara de raiva.

“Nós sabemos, Dr. Xavier. Sabemos o que você fez com a minha mãe. Você a matou para que ela não contasse a verdade sobre suas fraudes”, Aurora acusou, a voz carregada de dor e ódio. Ela se aproximou dele, sem medo, a coragem impulsionada pela verdade que acabara de testemunhar.

O Dr. Xavier riu, um som seco e desagradável. “Vocês são tolos. Acham que podem me deter? Eu sou mais esperto do que vocês imaginam.” Ele abriu a pasta que carregava, revelando documentos. “Helena não ia me expor. Ela ia me ajudar. Mas depois que você, Aurora, começou a mexer no passado, ela ficou com medo. Medo de que tudo viesse à tona.”

“Mentira! Minha mãe era uma mulher íntegra! Ela jamais faria um acordo com alguém como você!”, Aurora retrucou, a raiva tomando conta de seu corpo.

“Ela estava desesperada. Precisava proteger você. E eu a ajudei a tomar a decisão certa. Uma decisão que a livraria de todo o peso dessa verdade”, o Dr. Xavier disse, com um sorriso cruel. Ele se aproximou de uma seção da parede, onde uma pedra parecia deslocada. Com um movimento rápido, ele pressionou a pedra, e uma passagem secreta se abriu, revelando um pequeno compartimento. Dentro, havia um frasco semelhante ao que Aurora vira em seu consultório, mas este estava vazio.

“O veneno. Você usou veneno, não foi? Um veneno indetectável. Você a matou com suas próprias mãos, Dr. Xavier”, Aurora acusou, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

“Ela escolheu o seu destino, querida. E agora, vocês fizeram o mesmo”, o Dr. Xavier declarou, sacando uma arma de dentro de seu paletó.

O confronto era inevitável. A traição fora revelada, a verdade dolorosa escancarada. O amor de Aurora por sua mãe a impulsionara a buscar a verdade, mesmo diante do perigo. E agora, naquele mosteiro abandonado, sob o olhar das ruínas de um passado esquecido, ela enfrentava o homem que roubara sua mãe, o homem que se escondera por trás de uma máscara de confiança, o homem que personificava o ódio disfarçado de amizade. O encontro sombrio estava prestes a se transformar em uma luta pela sobrevivência.

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