Entre o Amor e o Ódio II

Capítulo 20 — O Confronto e a Escolha Fatal

por Camila Costa

Capítulo 20 — O Confronto e a Escolha Fatal

A mansão Montenegro transformou-se em um palco de ansiedade e vigilância. A descoberta do microfone havia intensificado o medo de Aurora, tornando cada sombra um potencial esconderijo do Dr. Xavier, cada ruído um prenúncio de perigo. Leonardo, por sua vez, redobrava os esforços para garantir a segurança de sua amada, sentindo a urgência de expor e deter o médico foragido antes que ele pudesse consumar suas ameaças. Dona Elvira, com sua sabedoria silenciosa e sua lealdade inabalável, tornara-se uma aliada inestimável, ajudando a manter a calma e a ordem em meio à crescente tensão.

“Ele está nos observando, Leo. Ele sabe de tudo o que falamos. Isso é insuportável”, Aurora confidenciou, a voz carregada de desespero. Estavam em seu quarto, a luz fraca de um abajur iluminando seus rostos preocupados. O broche com o microfone jazia sobre a mesa, um símbolo cruel da violação que haviam sofrido.

Leonardo a abraçou com força. “Precisamos ser mais cuidadosos. E mais rápidos. Precisamos encontrar uma maneira de rastreá-lo, de prender essa cobra antes que ela nos pique.” Ele sentia a frustração borbulhando dentro de si. A inteligência perversa de Xavier o colocava em desvantagem, mas ele se recusava a ceder.

“E se ele estiver planejando algo grande? Algo que envolva mais pessoas? Lembre-se do que minha mãe escreveu sobre a rede de influência dele, sobre as pessoas que ele enganava”, Aurora ponderou, uma nova preocupação surgindo em sua mente. A possibilidade de Xavier ter cúmplices, de sua teia de mentiras se estender para além do círculo imediato da família, era alarmante.

“É por isso que precisamos agir agora. Eu tenho uma ideia”, Leonardo disse, os olhos brilhando com uma centelha de determinação. “O Dr. Xavier se alimenta da sua arrogância. Ele acredita que é mais esperto que todos nós. Podemos usar isso contra ele.”

Leonardo explicou seu plano: criar uma armadilha. Uma informação falsa, cuidadosamente plantada, que levaria Xavier a revelar sua localização e, possivelmente, a identidade de seus cúmplices. Era um risco calculado, mas a única chance que tinham de confrontá-lo diretamente.

Enquanto isso, o Dr. Xavier se deleitava com o controle que exercia. Através do microfone, ele ouvia cada sussurro, cada plano, cada temor de Aurora e Leonardo. A sensação de poder o embriagava. Ele acreditava que estava um passo à frente, orquestrando o destino deles com a precisão de um mestre de xadrez.

“Eles estão com medo, meu amigo”, ele disse ao seu cúmplice, que o acompanhava em seu exílio disfarçado. “Aurora Montenegro está se desmoronando. E logo, tudo o que ela ama será meu.” Ele sorriu, um sorriso gélido que não alcançava seus olhos. Ele estava tão focado em sua vingança que não percebia que a própria arrogância o estava cegando.

Na noite planejada por Leonardo, Aurora e Dona Elvira simularam uma discussão acalorada sobre a venda de algumas obras de arte antigas da mansão, revelando um valor monetário considerável. A conversa, cuidadosamente orquestrada para ser ouvida pelo microfone, sugeria que Aurora planejava vender essas peças para obter fundos para uma viagem ao exterior, buscando se afastar de tudo e de todos, inclusive de Leonardo, a quem sugeriam ter se afastado por motivos de segurança.

O plano funcionou. O Dr. Xavier, acreditando que Aurora estava vulnerável e prestes a se isolar, viu uma oportunidade de ouro. Ele não poderia permitir que ela escapasse, que se livrasse dele. Precisava de uma última troca, de um último encontro para garantir que ela pagasse.

“Ela vai tentar fugir”, Xavier disse ao seu cúmplice. “Ele não pode. Precisamos interceptá-la. E o melhor lugar para isso… o mesmo lugar onde tudo começou.”

Ele planejou um encontro com Aurora no antigo mosteiro abandonado, com a promessa de devolvê-la alguns documentos que sua mãe havia deixado e que ele, em sua crueldade, havia retido. A isca estava lançada.

No dia seguinte, Aurora, sob o olhar apreensivo de Leonardo e Dona Elvira, partiu para o mosteiro. Leonardo a seguiu discretamente, com uma equipe policial preparada para agir no momento certo. A atmosfera no mosteiro era a mesma de antes: desoladora, carregada de um silêncio sinistro.

Aurora entrou na câmara onde tudo começou. O altar rudimentar, as paredes úmidas, o cheiro de mofo… tudo parecia sussurrar a tragédia de sua mãe. Ela esperou, o coração martelando no peito, a apreensão crescendo a cada minuto.

De repente, o Dr. Xavier surgiu das sombras. Ele não estava sozinho. Seu cúmplice o acompanhava, um homem cuja presença irradiava perigo.

“Veio se despedir, Aurora?”, o Dr. Xavier perguntou, um sorriso cruel em seus lábios. “Você deveria ter ficado quieta. Você e sua mãe. Vocês não entendem o jogo.”

“Eu entendo perfeitamente, Xavier. E você vai pagar por tudo”, Aurora respondeu, tentando manter a voz firme, apesar do medo que a consumia.

“Você acha que tem alguma chance? Você está sozinha. Eu tenho o meu… parceiro”, ele disse, gesticulando para o homem ao seu lado. “E eu tenho informações que podem destruir Leonardo e toda a sua família.”

Foi o sinal que Leonardo esperava. Ele emergiu de seu esconderijo, seguido pela equipe policial.

“Acabou, Xavier. Você está cercado”, Leonardo anunciou, a voz ecoando na câmara.

O Dr. Xavier, pego de surpresa pela presença de Leonardo e da polícia, sentiu o desespero tomar conta de si. Ele sabia que estava encurralado. Seus olhos se fixaram em Aurora, e um ódio profundo e cego brilhou neles.

“Você não vai me prender! Você não vai me tirar tudo o que eu tenho!”, ele gritou, sacando uma arma que guardava em sua cintura.

Um tiro ecoou na câmara. E depois outro. O caos irrompeu. O cúmplice de Xavier tentou fugir, mas foi contido pelos policiais. Xavier, em um ato de fúria desesperada, apontou a arma para Aurora.

Leonardo, sem hesitar, se jogou na frente dela. O disparo atingiu-o no ombro. Ele caiu, mas conseguiu gritar: “Prendam-no!”

Em meio à confusão, o Dr. Xavier tentou fugir pela passagem secreta. Mas desta vez, a passagem estava bloqueada. A polícia o cercou, e ele, finalmente derrotado, se rendeu, a arrogância substituída pela resignação.

Aurora correu para o lado de Leonardo, o pânico substituindo o medo de Xavier. “Leo! Meu amor!”, ela gritou, vendo o sangue escorrer de seu ombro.

“Estou bem, Aurora”, ele conseguiu dizer, um sorriso fraco em seus lábios. “O mais importante é que ele foi pego.”

O confronto havia terminado. A busca pela verdade, o confronto com o ódio, culminara em um momento de escolha fatal. O Dr. Xavier, consumido por sua própria ganância e desejo de vingança, escolhera o caminho da destruição, e agora enfrentaria as consequências de seus atos. Leonardo, em um ato de amor e coragem, arriscara sua vida para proteger Aurora, provando que o amor era a força mais poderosa, capaz de superar o ódio mais sombrio. A justiça, embora tardia e dolorosa, finalmente se aproximava. O preço da verdade fora alto, mas a esperança de um futuro em paz, livre das sombras do passado, começava a despontar.

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